SOBRE O BLOGUEIRO

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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Por que a Globo está atacando Lula com tanta fúria

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Copiei do DCM
Por Paulo Nogueira

Valentemente, assim que os donos determinaram, os jornalistas da Globo pararam de falar no impeachment de Dilma.
Um deles, Erick Bretas, tratou até de trocar a foto de perfil de seu Facebook. Ele tinha colocado a inscrição “gave over” (fim de jogo), por ocasião de uma manifestação anti-Dilma, para a qual conclamara seus seguidores.
Trocou-a, com a nova orientação patronal, por uma bandeira do Brasil.
Agora, com a mesma valentia com que recuaram instantaneamente, os editores, colunistas e comentaristas da Globo avançam, novamente sob ordens patronais, contra Lula.
Todas as mídias da Globo vêm sendo usadas para investir contra Lula, por conta, naturalmente, de 2018.
Tevê, jornal, rádio, internet – são os Marinhos e seus porta-vozes contra Lula.
A novidade aí parece ser a substituição da Veja pela Época na repercussão dos sábados à noite do Jornal Nacional.
Nem para isso mais a Veja serve. Nem para servir de alavanca para o Jornal Nacional. É uma agonia miserável e solitária a da revista dos Civitas.
Lula, em seus anos no Planalto, nada fe para enfrentar a concentração de mídia da Globo, algo que é um câncer para a sociedade pelo potencial de manipulação da opinião pública.
E agora paga o preço por isso.
Verdade que, acertadamente, ele decidiu não ficar “parado”. Pássaro parado, disse Lula, é mais fácil de ser abatido.
E então Lula decidiu reagir.
Pelo site do Instituto Lula, ele tem rebatido as agressões dos Marinhos, minuciosamente.
E tem anunciado processos quando se sente injustiçado – um passo fundamental para colocar alguma pressão nos caluniadores e, também, nos juízes complacentes.
Há um tributo involuntário no movimento anti-Lula da Globo. É um reconhecimento, oblíquo que seja, de sua força.
É assim que o quadro deve ser entendido.
Quem pode ser o anti-Lula em 2018? Aécio, Alckmin e Serra, os nomes do PSDB, seriam provavelmente destruídos ainda no primeiro turno.
Imagine Lula debatendo com cada um deles.
Fora do PSDB, é um deserto ainda maior. De Marina a Bolsonaro, os potenciais adversários de Lula equivalem ao Vasco da Gama no Brasileirão.
Neste sentido, o boneco de Lula, o Lulão, surge mais como desespero da oposição do que como uma gesto criativo dos analfabetos políticos de movimentos como o Brasil Livre de Kim Kataguiri.
A Globo vem dando um destaque de superstar ao Lulão, como parte de sua operação de guerra.
E Lula tem respondido como jamais fez. No desmentido da capa da edição do final de semana da Época, ele citou um aporte milionário de 361 milhões de reais do BNDES na Globo, em 2001, no governo FHC.
Ali se revelou outra face dos sistemáticos assaltos da Globo ao dinheiro público: o caminho do BNDES. Não são apenas os 500 milhões de reais em média, ao ano, de propaganda federal. São também outros canais, como o BNDES.
Não é exagero dizer que a Globo, como a conhecemos (não como o jornaleco de província a que se resumiu por décadas) é fruto do dinheiro público.
Como Lula, caso volte à presidência em 2018, tratará a Globo?
É essa pergunta que atormenta os Marinhos, já suficientemente atordoados com o florescimento da internet em oposição à decadência da tevê.
E é isso que explica a heroica valentia patronal dos jornalistas da Globo.

domingo, 30 de agosto de 2015

“Não vou emitir juízo”: e se Gilmar Mendes cumprisse o que promete?

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Copiei do DCM

Por Kiko Nogueira

Rodrigo Janot foi preciso ao apontar a “inconveniência de serem, Justiça Eleitoral e Ministério Público Eleitoral, protagonistas —exagerados— do espetáculo da democracia, para os quais a Constituição trouxe, como atores principais, os candidatos e os eleitores”.
O comentário constou em seu parecer do arquivamento do pedido feito por Gilmar Mendes para investigar uma fornecedora da campanha de Dilma, a gráfica VTPB. “Não interessa à sociedade que as controvérsias sobre a eleição se perpetuem”, escreveu.
O pacote inconveniente do vice presidente do TSE inclui um truque de retórica — ou melhor, um vício de linguagem — revelador. É a frase “não vou emitir juízo”.
Ele a utiliza desde há muitos anos, como se vê em registros na internet, mas a aperfeiçoou. Invariavelmente, depois da advertência que ele mesmo dá segue um julgamento severo.
Em entrevista ao Correio Braziliense publicada hoje, 30 de agosto, perguntado se Dilma sabia da corrupção na Petrobras, ele fala o seguinte: “Não vou emitir juízo sobre isso”.
E na sequencia: “Agora, a mim me parece que é difícil qualquer pessoa que estava em posição de responsabilidade dizer que desconhecia essas práticas. Mas isso deve ser investigado nos devidos processos. E nós estamos falando só da Petrobras, agora recentemente começamos a falar da Eletrobras. Isso é extremamente preocupante. Agora, se ninguém sabe e ninguém viu, precisa ir ao oculista, além de outros sentidos que podem estar perdidos por aí.”
Sobre a renúncia de Dilma: “Não vou emitir juízo sobre isso. Mas as soluções estão no universo da política.”
Sobre o envolvimento de José Dirceu e Lula no “desenho da operação”: “Não vou emitir juízo sobre pessoas. Só acho que a história não chega a ser um conto infantil se for apresentada assim. Agora, estamos diante de um sistema claramente maior.”
Provavelmente é um caso inédito, no mundo, de emissões de juízo apressadas, invariavelmente vindas depois de um alerta. No mundo ideal, apareceriam as iniciais SQN depois de cada aviso de GM, como na clássica série do Batman.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Por que decidi processar Gilmar Mendes

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Copiei do GGN

Luis Nassif

O Ministro Gilmar Mendes me processou, um daqueles processos montados apenas para roubar tempo e recursos do denunciado. Eu poderia ter ficado na resposta bem elaborada do meu competente advogado Percival Maricatto.

Mas resolvi ir além.

Recorri ao que em Direito se chama de "reconvenção", o direito de processar quem me processa.

A razão foram ofensas graves feitas por ele na sessão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na qual não conseguiu levar adiante a tentativa canhestra de golpe paraguaio, através da rejeição das contas de campanha de Dilma Rousseff.

Todo o percurso anterior foi na direção da rejeição, inclusive os pareceres absurdos dos técnicos do TSE tratando como falta grave até a inclusão de trituradores de papel na categoria de bens não duráveis.

Não conseguiu atingir seu propósito graças ao recuo do Ministro Luiz Fux, que não aceitou avalizar sua manobra. Ele despejou sua ira impotente sobre mim, valendo-se de um espaço público nobre: a tribuna do TSE.

“Certamente quem lucrou foram os blogs sujos, que ficaram prestando um tamanho desserviço. Há um caso que foi demitido da Folha de S. Paulo, em um caso conhecido porque era esperto demais, que criou uma coluna 'dinheiro vivo', certamente movida a dinheiro (...) Profissional da chantagem, da locupletação financiado por dinheiro público, meu, seu e nosso! Precisa ser contado isso para que se envergonhe. Um blog criado para atacar adversários e inimigos políticos! Mereceria do Ministério Público uma ação de improbidade, não solidariedade”.

O que mereceria uma ação de improbidade é o fato de um Ministro do STF ser dono de um Instituto que é patrocinado por empresas com interesses amplos no STF em ações que estão sujeitas a serem julgadas por ele. Dentre elas, a Ambev, Light, Febraban, Bunge, Cetip, empresas e entidades com interesses no STF.

Não foi o primeiro ato condenável na carreira de Gilmar. Seu facciosismo, a maneira como participou de alguns dos mais deploráveis factoides jornalísticos, a sem-cerimônia com que senta em processos, deveriam ser motivo de vergonha para todos os que apostam na construção de um Brasil moderno. Gilmar é uma ofensa à noção de país civilizado, tanto quanto Eduardo Cunha na presidência da Câmara Federal.

A intenção do processo foi responder às suas ofensas. Mais que isso: colocar à prova a crença de que não existem mais intocáveis no país. É um cidadão acreditando na independência de um poder, apostando ser possível a um juiz de primeira instância em plena capital federal não se curvar à influência de um Ministro do STF vingativo e sem limites.

Na resposta, Gilmar nega ter se referido a mim. Recua de forma pusilânime.

“o Reconvindo sequer faz referência ao nome do Reconvinte, sendo certo que as declarações foram direcionadas contra informações difamatórias usualmente disseminadas por setores da mídia, dentro dos quais o Reconvinte espontaneamente se inclui”.

Como se houvesse outro blog de um jornalista que trabalhou na Folha, tem uma empresa de nome Agência Dinheiro Vivo e denunciou o golpe paraguaio que pretendeu aplicar na democracia brasileira.

A avaliação do dano não depende apenas da dimensão da vítima, mas também do agressor. E quando o agressor é um Ministro do Supremo Tribunal Federal, que pratica a agressão em uma tribuna pública - o Tribunal Superior Eleitoral - em uma cerimônia transmitida para todo o país por emissoras de televisão, na verdade, ele deveria ser alvo de um processo maior, do servidor que utiliza a esfera pública para benefício pessoal.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Poeminha para Haddad

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O prefeito comunista
das ciclovias
e de outras mumunhas mais
agora inventa isso
cinema na periferia
ingressos a doizão
a paulistada reacionária
que anda a querer
enfiar o carro no cu
(pesquisem)
talvez esteja a pensar
em enfiar os shoppings 
no mesmo lugar
por não ser má ideia
ofereço minha solidariedade
e alguns tubos de gel lubrificante
(dois, no máximo)

Dicionário Apocapolítico da Lingua Portuguesa: marxismo

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Copiei do Alexandre de Oliveira Périgo

marxismo
marx.ismo 
sm (marx+ismo) 1 Relativo ou referente a Marx . 2 Ideologia satânica, mãe do comunismo (ver “comunismo”), criada pelo Cramulhão quando, no século XIX, discretamente encarnou em um senhor alemão barbudo propositadamente parecido com o inofensivo Papai Noel para desta forma não despertar suspeitas.
O marxismo apresenta-se como opção diabólica ao capitalismo de bem e consta na segunda posição do ranking dos maiores assassinos do Multiverso, com mais de 8.982.099.928.002.019.191 de mortes (e contando), posicionando-se assim à frente de assassinos famosos como o nazismo (ver “nazismo”) e a PM paulista (ver “PM”), perdendo apenas para os suicídios ocorridos entre os apreciadores do funk carioca.
O marxismo estabelece um modo de produção igualitário-totalitarista-ultra-estadista-malvadão, baseado em ações como a extinção da mais valia, a ditadura do proletariado peludo, a tomada dos aeroportos por pessoas humildes e sem berço, os rolézinhos de trombadinhas em shoppings centers dos bairros nobres das grandes metrópoles, a desapropriação de smartphones, carros de luxo e relógios de marca dos cidadãos civilizados e a invasão das casas de veraneio por exércitos de mendigos.
Seus símbolos principais são a foice e o martelo, que representam os desocupados comedores de criancinhas do MST e suas armas, usadas para atrapalhar a ordem e para agredir pessoas de bem pagadoras de impostos.
No mundo tem sido implementado em conjunto com seitas ateístas através do chamado marxismo cultural (ver “marxismo cultural”) que com cartilhas comunistas-gayzistas invade escolas públicas a disseminar princípios ateístas-subversivos de distribuição de renda e desintegração das famílias tradicionais.
Atualmente é encontrado em países como Bolívia, Brazil, Argentina, Iugoslávia, Venezuela, Cuba, China, Coreia do Norte, Irã, EUA, Polônia e União Soviética.
Seus principais líderes são Obama Bin Laden, Che “The Red Assassin” Guevara, Evo “Moro” Morales, (Julio Cesar) Chaves, Kim Jong “Psy” Il, Luiz Inacio “Demônio” da Silva e Fidel "Charutón" Castro.
O marxismo tem sido combatido secularmente por "cheerleaders" dançarinas de axé-fora-Dilma com camisetas de Ludwig von Mises e por patrióticos homens de bem através do cristianismo, de panelas e outros utensílios de cozinha, do capitalismo humanista, dos livros de grandes pensadores como Rodrigo Constantino, dos horóscopos de Olavo de Carvalho e das caminhadas organizadas por Kim Kataguiri - que recentemente prometeu abolir o marxismo cultural da Via Láctea assim que concluir o ensino médio.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Reunião de tucanos entreguistas

Um comentário:

Em primeiro plano José Serra, FHC, Aloysio Nunes e Aécio Neves, notórios tucanos entreguistas¹, crocitam sobre a entrega do pré-sal para as petroleiras gringas. Atrás deles, Gilmar Mendes e tucano desconhecido, mas igualmente jaguara².

1. Tucano entreguista é redundância redundante, por óbvio.
2. Jaguara é cão sem serventia, que só come e dorme. Jaguara sarnento é cão sem serventia que, tomado por sarna, só come e dorme. Resulta que tucano jaguara é, mais uma vez, redundância redundante. Com sarna, é claro.  
 

domingo, 23 de agosto de 2015

Análise de conjuntura

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1. O Atlético, cujo estádio se localiza na Baixada - e não por acaso - estacionou nos 30 pontos e (ainda) faz boa campanha, reconheço liminarmente.

2. Meu Glorioso Coritiba, cujo estádio se localiza no Alto da Glória - e não por acaso! - engatou 3 vitórias seguidas, e soma agora 21 pontos, mas (ainda) faz uma campanha lamentável, para dizer o mínimo, até porque está na zona do rebaixamento desde 2014.

3. Façamos as contas, meninos e meninas: 30 - 21 = 9, ou seja, meras três vitórias nos distanciam.

4. De modo que, como diz o PSTU desde 1657, é preciso unificar as lutas em curso e convocar a greve geral, atleticanos!

5. Greve Geral contra unha encravada, suflê de xuxu, sertanejo universitário, gospel gosmento e contra os padrecos de boa estampa da renovação carismática!

6. Vocês em queda, nós em ascenção ascendente, redundância necessária para deixar as coisas (muito) claras.

7. Mas há um dado novo e surpreendente na conjuntura, e não é a lavação de grana em igrejas evangélicas, que isso é coisa antiga, desde os tempos em que os sacerdotes lavavam suas coisas todas no Rio Jordão.

8. Refiro-me ao fato de Wagner Love ter feito 2 golos em um único jogo. Um já seria um espanto, mas dois é coisa que ele somente fez em 1998, na Taça Cidade de São Paulo, contra o Jacupiense, de Santa Rita do Jacu Vistoso, noroeste de Minas.

9. Encerro minha falação e vamos ao debate. Observem as regras.

Homenagem a uma brasileira radicalmente honesta

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Terezinha de Almeida Carvalho é uma brasileira simples.

Todas as quintas vem arrumar nossa casa.

Nesta última, levou roupas para lavar, devolvidas no sábado.

Sobre a pilha, que entregou quando eu não estava, deixou um moeda de R$ 1,00, achada em algum bolso.

É um gesto cheio de sinais luminosos.

E tem coxinha jaguara - e dos sarnentos! - que vomita seu ódio contra o povo brasileiro, tachando-nos de irremediavelmente desonestos. 

Vocês não valem, seus merdas, o R$ 1,00 que ela encontrou e devolveu.

Viva o povo brasileiro!

Somos todos lombrosianos

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Copiei de Empório do Direito

Luis Carlos Valois

A história conta que foi um discípulo de Lombroso quem apelidou as ideias iluministas de garantias do cidadão contra o Estado de teoria clássica para, assim, diferenciá-las da ciência que seu mestre inaugurava com muito orgulho, a antropologia criminal ou, mais genericamente, o positivismo criminológico.

Nascia a primeira teoria de defesa social da modernidade, onde o criminoso era um anormal e as garantias comuns a qualquer cidadão não se aplicariam a ele, um doente, estranho, que deveria ser afastado da sociedade até que critérios, na época cheios de pretensões científicas, indicassem que ele estava apto a retornar ao convívio social.

O tempo passou e as teses lombrosianas a respeito do tamanho do crânio ou da orelha do criminoso perderam forças e chegaram ao extremo oposto da fama que obtiveram na época (fim do século XVIII e início do século XIX), ou seja, alcançaram a pecha popular do ridículo. O adjetivo lombrosiano, quase um xingamento, é esclarecedor nesse ponto.

Outras teses surgiram embaladas pela ideia inicial de Lombroso, o correcionalismo alemão e espanhol, o penitenciarismo inglês e norte americano, e, por fim, a nova defesa social de Marc Ancel e Gramatica, baseadas sempre na concepção de cura do diferente, o criminoso.  Muitas conexões existem entre tais ideias, mas o mais relevante é o fato de que na execução da pena os direitos e garantias do cidadão nunca foram observados a contento.

Por outro lado, as ideias tidas como clássicas ganharam terreno no Direito Penal: finalismo, causalismo, garantismo penal, imputação objetiva, tipicidade conglobante etc. É inumerável a quantidade de teorias sobre o crime, para a tipificação de uma conduta, para se aplicar ou não uma pena, mas após a entrada em uma penitenciária daquele que em tese teria cometido o tal fato típico, acabou o Estado de Direito.

Impressionam a pompa do poder judiciário, as luzes do Ministério Público, e o teatro de um julgamento. Fala-se do contraditório, da ampla defesa, anula-se uma prova e convalidam-se outras tantas. O dolo eventual é diferente da culpa consciente, não podemos esquecer. O rito processual não pode ser quebrado, há que se respeitar o devido processo legal. E por aí vai, mas quando o ser humano tão protegido por tantas regras se vê preso, o que ele menos vê é o cumprimento de qualquer regra.

Aliás, a regra é a violação. Celas escuras e sem ventilação, contra a norma legal. Ausência de trabalho, devidamente previsto e exigido em lei. Carência em todas as demais assistências igualmente obrigatórias por parte do Estado, conforme estabelecido pela Lei de Execução Penal. Além de inúmeras outras violações, sem se falar das mortes, doenças, torturas e agressões originadas do meio prisional.

Em suma: toda prisão é ilegal. Contudo, continuamos fazendo de conta que não percebemos esse estado de coisas e mantemos esses cidadãos presos ilegalmente. Por quê? Porque cometeram um ilícito, são perigosos. Todas as garantias e teses que dão ares de ciência ao direito penal são esquecidas em nome dessa periculosidade que se forma com a entrada na prisão. O Estado de Direito ficou do lado de fora e, na verdade, somos todos lombrosianos.

Luís Carlos Valois é Juiz da Vara de Execuções Penais do Amazonas, mestre e doutorando em Direito Penal pela Universidade de São Paulo, membro do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, membro da Associação de Juízes para a Democracia – AJD, e membro da Law EnforcementAgainstProhibition (Associação de Agentes da Lei contra a Proibição) – LEAP.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Retrato 6x9 de um coxinha 3x4

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Aos 21 dias do mês de agosto de 2015 compareceu Anfilóphio de Allmeyda, de cor branca, que esteve na manifestação havida no último dia 16 em Curitiba (conforme foto anexada), ocasião em que vestiu uma camiseta da CBF, tendo dito que tem renda superior a quinze salários mínimos, que fez curso superior, que votou no PSDB, no senador Aécio Neves, em Beto Richa e Álvaro Dias, e em Francischini pai e Francischini filho; que, se residisse no Rio de Janeiro, votaria em Jair Bolsonaro; que, se morasse em São Paulo, votaria em Marco Feliciano e José Serra; que na manifestação contou 18 trios elétricos; que os trios elétricos vieram voluntariamente para a manifestação; que não conhecia os oradores que lideravam a manifestação; que nunca tinha visto essa turma; que é a favor do porte de arma e da redução da maioridade penal; que é contra o aborto, cotas raciais e programas como o Mais Médicos e o Bolsa Família; que é médico e cobra R$ 500,00 por consulta e que é casado com uma psiquiatra cristã, da corrente evangélica; que é católico da renovação carismática mas que, depois da santa missa, frequenta também a igreja do Apóstolo Valdomiro; que na igreja do apóstolo viu um pastor transformar um veículo Prisma 2010 em um Camaro amarelo, o que considera um milagre do espírito santo e do paraná; que é contra a ditadura de gênero e contra os gêneros todos, incluindo os alimentícios; que sabe que está sendo implantada no Brasil um ditadura gay, abortista e comunista; que Dilma não é brasileira, mas uma búlgara que obedece ordens do Foro de São Paulo; que na manifestação se perguntou porque os comunistas e os petistas não tinham mortos em 1964; que quer saber porque Dilma não foi enforcada em 1964 no DOI-CODI; que o povo é tão soberano que pode entregar tal soberania aos militares; que intervenção militar não é crime; que acredita que país sem corrupção é país onde pessoas ricas mandam, pois quem é rico não precisa roubar; que sonegar é legítima defesa e que não adianta tentarem calar e isolar o deputado Eduardo Cunha e que somos milhões de Cunhas; que fura fila e estaciona atravessado, que é contra as vagas demarcadas em estacionamentos e contra atendimento preferencial a idosos, gestantes e cadeirantes; que acha que conseguiu o que tem por seu mérito; que estudou em universidade pública; que se morasse em São Paulo seria contra as ciclovias e a redução de velocidade que o comunistão do Haddad tenta impor aos paulistanos de bem e legítimos proprietários de veículos que têm o direito de andarem na velocidade que quiserem; que apoia o projeto do José Serra que entrega o pré-sal para as petroleiras estrangeiras; que defende o fim do PT e a prisão sumária dos petralhas; que acredita que o filho do Lula é dono da Friboi, da Fripeixe e da Friqualquercoisa; que é assinante de Caras, da Veja e dos jornais o Globo, Folha, do Estadão e da Gazeta do Povo, ou de qualquer revista ou jornal que bata no PT e nas forças de esquerda; que considera o Sergio Moro um redentor que redimirá o Brasil, do mesmo modo que Joaquim Barbosa; que considera um absurdo pagar férias, horas extras e outros direitos para a empregada que é quase membro da família; que lê, acredita e compartilha os colunistas da Veja, da Globo e do Revoltados On Line; que presta este depoimento livremente, esclarecendo que com nota fiscal é um preço, sem nota fiscal é preço menor porque sonegar é ato de legítima defesa. Nada mais. O delegado Dr. Baulo Boberto Bequinel mandou que eu, Naulo Noberto Nequinel, escrivão de seu cargo, tomasse a termo esta montanha de merda e perguntasse ao jaguara facista como anda sua mãe, notória puta ianque e golpista que o cagou no mundo.