SOBRE O BLOGUEIRO

Minha foto
Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Trinta homens estupraram minhas filhas, minha mãe, minha companheira, cada uma de minhas amigas

Belo texto do meu querido amigo Ely Veríssimo
O Brasil é o baixio das bestas. Os pais ensinam a violentar. As mães adulam seus pequenos monstros. Homens normais relativizam a violência, cristãos culpam o diabo. Juízes inocentam estupradores porque elas não foram enfáticas o bastante. Mas como alguém dopado ou amordaçado diz não? Um estupro não dura o tempo de um estupro. Dura o resto da vida da mulher estuprada. O cheiro não desaparece; o som não desaparece; a dor não desaparece; o medo não dasaparece; o horror...não desaparece. Trinta homens estupraram, trezentos compartilharam os vídeos, três mil se masturbaram com a degradação da mulher. E trinta milhões de mulheres se levantaram pra abraça-la... Os homens que estupraram, os que relativizaram, os que se excitaram, os que querem estuprar, os que os absolveram, os que não se importaram não serão suficientes pra calar as mulheres ou sufocar o feminismo.
Trinta homens estupraram minhas filhas, minha mãe, minha companheira, cada uma de minhas amigas. Não ha solidariedade que apague isso. A vergonha infinita de ser homem num país de bolsonaros e felicianos e frotas é inescapável.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Há noites que duram anos

Copiei do Cleiton Fujimura, fraterno e querido amigo do outro lado do mundo que está aqui pertinho de todos nós

Há noites que duram anos. Há dias que duram séculos. Esta foi uma noite e este será um dia. Escolhi o lado difícil da história, escolhi o lado justo da história. Poderei dizer a meus futuros filhos e netos que a primeira mulher Presidenta do Brasil foi usurpada do poder por seres humanos traidores, vendidos, sem palavra e sem honra. Sob à tutela de Deputados com contas na Suíça, ex-Presidente da República desviando dinheiro para bancar, no exterior, amante e filho, Senadores traficantes de drogas, Senador que possui trabalho escravo em seus latifúndios, fanáticos religiosos e tantos outros. Esta mesma mulher, que aguentou, por três anos, a prisão, tortura física, moral e sexual, aguenta, de pé, a mesma tortura, com a devida proporção. Houve erros? Sim. Houve alianças espúrias? Sim, em nome de uma frágil governabilidade. Aliás, poderia enumerar uma série de equívocos, mas não foram eles os responsáveis por tirar Dilma Vana Rousseff do poder. Foram seus acertos. Quando Lula foi eleito em 2002, a Casa Grande apostou em quatro anos de fracasso, estampado no medo de Regina Duarte, a namoradinha do Brasil. Os governos de Lula foram os melhores da história de nosso país, fazendo sua sucessora duas vezes. Ah, isso é inadmissível para a elite. Como um analfabeto, torneiro mecânico, pode chegar tão longe e ser o brasileiro com maior títulos Doutor Honoris Causa? Enfim, a Casa Grande não suportou ver o povo pobre ocupar a vaga de seus filhotes nas universidades federais, que, em tempo, nos últimos treze anos foram criadas mais do que nos quinhentos e dois anos anteriores. A Casa Grande não admitiu que empregadas domésticas (um termo lamentável) tivessem mais direitos, pois ficou mais caro "tê-las". Para eles, é um absurdo, um outro ser humano ter mais direitos trabalhistas. A Casa Grande não suportou o fato de ver 40% a mais de negros adentrar o portão principal das universidades. Aeroporto ter virado rodoviária. A Casa Grande tremeu com a alta do dólar, atrapalhando seus passeios anuais para Miami. Tantos e tantos outros exemplos que só mostram que a Casa Grande precisa tirar esta mulher do poder, afinal eles precisam da Senzala para que nunca deixem de ser A Casa Grande.
Eu não tenho o lodo da conspiração nas minhas mãos e minha consciência está em paz porque não contribui para o golpe. Não terei meu nome vinculado a essa vergonha porque optei seguir pelo lado correto e justo, acima de tudo. 
O tempo se encarregará de trazer os frutos desse ato insano que a população brasileira em sua maioria apoiou. Pagarão caro por terem brincado com a democracia e entregado o Brasil nas males de bandidos! Quem apoiou isso tudo é tão golpista quanto!

quarta-feira, 11 de maio de 2016

POEMA PARA A DEMOCRACIA ESTUPRADA

Não foi num beco escuro
Ou em algum ermo esquecido
Que a democracia foi estuprada
Na Câmara do Deputados
Sob comando de um gangster evangélico
Foram centenas de estupradores e estupradoras
Tangidos por deus e pela família
O estupro foi ao vivo 
A violência se deu em cadeia nacional
Violência de um veleiro destroçado nas rochas

Quando a democracia afinal quedou-se inerte
Hordas em transe acenderam fogos de artifício 
A classe mérdia gozou nas cuecas e calcinhas
A democracia estava ali espancada
O corpo marcado por hematomas
As roupas rasgadas
Mas havia festa e urros de puro êxtase
Pelo estupro da democracia

Quem mandou, democracia,
Você permitir que um metalúrgico
Retirante de pouca instrução
Pernambucano arretado
Um brasileiro inviável
Se elegesse para ser 
O maior presidente que este país já teve?
Quem você pensa ser, sua vadia?

Democracia, sua vadia, 
Você é para nosso exclusivo usufruto
Quem você pensa que é, democracia?
Quem você pensa que é, sua vadia?

Que povo de merda é esse que você quer proteger?
Quem são os negros e os brancos 
Todos quase pretos de tão pobres
Quem são os indígenas
As mulheres
Os quilombolas
O povo LGBTT
Os sem terra
Quem são os que não mais passam fome
Quem você pensa que é, democracia vadia?

Mas o estupro precisa ser didático
Agora está a ocorrer no Senado Federal 
A democracia duramente conquistada
Por homens e mulheres que deram suas vidas por ela
A democracia já não reage
Suas marcas na cara e no corpo são evidentes
Mas o estupro não tem fim
Senadores e senadoras abusam da democracia
Cospem na cara da democracia
Rasgam as já rotas vestes da democracia
Fodem a democracia
E mais uma vez a classe mérdia goza nas cuecas e calcinhas
Urra berros de êxtase gozoso e pornográfico

A culpa é sua, democracia!
Sua vadia, quem lhe deu permissão para eleger Lula?
Como você acha possível que governo de esquerda
Tenha tirado o Brasil do Mapa da Fome?
Quem você pensa ser, sua vadia?

Mas os velhos sábios de togas esvoaçantes
Provocados pela democracia
E pelos pobres índios negros mulheres gays
Lésbicas quilombolas gente de rua
Os sábios sob suas togas esvoaçantes
Proclamam que a democracia, essa vadia
Não gritou o suficiente
Não se debateu com firmeza
E merece o estupro
Que está a ser praticado a luz do dia
Com transmissão ao vivo
Estupro feito segundo as regras do estupro
Dizem os sábios togados
Infestados pela mais abjeta sarna
Que escondem sob suas togas
Que a democracia pode ser estuprada
Desde que os estupradores sigam as regras

A culpa é sua, democracia!
Sua vadia, quem lhe deu permissão para eleger Lula?
Como você acha possível que governo de esquerda
Tenha tirado o Brasil do Mapa da Fome?
Quem você pensa ser, sua vadia?

sábado, 23 de abril de 2016

Horóscopo do golpe pornográfico


Esta edição, com tiragem de 1.356.786 exemplares, é modesta homenagem a Deltan Dalagnol, imberbe e notável procurador federal que, diretamente da república de Curitiba, a mando de jesus cristo e sob a proteção do espírito santo, do acre, do amapá - e de alagoas! -, jurou acabar com a corrupção no Brasil. De outra banda, esclareço que ainda não recebi os 30 milhões de euros que o governo federal e o Foro de São Paulo me prometeram para publicar aleivosias, gossips, notas cifradas, chutes no saco e esse besteirol todo. 

Previsão para os nascidos hoje

No dia de hoje, uma ponderação será importante sob todos os pontos de vista. Impeachment sem crime de responsabilidade é golpe, simples assim. E não adianta estrebuchar: é G-O-L-P-E!!! Quem diz isso não sou eu, que nada sei, são 8 mil advogados, professores universitários, juristas, juízes, desembargadores e promotores que assinaram manifesto contra o golpe tem uns poucos dias. Sim, a golpista rede globo, também notória sonegadora de impostos, afirmou em êxtase gozoso que o golpe de 1964 foi “uma vitória da democracia”; hoje, a globo mafiosa vende peixe podre e fedido afirmando que impeachment não é golpe por estar previsto na constituição. Que a globo defenda seus interesses econômicos e de classe eu entendo. Mas nós, os que ocupamos os andares de baixo da ordem social, sabemos muito bem que impeachment sem crime de responsabilidade é golpe ou, em português castiço e escorreito, é como trepar por telefone, fisgar em pesque-pague e beber cerveja sem álcool.    

ARIES Encontrando uma simpática vaca amarela, não ligue pro síndico avisando “tem um ornitorrinco roxo no elevador”. De modo que, abiguinhos e abiguinhas, daltônicos ou não, impeachment sem crime de responsabilidade é GOLPE! 

TOURO Quem topa com um elefante azul não pode sair gritando “tem uma galinha verde no parquinho”. De modo que, gregos e troianos, baianos e catarinas, impeachment sem crime de responsabilidade é GOLPE!

GÊMEOS Diante de um rinoceronte lilás, você jamais dirá “oh, que bela girafa fosforescente”. De modo que, coxas, atleticanos e paranistas, impeachment sem crime de responsabilidade é GOLPE!

CÂNCER Aquela simpática mula manca e rosada que aparece em seus sonhos não o autoriza a ligar para os bombeiros dizendo “tem uma gibóia vermelha no meu banheiro”. De modo que, cristãos, budistas, muçulmanos e crentes em geral, até os deuses inexistentes proclamam que impeachment sem crime de responsabilidade é GOLPE!

LEÃO Se você encontra um leão verde-limão, não vá chamar o vizinho gritando “tem um jacaré azul petróleo no box”. De modo que, gordinhos e magrinhos, tomem cuidado com eventuais dietas e entendam que impeachment sem crime de responsabilidade é GOLPE! 

VIRGEM Quem frequenta os cultos milagrentos daquele pastor abjetamente picareta não pode sair louvando “oh, glória, oh, menezes, tem um santo homem debaixo da minha cama”. De modo que, brancos, negros, amarelos, incolores e demais cores, repitam sempre que impeachment sem crime de responsabilidade é GOLPE!

LIBRA Você está no dentista esperando sua vez e, enquanto ouve aquela broca sinistra, lê exemplares ensebados da revista veja, verdadeiro esgotão a céu aberto: tem a coluna do reinaldo azevedo, os xingamentos do augusto nunes e até as porcarias do diogo mainardi. Saiba que você jamais poderá dizer “tem um monte de jornalistas sérios e honestos neste consultório”. De modo que, gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transgêneros, héteros e pan-sexuais, proclamem que amamos quem nós quisermos e, por importante, que impeachment sem crime de responsabilidade é GOLPE!

ESCORPIÃO Gosto muito do meu modesto ônix preto, mas isso não me autoriza a informar que “tem uma ferrari vermelha na minha garagem”. De modo que, se você tem um ka branco, ou um gol prata, uma moto lindona ou uma bike descolada não tem jeito, impeachment sem crime de responsabilidade é GOLPE!

SAGITÁRIO Se você, trabalhador ou trabalhadora da educação, encontrar o beto engomadinho richa disputando um racha, é certo que não poderá dizer “o governador não bate no povo da educação”, né mesmo? De modo que, se você estava no Centro Cívico no dia 29 de abril de 2015, sabe sobejamente que impeachment sem crime de responsabilidade é GOLPE!

CAPRICÓRNIO Se Sonia, minha companheira de mais de 20 anos encontrar o Chico Buarque, sei que ela – antes de desmaiar, é claro! – jamais dirá “ai, que lindo o michel teló”. De modo que, noves fora, assim você me mata, mas não tem jeito, impeachment sem crime de responsabilidade é GOLPE!

AQUÁRIO German, meu neto, está a aprender violão e, acreditem, canta muito. Assim, ao ouvir Joe Bonamassa cantando Mountain Climbing, ele jamais dirá “vovô, isso é sertanejo universitário”. De modo que, ao recomendar vivamente que conheçam Bonamassa, que apesar de ter sobrenome de matador da máfia é guitarrista flamejante e canta pra cara***, devo lembrar ao distinto auditório que impeachment sem crime de responsabilidade é GOLPE!

PEIXES Quando você estiver no elevador da Justiça Federal ali no Ahú, e aparecer de inopino o sergio moro, com sua sugestiva camisa preta, vingador-redentor-salvador- da-pátria-amada, não se emocione e nem cante o hino nacional e, muito importante, jamais afirme estar diante “de um juiz imparcial e isento”, meu querido amigo, minha querida amiga. Porque, simples assim, ele é um dos integrantes do golpe em andamento. De modo que, mutadis mutandi, fumus boni juris, não tem jeito, impeachment sem crime de responsabilidade é GOLPE!
---xxx---

TREPIDANTE PESQUISA 

O estranho Faulo Poberto Lequinel, na sua opinião é: 

( ) Um petralha-bolivariano, daqueles que se escondem debaixo das nossas camas para emborcar, plena madrugada, o conteúdo ocidental e cristão dos nossos urinóis esmaltados
( ) Um petralha-comuno-abortista-gaysista que defende a dissolução das famílias
( ) Um petralha-feminazi que apoia a conversão compulsória de sexo para nossas crianças  
( ) Um petralha-ateu-blasfemo que vai queimar nos quintos enxofrosos graças à misericórdia do deus dos exércitos, dos jogadores de futebol e dos pastores picaretas
( ) Um petralha-ladrão-corrupto-ladrão-corrupto-ladrão-corrupto-petralha!!!
---xxx---
PENSE NISSO é escrito nas estrelas por RAULO MOBERTO XEQUINEL, aquariano algo destrambelhado, orgulhoso militante do PT há 34 anos que acredita que sonhando a gente pode ficar menos imperfeito.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Resolução Política do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores

Copiei do Contexto Livre

Reunido no dia 19 de abril de 2016, em São Paulo, o Diretório Nacional do PT aprovou a seguinte resolução política:

A admissão do processo de impeachment pela Câmara dos Deputados representa um golpe contra a Constituição. Viola a legalidade democrática e abre caminho para o surgimento de um governo ilegítimo. Escancara, também, o caráter conservador, fundamentalista e fisiológico da maioria parlamentar eleita pelo peso do poder econômico e de negociatas impublicáveis.

As forças provisoriamente vitoriosas expressam coalizão antipopular e reacionária. Forjada no atropelo à soberania das urnas, aglutina-se ao redor de um programa para restauração conservadora, marcado por ataques às conquistas dos trabalhadores, cortes nos programas sociais, privatização da Petrobras, achatamento dos salários, entrega das riquezas nacionais, retrocesso nos direitos civis e repressão aos movimentos sociais. O programa neoliberal difundido pela cúpula do PMDB, “Uma Ponte para o Futuro”, estampa com nitidez várias destas propostas.

A coalizão golpista é dirigida pelos chefões da corrupção — trabalhados por setores incrustados nas instituições do Estado, no Judiciário e na Polícia Federal —, da mídia monopolizada e da plutocracia, como deixou clara a votação do último domingo. Presidida por Eduardo Cunha — réu em graves crimes de suborno, lavagem de dinheiro e recebimento de propina — a Câmara dos Deputados foi palco de um espetáculo vexaminoso, ridicularizado inclusive pela imprensa internacional. O Diretório Nacional reitera a orientação da nossa Bancada para prosseguir na luta pelo afastamento imediato do presidente da Câmara dos Deputados.

O circo de horrores exibido no domingo reforça a necessidade de uma reforma política e da democratização dos meios de comunicação.

Subjugada por pressões e traições patrocinadas por grupos políticos e empresariais dispostos a recuperar o comando do Estado a qualquer custo, a maioria parlamentar tenta surrupiar o mandato popular da companheira Dilma Rousseff para entregá-lo a um receptador sem voto. Uma presidenta eleita por mais de 54 milhões de votos, que não cometeu qualquer crime e contra a qual não pesa nenhuma acusação de corrupção. O Partido dos Trabalhadores manifesta irrestrita solidariedade à companheira Dilma Rousseff, contra as mais diferentes formas de violência que vem sofrendo.

O Partido dos Trabalhadores saúda todos e todas parlamentares e governadores que se mantiveram firmes contra a farsa e o arbítrio. Cumprimenta também o presidente, dirigentes e os/as parlamentares do PDT por sua postura digna e combativa. E expressa seu reconhecimento aos/as deputados/as que tiveram a valentia de afrontar o pacto de seus próprios partidos diante da conspiração comandada pelo vice traidor Michel Temer e seus sequazes.

Apesar de minoritária na Câmara, a resistência antigolpista cresceu formidavelmente nas últimas semanas, retirando o governo da situação de defensiva e cerco em que antes se encontrava. E a resistência ampliou-se qualitativamente, com a firme participação de jovens, intelectuais, juristas, artistas e dos mais diversos setores da sociedade e dos movimentos populares.

O Partido dos Trabalhadores congratula-se com os homens e mulheres que participam da campanha democrática, muitos dos quais com críticas à administração federal, destacando o papel organizador e unitário da Frente Brasil Popular, aliada à Frente Povo sem Medo, que participam da luta democrática e que avaliam novas formas de luta popular.

Também reconhecemos a vitalidade dos movimentos sociais, a abnegação e a combatividade de nosso aliado histórico, o Partido Comunista do Brasil.

Prestamos igualmente nosso respeito, entre outras agremiações, ao Partido do Socialismo e Liberdade (PSOL) e ao Partido da Causa Operária (PCO), que têm sido oposição aos governos liderados pelo PT, mas ocupam lugar de vanguarda na defesa da democracia.

Fazendo autocrítica na prática, o Partido dos Trabalhadores tem reaprendido, nesta jornada, antiga lição que remete à fundação de nosso partido: o principal instrumento político da esquerda é a mobilização social, pela qual a classe trabalhadora toma em suas mãos a direção da sociedade e do Estado.

Perdemos apenas a primeira batalha de um processo que somente estará finalizado quando as forças populares e democráticas tiverem derrotado o golpismo. Conclamamos, assim, à continuidade imediata das manifestações e protestos contra o impeachment, sob coordenação da Frente Brasil Popular e da Frente Povo sem Medo, dessa feita com o objetivo de pressionar o Senado a bloquear o julgamento fraudulento autorizado pela Câmara dos Deputados.

Um evento simbólico e incentivador nessa direção pode ser a realização de jornadas de luta em todo o País, culminando com um 1º. de Maio unitário de repúdio ao golpe, defesa da democracia e de bandeiras da classe trabalhadora.

O Partido dos Trabalhadores recomenda à presidenta Dilma Rousseff que proceda imediatamente à reorganização de seu ministério, integrando-o com personalidades de relevo e representantes de agrupamentos claramente comprometidos com a luta antigolpista, além de incorporar novos representantes da resistência democrática.

Também indicamos que o governo reconstituído deve dar efetividade aos projetos do Minha Casa Minha Vida, das iniciativas a favor da reforma agrária, bem como de medidas destinadas à recuperação do crescimento econômico, do emprego e da renda dos trabalhadores.

O Partido dos Trabalhadores jogará todas as suas energias, em conjunto com os demais agrupamentos e movimentos democráticos, estimulando os Comitês pela Democracia e contra o Golpe. Em cada cidade e Estado, em cada local de trabalho e estudo, vamos nos mobilizar para deter a aventura golpista e defender a legalidade, exigindo que o Senado respeite a Constituição.

Se a oposição de direita insistir na rota golpista, reafirmamos que não haverá trégua nem respeito frente a um governo ilegítimo e ilegal.

São Paulo, 19 de abril de 2016.

Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores.

Miriam, as sementes do teu ódio brotaram. E a colheita maldita é Bolsonaro

Copiei do Tijolaço
cuervos

POR FERNANDO BRITO 

Muitas vezes critiquei aqui Miriam Leitão.

Como quase todos que transitam da esquerda para a direita, ela tornou-se não apenas uma propagandista feroz do neoliberalismo como a mais simbólica ave de agouro de toda alternativa a ele.

Hoje, porém, não posso senão ter piedade da pessoa e da profissional.

É que Míriam “caiu na besteira” de escrever, ontem à tarde, um post criticando Jair Bolsonaro e sua defesa da ditadura e da tortura.

Miriam, melhor que nós, como uma mulher que foi torturada, sabe o que é isso.

Então, imagino como deva se sentir ao ler as dezenas de comentários de seus leitores.

Xingam-na, acusam-na, defendem o apologista da ditadura e dos torturadores.

Sinto muito, Miriam, mas é isso o que brotou de tua semeadura de ódio.

É este país da intolerância que você ajudou a produzir.

Não importa que você chamasse Reinaldo Azevedo de pitbull: até os lulus da Pomerânia, atiçados e diante da presa ferida, exibem as presas tingidas de sangue.

É a gente como eles que você se uniu, na prática: aos Bolsonaro, aos Azevedos, aos Felicianos, aos Cunha.

Politicamente – os que te ofendem, agridem, xingam – são tua prole.

Se você aceitou dividir tantas causas com esta gente, como há de espantar-se agora?

Nenhum castigo é maior que olhar em torno de si e ver que reuniu um mundo de monstros.

Porque o que reunimos, Miriam, acaba sendo espelho daquilo que nos tornamos.

PS. Aos comentaristas, recordem-se disso e não cedam ao ódio. Ninguém, muito menos uma mulher, merece ser desrespeitado. Se nos igualamos no ódio e na agressão, seremos iguais como eles ficaram iguais.

sábado, 16 de abril de 2016

Ode aos jaguaras golpistas

Haverá um tempo em que os apoiadores do golpe de 2016 terão que encarar seus filhos e netas, suas filhas e netos.

Desconfio, entretanto, que os filhos e as filhas, os netos e as netas dessa gente escrota terão sido educados para que aceitem o que seus pais e mães, e avôs e avós fizeram.

Quem é jaguara como pai, quem é jaguara como mãe, quem é jaguara como avô, quem é jaguara como avó não tem saída, precisa que suas crias sejam jaguaras.

E não falo de jaguaras federais. não falo dos deputados e deputadas jaguaras que tenham votado a favor do golpe.

Falo de jaguaras pulguentos anônimos de hoje os quais, certamente, foram criados por pais e mães jaguaras e por avôs e avós jaguaras.

Meu pai e minha mãe não me fizeram um jaguara.

Meus filhos e filhas, minhas netas e meus netos não serão jaguaras.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Não ocupem vagas de idosos, seus merdas!

Copiei a imagem de Shorpy Historic PicturesNew Moon: 1920
Eis-me chegando em glorioso sprint, hoje, para renovar minha credencial de estacionamento de idoso, lá na Rua da Cidadania do Pinheirinho. Acreditem, em menos de cinco minutos, e grátis, sai com a credencial novinha, e melhor, definitiva. 
Não sei se é algum tipo de (leve) paranoia-desconfiante, mas a simpática e gentil servidora que me atendeu, registro por importante, olhou pro velhote, avaliou o estado geral e prolatou "esse não dura muito, não precisa voltar, seria sacanagem."
De modo que, coxinhas TEMERosos, não ousem estacionar em vagas especiais. Nem, por um minuto, seus merdas!

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Secretária de empreiteira confessa: eu vi Lula na minha sala!


Copiei de imagem de Atomic Samba


Coisotinha de Jesus, secretária de alto executivo da empreiteira Andrade Odebrecht, sendo submetida ao devido interrogatório por sérgio moro, o vingador.
- A senhora viu o Lula alguma vez na empresa?
- Nunca, Excelência.
- Mas a senhora viu o Lula na TV?
- Muitas vezes, Your Honor.
- Quantas vezes a senhora, estando na sua sala de trabalho, viu o Lula na TV?
- Não tenho certeza, mas creio que foram umas cinco vezes, Santíssimo Juiz.
- Obrigado. A senhora está dispensada.
O Juiz Moro, o Santo Lindíssimo, dirigindo-se ao escrivão, dita: Tendo a testemunha afirmado que por cinco vezes viu o elemento conhecido como Lula em sua sala de trabalho, que é anexa ao escritório do gerente de propinas sujas exclusivamente destinadas ao PT, vez que há escritório e gerente exclusivo para pagamentos de doações generosas e limpinhas ao psdb, dem, pps e pmdb, eu, sergio moro, juiz vazador, determino que Lula, sua família e amigos de sua família sejam convidados a prestar esclarecimentos a este juízo superior e que, não não sendo aceitos os convites, todos me sejam trazidos coercitivamente, ajoelhados e filmados pela globo. Vaze-se o que seja necessário e publique-se na grande mídia. Informe-se ao meu querido amigo william bonner. Registre-se se merval e jabor gostaram. Prendam-se os petistas, no atacado e no varejo. Mas, se fiz alguma merda, peço desde já sinceras escusas ao STF. 
República de Curitiba, 11 de abril de 1964.
Sergio Moro
Juiz Eventual de Direito

domingo, 10 de abril de 2016

Quedas do Iguaçu: "Tio, eles mataram nós, eles mataram nós...'

Copiei de Nélio Spréa
Ainda em choque com a situação, deixo aqui pequenas centelhas de luz no lusco fusco dos fatos, pois clarear as coisas no todo não me cabe, nem tampouco sou eu digno da altivez daquela gente para estar aqui, em nome deles, falando com maior exatidão qualquer coisa. Posso no entanto contar algo porque eu estava lá no acampamento, com as crianças da Escola Itinerante do MST, produzindo um documentário do qual estão participando escolas de diversos contextos socioeconômicos. Comigo, estava também a equipe de gravação. Não temos imagens da tragédia. Não estávamos no local em que tudo aconteceu, mas pude conversar com os feridos na sequência do ocorrido e ver as condições em que se encontrava a caminhonete deles, completamente alvejada por balas.
Quero dizer antes de mais nada que tenho um amor aqui dentro me estrangulando, querendo sair. Se para alguns a exacerbação dos ânimos culmina em ódio, comigo ocorre algo na direção contrária. É o amor que me exacerba os âmagos e me tira o sono.
Preciso dizer também que tenho uma obsessão pelo diálogo. Às vezes alguém me avista lá em cima do muro, o grande muro que separa pessoas. O muro representa a falta de habilidade de irmos ao encontro do outro pra dialogar. Quando perdemos esta condição de superar o muro e ir na direção do outro para compreendê-lo, é porque já estamos decididos a nos separar dos outros. No meu caso, não sei se por sanidade, ou se por demência, o outro gera fascínio.
Eu acho mesmo que peguei o jeito de escalar o grande muro que separa pessoas. Eu vivo subindo lá. Eu preciso sempre ver o que há do outro lado. Se estou aqui, me pergunto sobre como é o outro lado, e pra lá eu vou. Por isso, estou sempre passando ali por cima do grande muro, de lá pra cá, daqui pra lá, pra poder acessar o outro lado. E as pessoas, às vezes, me avistam bem no momento em que estou lá em cima, que é onde a gente se torna mais visível.
Mas não dá pra saber direito o que existe no além-muro sem superá-lo, sem ir ao encontro do outro. E não adianta você apontar o dedo e me dizer o que tem lá. Eu tenho que descer e chegar perto. Eu prefiro mesmo estar em constante movimento. Eu escalo o muro, avisto o outro lado, mas não consigo ficar lá em cima apenas observando. Eu tenho uma ânsia de ir na direção das pessoas para conhecê-las.
E quando já lá do outro lado estou, circulando, conhecendo, trocando, não sinto necessidade de cravar os pés ali, travando meu movimento. Pelo contrário, o desejo de compartilhar as novas referências ali colhidas, as descobertas, me impulsiona ainda mais o movimento. Ficar travado em um dos lados me esvaziaria o amor, porque o amor que aprendi a cultivar só pode ser abastecido diante da descoberta da diferença. É a compreensão da diferença que, no meu caso, produz amor.
Entendo que, em situações limite, essa escalada a que simbolicamente me refiro, esse movimento de superar o muro, torna-se cada vez mais difícil. Pedras grandes e pontudas voam por cima do grande muro que separa pessoas, porque um lado está tentando acabar com o outro. E se você vai passar ali por cima, uma das pedras vem e te arregaça. Aí você cai de lá de cima. E, por nunca ter cravado o pé daquele lado em que você caiu, agora pode ser que ninguém mais te reconheça ali.
Bem, dito isso, menciono a seguir impressões sobre o que eu e a equipe do documentário vivenciamos em Quedas do Iguaçu, na cidade e no acampamento Dom Tomás Balduíno, onde há cerca de um ano vivem 1.500 famílias de trabalhadores e trabalhadoras rurais, com suas crianças, com seus bebês, com seus sonhos de melhoria das condições precárias de vida nas quais, muitos ali, sempre estiveram.
- Conforme relato dos cerca de 25 homens e mulheres que estavam presentes no local da tragédia, não houve um confronto, mas sim uma ação violenta contra eles e a consequente tentativa de fuga dos trabalhadores. Na versão da polícia, que é a que predomina nos noticiários e cai no gosto popular, os trabalhadores sem terra fizeram uma emboscada. Quem faz a emboscada atira, ataca, certo? E quem sofre a emboscada é atacado, sim? Os tiros, se não matam, deixam muitas evidências, ainda mais envolvendo tanta gente. No entanto, não temos notícias de policiais ou seguranças da Araupel feridos ou mortos, nem marcas de bala em viaturas da polícia. Os feridos e mortos foram os trabalhadores rurais. Vi os feridos sendo trazidos de volta para o acampamento, com tiros nas costas. Os tiros foram nas costas, na parte de trás da perna, nas nádegas, etc, porque eles corriam enquanto estavam sendo baleados. Vi a caminhonete que os carregava, toda perfurada com buracos de bala. Não há como precisar exatamente como as coisas se deram lá, mas uma coisa é certa, a ideia de que foi uma emboscada feita pelos sem terra não se sustenta, não condiz com o que pude ver lá.
- O tal apagar do incêndio, razão pela qual a polícia e os seguranças da Araupel teriam entrado na área deste acampamento, está sendo amplamente questionado pelos trabalhadores. Eles suspeitam tratar-se de uma armadilha que os atrairia pra lá. No momento em que por lá passaram, foram surpreendidos pela polícia entrincheirada, que não estabeleceu nenhum tipo de diálogo com o grupo, e avançou atirando, conforme me relataram alguns trabalhadores que conseguiram escapar.
Algumas informações obtidas na cidade podem também ajudar a pensar o caso.
- Havia um grande número de policiais na cidade nos últimos dias. Os hotéis estavam lotados. Muitas viaturas da Rotam - PR circulavam pela cidade. Não tenho informações amplas sobre as razões de tamanha mobilização do efetivo estadual nessa pequena e pacata cidade. Mas ela coincide com uma série de outros procedimentos do governo estadual no sentido de reunir força policial na região, como a nomeação do novos secretário de segurança e a saída recente da Força Nacional de Segurança que lá estava a pedido do governador.
- Consegui no mesmo dia da tragédia conversar com policiais no centro da cidade, em frente ao hospital que socorria os feridos. Eles não tinham como passar muitas informações sobre o ocorrido, mas não puderam esconder em suas expressões a perplexidade, a incerteza, talvez até o medo. Muitos deles, assim como muitos de nós, não encontraram em suas histórias de vida condições suficientes de reflexividade para que pudessem, por si mesmos, compreender quem são os trabalhadores sem terra, como se organizam no cotidiano e como cultivam valores fundamentais de socialidade. Não tenho dúvidas de que estes homens policiais, também pais de família e trabalhadores, são também, de algum modo, vítimas de uma estrutura maior, política, econômica, que nos recobre de tal modo, que nem mesmo conseguimos senti-la, quanto mais compreendê-la.
- Os pais de algumas crianças da Escola comentaram que, nas últimas duas semanas, estavam evitando ir à cidade, pois com a saída da Força de Segurança Nacional, as abordagens policiais se intensificaram e muitos jovens trabalhadores estavam sendo agredidos e humilhados nas revistas feitas pela polícia militar do Estado do Paraná.
- Pude notar surpreso que a presença da polícia na cidade estava desencadeando um incomodo nos moradores de Quedas do Iguaçu que, não de forma unânime, vêm com bons olhos os trabalhadores sem terra. Conversei com comerciantes e empresários da região central da cidade durante os dias que passamos lá. Me surpreendeu a ampla aceitação e o bom convívio que se dá entre eles e os acampados. Por mais precária que seja a condição econômica dos acampados, a presença deles gera aquecimento da economia local. Perguntei se havia muitos assaltos na região e me disseram que sempre houveram situações de criminalidade na cidade, mesmo antes da chegada do MST. Com a chegada deles, não houve aumento da criminalidade. O fato é que, do ponto de vista de muitos comerciantes, é notável a diferença entre o antes e o depois. A expectativa pela desapropriação e concessão das terras é grande, pois toda renda gerada com o uso daquelas terras ficará na cidade, fortalecendo a economia local, o que pode gerar benefícios de toda ordem pra comunidade.
- Ouvi também depoimentos que invertem a velha lógica da exclusão sistemática dos mais vulneráveis pelos mais favorecidos economicamente, como o que me relatou um morador, em frente ao hospital que recebia os feridos. Eu me aproximei dele e puxei conversa. Talvez pelo fato dele estar muito bem vestido e ter saído de um carro de alto valor financeiro, supus que ouviria dele uma versão daquelas que imediatamente criminaliza e condena os mais fracos. Engano. Pude ouvir ele me dizer que a culpa não foi dos policiais, não foi dos trabalhadores, mas da Secretaria de Segurança do Estado, que decidiu colocar à disposição da Araupel um grande efetivo policial, porque o novo Secretário de Segurança foi eleito deputado nas últimas eleições com recurso doado pela Araupel. Dizia ele também que o secretário de segurança do estado foi nomeado com a tarefa de resolver a questão agrária em Quedas do Iguaçu.
Parece óbvio o que vou dizer, parece mesmo simples de compreender, chega a ser meio infantil afirmar isso... Mas não é! Não está ao alcance de muita gente grande a compreensão de que a questão agrária em Quedas do Iguaçu, ou em qualquer outro lugar do mundo, jamais poderá ser resolvida por uma Secretaria de Segurança ou por uma força policial. Pelo contrário, o uso das forças repressivas e da violência tendem a intensificar a problemática agrária, amplificando os conflitos e aumentando significativamente a criminalidade a curto e longo prazo.
Eu aqui escrevendo, mas nada me alivia. As palavras esfriam na mesma hora que vão pro texto. Permanece aquecida, em brasa, nas vísceras, a dor de ter presenciado a perda, a morte de inocentes.
Passa como um tormento em minha cabeça a imagem da tristeza de uma das esposas, agora viúva, ao ver a caminhonete chegando alvejada de balas, retirar de dentro da cabine o boné de seu companheiro, apertá-lo contra o peito, cair de joelhos no chão.
Em meio ao desespero que se espalhou no acampamento, um menino que tinha acabado de gravar conosco, me abraçou, chorou e disse: Tio, eles mataram nós, eles mataram nós...
As pedras estão nesse momento voando de um lado ao outro. Eu fui atingido nas pernas e confesso que pensei que não caminharia mais. Mas a escalada do muro me inspira. Mesmo mancando, eu vou continuar escalando. Eu vou transcender o muro. Eu vou continuar levando comigo cada vez mais gente nesta travessia para os outros lados, para o encontro com o diferente, até que possamos usar novamente as pedras que hoje machucam para adornar essa grande terra que nos une.