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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

A escola pública do estado do Paraná tornou-se um espaço de indigência intelectual

Copiei do FB de Sebastião Donizete Santarosa

Enquanto o Beto Richa passeia por Miami, aproveito o feriado de Carnaval para organizar o ano letivo. Vasculhando alguns milhares de textos já amarelados no fundo da estante, vou me deparando com verdadeiras preciosidades. Textos de Clarice, de Leminski, de Dostoievíski, de Mano Brown, de Pessoa, de antigos alunos, reportagens marcantes, artigos de opinião, resenhas, quadrinhos, caricaturas, charges. Há, em meio a tudo isso, material suficiente para organizar alguns livros didáticos. Entretanto, o que me chama mais a atenção entre esses papéis são os materiais enviados pela Seed Paraná durante o governo de Requião para as atividades de formação nas escolas. Naquele tempo, e olha que não faz tanto tempo assim, a educação no Paraná era norteada por uma concepção pedagógica, os professores eram incitados à reflexão crítica e ao estudo teórico. Dermeval Saviani, Miguel Arroyo, Gramsci, Vigotsky e Bakhtin, tantos outros, participavam dos debates escolares. Será que ninguém da SEED pode mostrar isso para secretária Ana Seres? Será que ela sabe que tudo isso se perdeu? A escola pública do estado do Paraná, hoje, tornou-se um espaço de indigência intelectual. Em nome da redução de custos, o governo Beto Richa implementou um arremedo de projeto educativo: o tal "Minha Escola Tem Ação". Nas raras atividades formativas inseridas no âmbito desse projeto, os professores são levados a olhar números estatísticos frios e, sem nenhuma reflexão teórica, são levados a identificar os problemas da escola e propor as soluções que julgarem necessárias, sob expensas exclusivas da própria escola, é óbvio. É claro que isso leva a apresentação de soluções aligeiradas, centralizadas no senso-comum, como venda de rifas, organização de festas juninas, semana de provas, modelos de planejamentos, estratégias de controle de faltas e de disciplina, e toda essa parafernália mórbida. Vasculhando aqui em minha estante, entre os textos que utilizo para formar leitores, encontro muitos artigos, teses e livros. Há muita teoria linguística, literária e pedagógica. Mas na escola do Richa e da Ana Seres não há lugar para isso. Richa muito em breve ficará de vez em Miami; Seres será amaldiçoada pelos professores pelos próximos dois anos. Espero que o salário de secretária da educação ajude a reduzir o infortúnio de uma alma perturbada pelo melancólico fim de sua carreira docente. Os textos amarelados do fundo da estante continuarão ganhando vida nas salas de aula, recontando histórias, entrelaçando-se com os dizeres do cotidiano e apontando para novos horizontes, sem richas e sem seres... vamos em frente.

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