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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Lula, 18/01/2017: a sombra do estado de exceção se ergue sobre nós

Copiei do FB de Denise Rohloff

Do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, hoje, na Folha:

Em mais de 40 anos de atuação pública, minha vida pessoal foi permanentemente vasculhada -pelos órgãos de segurança, pelos adversários políticos, pela imprensa. Por lutar pela liberdade de organização dos trabalhadores, cheguei a ser preso, condenado como subversivo pela infame Lei de Segurança Nacional da ditadura. Mas jamais encontraram um ato desonesto de minha parte.
Sei o que fiz antes, durante e depois de ter sido presidente. Nunca fiz nada ilegal, nada que pudesse manchar a minha história. Governei o Brasil com seriedade e dedicação, porque sabia que um trabalhador não podia falhar na Presidência. As falsas acusações que me lançaram não visavam exatamente a minha pessoa, mas o projeto político que sempre representei: de um Brasil mais justo, com oportunidades para todos.
Às vésperas de completar 71 anos, vejo meu nome no centro de uma verdadeira caçada judicial. Devassaram minhas contas pessoais, as de minha esposa e de meus filhos; grampearam meus telefonemas e divulgaram o conteúdo; invadiram minha casa e conduziram-me à força para depor, sem motivo razoável e sem base legal. Estão à procura de um crime, para me acusar, mas não encontraram e nem vão encontrar.
Desde que essa caçada começou, na campanha presidencial de 2014, percorro os caminhos da Justiça sem abrir mão de minha agenda. Continuo viajando pelo país, ao encontro dos sindicatos, dos movimentos sociais, dos partidos, para debater e defender o projeto de transformação do Brasil. Não parei para me lamentar e nem desisti da luta por igualdade e justiça social.
Nestes encontros renovo minha fé no povo brasileiro e no futuro do país. Constato que está viva na memória de nossa gente cada conquista alcançada nos governos do PT: o Bolsa Família, o Luz Para Todos, o Minha Casa, Minha Vida, o novo Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), o Programa de Aquisição de Alimentos, a valorização dos salários -em conjunto, proporcionaram a maior ascensão social de todos os tempos.
Nossa gente não esquecerá dos milhões de jovens pobres e negros que tiveram acesso ao ensino superior. Vai resistir aos retrocessos porque o Brasil quer mais, e não menos direitos.
Não posso me calar, porém, diante dos abusos cometidos por agentes do Estado que usam a lei como instrumento de perseguição política. Basta observar a reta final das eleições municipais para constatar a caçada ao PT: a aceitação de uma denúncia contra mim, cinco dias depois de apresentada, e a prisão de dois ex-ministros de meu governo foram episódios espetaculosos que certamente interferiram no resultado do pleito.
Jamais pratiquei, autorizei ou me beneficiei de atos ilícitos na Petrobras ou em qualquer outro setor do governo. Desde a campanha eleitoral de 2014, trabalha-se a narrativa de ser o PT não mais partido, mas uma “organização criminosa”, e eu o chefe dessa organização. Essa ideia foi martelada sem descanso por manchetes, capas de revista, rádio e televisão. Precisa ser provada à força, já que “não há fatos, mas convicções”.
Não descarto que meus acusadores acreditem nessa tese maliciosa, talvez julgando os demais por seu próprio código moral. Mas salta aos olhos até mesmo a desproporção entre os bilionários desvios investigados e o que apontam como suposto butim do “chefe”, evidenciando a falácia do enredo.
Percebo, também, uma perigosa ignorância de agentes da lei quanto ao funcionamento do governo e das instituições. Cheguei a essa conclusão nos depoimentos que prestei a delegados e promotores que não sabiam como funciona um governo de coalizão, como tramita uma medida provisória, como se procede numa licitação, como se dá a análise e aprovação, colegiada e técnica, de financiamentos em um banco público, como o BNDES.
De resto, nesses depoimentos, nada se perguntou de objetivo sobre as hipóteses da acusação. Tenho mesmo a impressão de que não passaram de ritos burocráticos vazios, para cumprir etapas e atender às formalidades do processo. Definitivamente, não serviram ao exercício concreto do direito de defesa.
Passados dois anos de operações, sempre vazadas com estardalhaço, não conseguiram encontrar nada capaz de vincular meu nome aos desvios investigados. Nenhum centavo não declarado em minhas contas, nenhuma empresa de fachada, nenhuma conta secreta.
Há 20 anos moro no mesmo apartamento em São Bernardo. Entre as dezenas de réus delatores, nenhum disse que tratou de algo ilegal ou desonesto comigo, a despeito da insistência dos agentes públicos para que o façam, até mesmo como condição para obter benefícios.
A leviandade, a desproporção e a falta de base legal das denúncias surpreendem e causam indignação, bem como a sofreguidão com que são processadas em juízo. Não mais se importam com fatos, provas, normas do processo. Denunciam e processam por mera convicção -é grave que as instâncias superiores e os órgãos de controle funcional não tomem providências contra os abusos.
Acusam-me, por exemplo, de ter ganho ilicitamente um apartamento que nunca me pertenceu -e não pertenceu pela simples razão de que não quis comprá-lo quando me foi oferecida a oportunidade, nem mesmo depois das reformas que, obviamente, seriam acrescentadas ao preço. Como é impossível demonstrar que a propriedade seria minha, pois nunca foi, acusam-me então de ocultá-la, num enredo surreal.
Acusam-me de corrupção por ter proferido palestras para empresas investigadas na Operação Lava Jato. Como posso ser acusado de corrupção, se não sou mais agente público desde 2011, quando comecei a dar palestras? E que relação pode haver entre os desvios da Petrobras e as apresentações, todas documentadas, que fiz para 42 empresas e organizações de diversos setores, não apenas as cinco investigadas, cobrando preço fixo e recolhendo impostos?
Meus acusadores sabem que não roubei, não fui corrompido nem tentei obstruir a Justiça, mas não podem admitir. Não podem recuar depois do massacre que promoveram na mídia. Tornaram-se prisioneiros das mentiras que criaram, na maioria das vezes a partir de reportagens facciosas e mal apuradas. Estão condenados a condenar e devem avaliar que, se não me prenderem, serão eles os desmoralizados perante a opinião pública.
Tento compreender esta caçada como parte da disputa política, muito embora seja um método repugnante de luta. Não é o Lula que pretendem condenar: é o projeto político que represento junto com milhões de brasileiros. Na tentativa de destruir uma corrente de pensamento, estão destruindo os fundamentos da democracia no Brasil.
É necessário frisar que nós, do PT, sempre apoiamos a investigação, o julgamento e a punição de quem desvia dinheiro do povo. Não é uma afirmação retórica: nós combatemos a corrupção na prática.
Ninguém atuou tanto para criar mecanismos de transparência e controle de verbas públicas, para fortalecer a Polícia Federal, a Receita e o Ministério Público, para aprovar no Congresso leis mais eficazes contra a corrupção e o crime organizado. Isso é reconhecido até mesmo pelos procuradores que nos acusam.
Tenho a consciência tranquila e o reconhecimento do povo. Confio que cedo ou tarde a Justiça e a verdade prevalecerão, nem que seja nos livros de história. O que me preocupa, e a todos os democratas, são as contínuas violações ao Estado de Direito. É a sombra do estado de exceção que vem se erguendo sobre o país.

Beto Richa segue desmontando a educação

Copiei do FB de Sebastião Donizete Santarosa

As medidas apresentadas por Beto Richa contra os professores do Paraná são muito graves. É importante entendê-las com clareza:

1. Beto Richa estará desempregando SETE MIL professores. Muitos jovens que investiram boa parte da vida em sua formação acabarão tendo que procurar outras atividades. Isso em um tempo de profunda recessão e de enorme carência de profissionais da educação;

2. Beto Richa reduzirá a quantidade de horas-atividades e elevará a quantidade de horas em sala de aula, provocando ainda mais desgastes nos professores, aumentando o cansaço e os níveis de stress. As salas de aulas, em razão da falta de uma proposta pedagógica clara e de infraestrutura adequada oferecida pelo próprio governo, são ambientes mórbidos, intoleráveis, exigindo muito esforço individual do professor para obter preparo técnico e emocional. Com a redução de horas-atividade, teremos mais professores doentes e afastados da sala de aula, com prejuízos óbvios;

3. Beto Richa impedirá que professores que se afastaram do trabalho no último ano, inclusive por motivo de saúde comprovado, assumam aulas extraordinárias ou como PSS. Isso é um desrespeito aos direitos humanos inaceitável, totalmente incompatível com qualquer proposta educacional. O professor que for vítima dessa medida, na verdade, estará sendo punido por ter exercido o direito de se ausentar da sala de aula para tratar da saúde. Ora, a consequência disso é que os professores, no futuro próximo, não irão mais procurar ajuda médica quando for necessário, submetendo-se mesmo doentes à rotina escolar, pois terão medo de perder seus postos de trabalho. Como pode haver educação de qualidade com professores doentes ou impedidos de se tratar? Algum pai, em sã consciência, quer ver seu filho sendo educado por alguém que esteja doente? Essa medida constrangedora é de profunda insensibilidade, caracteriza, no mínimo, assédio moral;

4. Em síntese: Beto Richa reduz o salário dos professores não pagando a data-base; Beto Richa reduz a hora-atividade aumentando a jornada diária do professor; Beto Richa ameaça punir o professor que ficar doente; Beto Richa coloca no olho da rua milhares de jovens professores. Se em nossas escolas já existem inúmeros problemas e, muitas vezes, é preciso ter a força de Hércules para entrar em uma sala de aula, quem irá querer ser professor nessas condições? Qual professor entrará animado em sala de aula no início deste ano letivo? Observem que esse descaso com os professores, essa verdadeira agressão moral, FARÁ COMO PRINCIPAL VÍTIMA, obviamente, NOSSAS CRIANÇAS E NOSSOS JOVENS;

5. É importante que o povo paranaense abra os olhos com urgência e perceba o que é o governo Beto Richa, esse mesmo que se vangloria de estar com as contas em dia, esse mesmo que surrupiou oito bilhões da previdência dos servidores, esse mesmo que aumentou em 40% o IPVA, que aumentou o ICMS, as tarifas de água e de luz, e, que, ainda, é citado em muitas ações de corrupção no Estado, mas não é investigado por manter controle político sobre o judiciário e o legislativo;

6. Não é possível o conformismo e o silenciamento. Vamos à luta em defesa da escola pública, pais, estudantes e educadores.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

There is a lot of bread with mortadella: The Guardian publica carta de intelectuais e políticos britânicos em apoio a Lula

Com informações do Jornal GGN

O jornal The Guardian publicou na sessão de "cartas" um manifesto em solidariedade ao ex-presidente Lula. A carta é assinada por intelectuais e políticos do Reino Unido e aponta que o motivo para a caçada a Lula é sua popularidade e condições de ser eleito presidente da República novamente, em 2018.

O jornal foi comprado pelo PT em 1821, como já denunciou deltan dallagnol nos púlpitos ungidos e, é claro, em impagável power-point, há 196 anos, portanto, quando "o panfletão vermelho" foi fundado em Manchester, Inglaterra.

É certo que John Edward Taylor, tido como fundador, em verdade chamava-se João Eduardo Alfaiate, e foi enviado para a terra dos Beatles por ordens de Lula e de Zé Dirceu, com o solerte objetivo de solapar a monarquia inglesa, acabando com a famosa torta de rins de carneiro, o chá das cinco e a abominável mão inglesa, e implantando por lá um regime bolivariano com aquelas ridículas perucas loiras usadas nos tribunais.

Já sergio moro, o redentor, declarou que "em sumária cognição vê-se que não há uma única prova da propriedade, pelo odioso PT, do pasquim xexelento avermelhado, o que resulta, mutatis mutandi, em comprovação solar do fato criminoso, vez que o PT, por óbvio nega ser proprietário, o que era de esperar."
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Em solidariedade ao Lula do Brasil

Após o impeachment antidemocrático de Dilma Rousseff do cargo de Presidente do Brasil (Reportagem, 24 de dezembro), por meio de um processo ilegítimo no qual 62 senadores revogaram o voto de 54 milhões de eleitores, existe uma campanha de difamação sem precedentes contra o ex-presidente Lula. Esse "julgamento midiático" é uma tentativa de evitar que Lula participe do processo eleitoral. Sendo uma figura altamente popular por consequência das reformas que tiraram milhões da pobreza, Lula é considerado um possível candidato à presidência nas eleições de 2018. Ao investigar Lula, os promotores não foram capazes de detectar qualquer atividade ilegal. Apesar disso, eles o submeteram a inúmeras restrições e detenções arbitrárias, que levaram à abertura de uma investigação na ONU devido ao receio de que seus direitos tenham sido violados. Nós, signatários, nos opomos a essa campanha orquestrada contra Lula e nos solidarizamos com aqueles que lutam pela democracia e pelo progresso social no Brasil.

Chris Williamson - Labour Friends of Progressive Latin America e ex- Membro do Parlamento Britânico
Roger Godsiff - Membro do Parlamento Britânico
Grahame Morris - Membro do Parlamento Britânico
Elaine Smith - Membro do Parlamento Escocês
Neil Findley - Membro do Parlamento Escocês
Baronesa Jean Corston
Lorde Martin O’Neill
Lorde David Lea
Len McCluskey - Secretário-Geral, Unite the Union
Tim Roache - Secretário-Geral, British Trade Union (GMB)
Kevin Courtney - Secretário-Geral, National Union of Teachers (NUT)
Manuel Cortes - Secretário-Geral, Transport Salaried Staffs’ Association (TSSA)
Mick Whelan - Secretário-Geral, Associated Society of Locomotive Engineers and Firemen (Aslef)
Ronnie Draper - Secretário-Geral, Bakers Food & Allied Workers Union (BFAWU)
Roger McKenzie - Secretário-Geral Assistente, (Unison)
Owen Tudor - Chefe de Departamento da União Europeia e de Relações Internacionais,Trades Union Congress (TUC)
John Hendy - Advogado Conselheiro da Rainha, Old Square Chambers
Ann Pettifor - Economista
Dr. Julia Buxton - Faculdade de Políticas Públicas, Universidade Centro-Europeia
Dr. Francisco Dominguez - Chefe do Departamento de Estudos Latino-Americanos, Universidade de Middlesex
Salma Yaqoob - Ativista
Matt Willgress - Editor, No Coup in Brazil (Não ao Golpe no Brasil)
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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Perdemos a porra do "timing", porra!

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Imagem copiada de Atomic Samba
O delegado Moscardi Grillo, da PF da República Jaguara de Curitiba, comunica-se com suas ECL, Equipes de Caça ao Lula.

- Localizaram o Alvo? Câmbio!
- Qual, senhor? Câmbio!
- O Lula, porra! Câmbio!
- Senhor, passou um polvo enorme por aqui!
- Cadê a porra do "câmbio" no final, porra! Câmbio!
- Senhor, minha guarnição quer saber das provas contra Lula. Câmbio!
- Que porra de provas, tudo é convicção de powerpoint, porra! Câmbio!
- Mas senhor, 'tá pegando mal, tem até uns coxinhas meus amigos que estão percebendo a tramóia toda. Câmbio!
- Eu já expliquei que há um ano nós tinhamos vídeos, gravações, documentos, laudos, receitas homeopáticas e esotéricas, receitas da ana maria braga e da fátima, um monte de provas que provavam que Lula era o chefe do maior esquema de corrupção do universo. Câmbio!
- Senhor, do Universo? Nem o bosta do Merval concorda. Câmbio?
- Câmbio não pergunta, porra, câmbio afirma e exclama, PORRA!
- Mas e as tais provas, Senhor? Câmbio!
- Sumiram, escafederam-se, estamos no mato sem cachorro! Câmbio!
- Senhor, estou fazendo um curso de inglês online e I believe que posso explicar that shit, sir. Câmbio!
- Câmbio!
- Perdemos a porra do "timing", senhor. We've lost the fucking timing, sir! Câmbio!
- Fuck! Lindaura, liga pra Veja e marca uma porra de entrevista!

domingo, 15 de janeiro de 2017

POEMA DAS CABEÇAS SEM NOME

Mais cabeças foram decepadas
No presídio de não sei onde
Separadas de corpos cujos nomes desconheço
Mais cabeças foram decepadas
De corpos mortos muito tempo antes
Porque invisíveis
Não quero saber dessas cabeças decepadas
Não quero que encontrem o corpo de onde vieram
Quero morte e sangue
Não quero que saibam da mãe pai irmão filho neto
Não quero que a cabeça decepada pense
Não quero que o corpo apartado seja humano
Quero a cabeça e o corpo no lixo
No lixo da minha cabeça e do meu corpo

Ah, o cu dos outros...

UM BURRO CHAMADO CU.

Um padre tinha um burro chamado Cu, e com ele participou de uma corrida de burros e ganhou.
O jornal da cidade, O Ornitorrinco News, ateísta e comunista, publicou a seguinte manchete:
CU DO PADRE VENCE E FICA A FRENTE

O bispo, ao ler a notícia, fica indignado e manda que o Padre abandone as corridas.
O jornal Ornitorrinco Times, evangélico da linha búlgara, publica:
BISPO FREIA O CU DO PADRE

Isso levou o bispo a loucura, e ele ordena que o padre de um fim ao burro, e ele o dá de presente para uma freira.
O jornal Estado do Capão Raso, de linha conservadora e ligado à renovação carismática, noticia ao outro dia:
FREIRA É AGORA A DONA DO MELHOR CU DA CIDADE

O bispo não acredita no que vê e pede para a freira se desfazer do burro. Ela o vende por 10 reais e, no outro dia sai nas manchetes do Opinião do Ornitorrinco, jornal de colunistas pistoleiros:
FREIRA VENDE O CU APENAS POR 10 REAIS

Isso foi demasiado para o bispo, que manda que a freira compre de novo o burro e que o solte no campo, e o jornal Folha do Ornitorrinco, de linha homeopática-sexual-golpista, publica:
FREIRA ANUNCIA QUE SEU CU É AGORA LIVRE E SELVAGEM

O bispo e enterrado no dia seguinte.

MORAL DA HISTORIA
Preocupar-se com a opinião dos outros causa muita dor de cabeça e pode encurtar sua existência, de modo que pare de se preocupar com o Cu dos outros e desfrute da vida.

(copiei do FB de Luis Beto Olivera)

Real e Pio pronunciamentor do Presidente das Organizações Ornitorrinco


THE FUCKING ORNITORRINCO CORPORATION

REAL GABINETE PRESIDENCIAL

SEÇÃO DE TEXTOS DE ESCÁRNO E MALDIZER
NOTA OFICIAL

Nosso Beloved & Forever President, Baulo Voberto Zequinel, o Sacripanta, incumbiu-me de transmitir a seguinte mensagem, dirigida aos nossos fãs, seguidores, desafetos, credores e, muito especialmente, para a tropa de linchadores anônimos que infestam o blog do tutuca, da progressista cidade de Antonina do Deus Nos Acuda:

"1. Timing: verbo gourmet, de status federal, importado de Miami que significa, em apertada síntese, "delenda Lula!", muito usado por delegados da PF, procuradores do MPF e pelo sergio moro, juizeco parcial da república de curitiba. Significa, ainda, "provas não temos e jamais teremos, o importante é que nosso power-point apareça no jornal nacional" ou, "fodam-se evidências e provas, o importante é que minha entrevista seja publicada no PIG."

2. Cognição sumária: expressão muito usada por sergio moro, o jaguara togado. Significa algo como "o deltan não produziu sequer um indício rastaquera mas eu, o supremo julgador, vejo ali que Lula é culpado até que ele consiga provar sua inocência."

3. Delegados da PF, procuradores da lava jato e sergio moro, notório atiçador de milícias fascistas, enfim, todos os que perderam o "timing" para prender Lula, devem assim proceder: depois de untar o dedão na gosma das suas "convicções" atucanadas e, phodões feito o delegado/deputadão francischini, inventor do camburão cagado, que introduzam a falange grandona no rabão federal e, de inopino, em "timing" perfeito, realizem vigoroso movimento com o patriótico objetivo de rasgar seus federais cuzões sujos e golpistas.

4. Antes que me notifiquem por "desacato federal" - coisa muito grave! - esclareço que recebi os textos acima em sessão de transe e descarrego do meu primo Xaulo Voberto Tequinel, que se denomina Desencarnado Carteiro Celestial Estagiário, e do qual mantenho prudente distanciamento, até mesmo por conta do meu ateísmo municipal.

5. Publique-se. Intime-se. Prenda-se. Cumpra-se, sem um único pio."

Curitiba do Bosta do Greca, 15/01/2017.

Faulo Joberto Requinel
Chefe do Real Gabinete Presidencial
Porta Voz Oficial
Porta Trecos Estagiário

sábado, 14 de janeiro de 2017

Delegado Federal Mauricio Moscardi Grillo, vocês não perderam "timing" porra nenhuma. O que jamais tiveram foi uma mísera prova, seus merdas!

Certos delegados da PF, os que perderam o "timing" para prender Lula, depois de untar o dedão na gosma das suas convicções atucanadas e, phodões feito o delegado/deputadão francischini, inventor do camburão cagado, deveriam introduzir a falange grandona no rabão federal e, de inopino, em "timing" perfeito, produziriam vigoroso movimento com o objetivo de rasgar seus federais cuzões sujos e golpistas. 

Bem, antes que me notifiquem por "desacato federal" - coisa muito grave! - esclareço que recebi o texto acima em sessão de transe e descarrego do meu primo Xaulo Voberto Tequinel, que se denomina Desencarnado Carteiro Celestial Estagiário, e do qual mantenho prudente distanciamento, até mesmo por conta do meu ateísmo municipal.  
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Copiei dos Amigos do Presidente Lula
(O título acima é de minha integral responsabilidade)
NOTA

Sobre a entrevista concedida pelo Delegado Federal Mauricio Moscardi Grillo, coordenador da Lava Jato na Polícia Federal, à revista Veja ("Da prisão do Lula", 14/01/2017), fazemos os seguintes registros, na condição de advogados do ex-Presidente Luiz Inacio Lula da Silva:

1- A divulgação pela imprensa de fatos ocorridos na repartição configura transgressão disciplinar segundo a lei que disciplina o regime jurídico dos policiais da União (Lei no. 4.878/65, art. 43, II) e, afora isso, a forma como o Delegado Federal Mauricio Moscardi Grillo se dirige ao ex-Presidente Lula é incompatível com o Código de Ética aprovado pela Polícia Federal (Resolução nº 004-SCP/DPF, de 26/03/2015, art. 6º, II) e com a proteção à honra, à imagem e à reputação dos cidadãos em geral assegurada pela Constituição Federal e pela legislação infra-constitucional e, por isso, será objeto das providências jurídicas adequadas.

2- Por outro lado, a entrevista é luminosa ao reconhecer que a Lava Jato trabalha com "timing" ou sentido de oportunidade em relação a Lula, evidenciando a natureza eminentemente política da operação no que diz respeito ao ex-Presidente.
É o "lawfare", como uso da lei e dos procedimentos jurídicos para fins de perseguição política, exposto reiteradamente pela defesa de Lula, agora afirmado, de modo indireto, pelo próprio coordenador da Lava Jato na Policia Federal.

3– Se Lula tivesse praticado um crime, a Polícia Federal, depois de submetê-lo a uma devassa sem precedentes, teria provas concretas e robustas para demonstrar o ilícito e para sustentar as consequências jurídicas decorrentes.
Os mesmos áudios e elementos que a Lava Jato dispunha em março de 2016 estão disponíveis na data de hoje e não revelam nenhum crime. Mas a Lava Jato, segundo o próprio Delegado Federal Mauricio Moscardi Grillo trabalha com "timing" ou sentido de oportunidade em relação a Lula.

4- A interceptação da conversa entre os ex-Presidentes Lula e Dilma no dia 16/03/2016 pela Operação Lava Jato foi julgada inconstitucional e ilegal pelo Supremo Tribunal Federal. O Delegado Federal Mauricio Moscardi Grillo e a Lava Jato afrontam a Suprema Corte e revelam desprezo pelo Estado Democrático de Direito ao fazer afirmações sobre esse material sem esse registro. Ademais, é preciso, isto sim, que o Delegado Federal coordenador da Lava Jato esclareça o motivo da realização da gravação dessa conversa telefônica após haver determinação judicial para a paralisação das interceptações e, ainda, a tecnologia utilizada que permitiu a divulgação do conteúdo desse material menos de duas horas após a captação, tendo em vista notícias de colaboração informal – e, portanto, ilegal - de agentes de outros países no Brasil. A divulgação dessa conversa telefônica em menos de duas horas após a sua captação, além de afrontar a lei (Lei nº 9.296/96, art. 8º c.c. art. 10), está fora dos padrões técnicos brasileiros verificados em situações similares.

5- A condução coercitiva de Lula para prestar depoimento no Aeroporto de Congonhas foi ato de abuso de autoridade (Lei nº 4.898/65, art. 3º, "a") porque promoveu um atentado contra a liberdade de locomoção do ex-Presidente fora das hipóteses autorizadas em lei. Por isso mesmo, fizemos uma representação à Procuradoria Geral da República para as providencias cabíveis e, diante da inércia, documentada em ata notarial, promovemos queixa-crime subsidiária, que está em trâmite perante o Tribunal Regional Federal da 4ª Região. O tema também é objeto do Comunicado que fizemos em julho ao Comitê de Direitos Humanos da ONU. Portanto, o Delegado Federal Mauricio Moscardi Grillo deveria repensar não só o local da condução coercitiva de Lula, mas, sobretudo, a inconstitucionalidade e a ilegalidade do ato. Merece registro, adicionalmente, que o local do Aeroporto de Congonhas para onde Lula foi levado tem paredes de vidro e segurança precária, tendo colocado em risco a integridade física do ex-Presidente, de seus colaboradores, advogados e até mesmo dos agentes públicos que participaram do ato, sendo injustificável sob qualquer perspectiva.

6- Ao classificar as ações e providencias da defesa de Lula como atos para "tumultuar a Lava Jato" o Delegado Federal Mauricio Moscardi Grillo e a Lava Jato mostram, de um lado, desprezo pelo direito de defesa e, de outro lado, colocam-se acima da lei, como se estivessem insusceptíveis de responder pelos abusos e ilegalidades que estão sendo praticadas no curso da operação em relação ao ex-Presidente. Deve ser objeto de apuração, ademais, se pessoas que praticaram atos estranhos às suas funções públicas ou com abuso de autoridade estão sendo assistidas por "advogados da União" – pagos pela sociedade - como revela o Mauricio Moscardi Grillo em sua entrevista.

Vôo da Liberdade: 45 anos hoje

Copiei do FB de Aluizio Ferreira Palmar

Ao completar hoje, 45 anos do Vôo da Liberdade, faço minha homenagem aos companheiros que arriscaram suas vidas para nos libertar dos centros de tortura da ditadura militar.
Minha eterna gratidão aos companheiros, Carlos Lamarca, Inês Etiienne,Ivan Motta Lima e Herbert Daniel (in memorian). Alex Polari, Tereza Ângelo, Zenaide Machado, Gerson Teodoro, Adair Gonçalves, José Carlos Mendes e Alfredo Sirkis e tantos outros heróis anônimos que deram cobertura à ação libertadora.

LEGENDA DA FOTO: Grupo dos setenta presos políticos resgatados dos centros de tortura. Na fileira dos agachados eu sou o sexto da esquerda para a direita (a menina que está me olhando é uma das filhas de Bruno e Geni Piolla.

Por ocasião dos 40 anos do Vôo da Liberdade, meu velho amigo Umberto Trigueiros Lima escreveu esse texto antológico.

"Fazia um calor insuportável no Rio, naqueles dias de janeiro de 1971, 40º à sombra. Lembro que no dia 13, fomos levados para a Base Aérea do Galeão, espremidos em 2 ou 3 camburões pequenos, desde o quartel do Batalhão de Guardas, no bairro de São Cristóvão, onde estávamos recolhidos aguardando o desenlace das negociações do sequestro. Éramos: eu (Umberto), Antonio Rogério, Aluízio Palmar, Pedro Alves, Marcão, Ubiratan Vatutin, Irani Costa, Afonso, Afonso Celso Lana, Bretas, Julinho, Mara, Carmela, Dora e Conceição. Fazia sol a pino e os caras pararam os camburões em algum pátio descampado da Base e deixaram a gente lá torrando dentro daqueles verdadeiros fornos e de puro sadismo e sacanagem riam e gritavam uns para os outros "olha aí cara, os rapazes estão com calor, você esqueceu de ligar o ar, eles vão ficar suadinhos." Um outro dizia "deixa esses filhos da puta esturricarem aí dentro, pode ser que algum deles vá logo para o inferno." A viagem ao inferno não era possível, pois já estávamos nele, ou seja nos cárceres da ditadura, há algum tempo. A temperatura dentro dos carros era altíssima, mal conseguíamos respirar pelas poucas frestas de ventilação, os miolos pareciam que iam estourar. Foi um horror!
Ficamos na Base durante todo o dia 13, onde já estavam muitos outros companheiros vindos de outras prisões e de outros estados e lá nos mantiveram o tempo todo algemados em duplas. Nos deram comida podre, tiraram mais impressões digitais, nos obrigaram a tirar fotos nus em diferentes posições. Alguns deles diziam que era para o futuro reconhecimento dos cadáveres. Perto da meia noite nos levaram para o embarque, nos agruparam do lado do avião, frente a um batalhão de fotógrafos postados há uns 50 metros de distância, atrás de uma corda. Éramos 70, mais as filhas do Bruno e da Geny Piola, as menininhas Tatiana, Kátia e Bruna. Os flashes espocavam e muitos de nós levantamos os punhos, outros fizeram o V da vitória, enquanto os caras da aeronáutica por trás davam socos nas costas de alguns companheiros. Nosso voo da liberdade para o Chile decolou aos 2 minutos de 14 de janeiro. Durante o voo, íamos algemados e os policiais da escolta nos provocavam "Olha aí malandro, se voltar vai virar presunto, nome de rua." A tripulação da Varig, mesmo discreta, foi simpática e afável conosco e quando chegamos a Santiago um comissário de bordo veio correndo me contar que havia uma faixa na sacada do aeroporto que dizia "Marighella Presente".
Foram 2 longos dias, cheios de tensão, de expectativa, de esperança, todos os sentidos em atenção. Talvez, alguns dos mais longos dias das nossas vidas. Tenho a certeza de que nenhum de nós jamais se esquecerá daqueles momentos. Nas últimas horas da madrugada do dia 14 chegamos ao Chile. Depois de 38 dias de negociações muito difíceis, de risco extremo, mas com muita firmeza e equilíbrio por parte do Comandante Carlos Lamarca e dos companheiros da VPR que realizaram a operação de captura do embaixador suíço, aquela que seria a última grande ação armada da guerrilha urbana brasileira terminava vitoriosa. Começava um novo tempo nas nossas vidas.
Fomos descendo do avião, já sem algemas (os policiais brasileiros da escolta foram impedidos de desembarcar), nos abraçando emocionados, rindo, chorando, cantando a Internacional, acenando para os companheiros brasileiros e chilenos que faziam uma carinhosa manifestação para nos recepcionar.
Um general de Carabineros nos reuniu no saguão do aeroporto e fez uma preleção sobre tudo que estávamos proibidos de fazer no país. Logo em seguida, funcionários do governo da UP e companheiros dos vários partidos da coalizão nos disseram ali mesmo para não levar a sério nada do discurso do tal general. Era o Chile de Salvador Allende que íamos viver e conhecer tão intensamente.
Amanhecia o dia 14 de janeiro de 1971 quando saímos do aeroporto de Pudahuel em ônibus, escoltados por Carabineros. Amanhecia também aquele novo tempo das nossas vidas e amanhecia o Chile da Unidade Popular, da imensa liberdade, das grandes mobilizações populares, da luta de classes ao vivo e a cores saltando diante dos nossos olhos todos os dias. Pelas ruas de Santiago, a caminho do Parque Cousiño onde ficaríamos alojados, os operários que trabalhavam nas obras do Metrô acenavam para a gente, outros aplaudiam, alguns levantavam os punhos cerrados. Imagens que ficariam para sempre na memória, fotografias de um tempo.
Aquele dia parecia infindo, ninguém conseguia pregar um olho, foi um dia enorme, cheio de encontros, de descobertas, de luz. Estávamos bêbados de liberdade e ao mesmo tempo ainda marcados pela sombra da prisão, pelas tristes notícias de mais companheiros covardemente assassinados pelos cães da ditadura. Na nossa primeira refeição no Hogar Pedro Aguirre Cerda a maioria deixou os garfos e facas sobre a mesa e comeu de colher, como fazíamos na prisão. Quando íamos para os quartos de alojamento, alguns cometiam o ato falho de dizer "vou para a cela?" Na nossa primeira saída, um grupo se perdeu na cidade e voltou para o Hogar de carona num camburão dos Carabineros, motivo de gozação geral. Lembro da imensa solidariedade e carinho com que fomos recebidos pelos companheiros chilenos e também por estudantes, intelectuais, artistas, operários, pessoas do povo enfim que iam nos visitar, que fizeram coletas para nos arranjar algum dinheiro e roupas, que nos queriam levar para suas casas.
Nas semanas e meses seguintes, pouco a pouco fomos nos dispersando, construindo nossas opções de militância, de vida.
Viveríamos intensamente aquele processo chileno e também nossos vínculos com a luta no Brasil. Nos encharcaríamos com o aprendizado daquela magistral aula de história e de política "em carne viva". Paixões, alegrias, nostalgias, saudade, amores, amizade, solidariedade, companheirismo, tudo junto, ao mesmo tempo.
Muitos de nós estivemos no Chile até o fim, vivendo e testemunhando os horrores do golpe de 11 de setembro de 1973. Em muitos casos, mais uma vez, escapando por pouco, por muito pouco.
Outros companheiros, por diferentes razões de militância e pessoais foram viver em outros países. Alguns trataram de organizar suas voltas clandestinas ao Brasil, na esperança de continuar a luta armada. Uns poucos conseguiram manter-se, mas infelizmente, nessa empreitada de luta, vários companheiros foram assassinados. Honro as suas memórias e me orgulho de termos compartido aqueles momentos tão significativos das nossas vidas.
Foi o tempo que nos tocou viver. Era um tempo de guerra, mas também de uma enorme esperança.
Na passagem dos 40 anos da nossa libertação, acho que deveríamos dedicar a memória desse encontro fraterno, em primeiro lugar aos companheiros do nosso grupo chacinados pelas ditaduras brasileira e chilena, como também aqueles que marcados por sequelas e feridas psicológicas insuportáveis não conseguiram continuar suas vidas : Daniel José de Carvalho, Edmur Péricles Camargo, João Batista Rita, Joel José de Carvalho, Wânio José de Matos, Tito de Alencar Lima, Maria Auxiliadora Lara Barcelos, Gustavo Buarque Schiller. Em segundo lugar, com saudade, a todos os companheiros daquela viagem para a liberdade de 14 de janeiro de 1971, que já nos deixaram. Com eterna gratidão e reconhecimento ao Comandante Carlos Lamarca e aos combatentes da VPR que realizaram aquela ação revolucionária audaz e vitoriosa. E também a todos os brasileiros da nossa geração (e aqui não falo em idade, que pode ter ido dos 12 aos 80) que não se acovardaram, que foram capazes de enfrentar aqueles duros e difíceis tempos, quando dizer não poderia significar a morte, quando falar em árvores era quase um crime.
Enfim, a todos os que OUSARAM LUTAR!"

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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

A mulher é culpada, ou a criação do mundo segundo os meakambuts

Este é o relato da criação do mundo segundo os costumes e crenças da tribo nômade dos meakambuts, que vive em remotas cavernas nas florestas de Papua-Nova Guiné.

"No princípio, Api, o espírito da Terra, veio a caverna Kopao e encontrou rios cheios de peixes, o mato repleto de porcos e muitos salgueiros, mas não havia pessoas.
Api pensou: esse seria um bom local para as pessoas, e abriu uma passagem estreita no topo de Kopao.
As primeiras pessoas a sair foram os awins, depois vieram os imboins e outros grupos e finalmente os meakambuts, e estavam todos nus, e se espremeram pela passagem, ofuscados pela luz.
Havia ainda outras pessoas lá dentro, mas depois de os meakambuts saírem, Api fechou a fenda, e os outros permaneceram lá dentro, mergulhados em completa escuridão.
Os awins, os imboins e meakambuts se espalharam pelas montanhas e viveram em abrigos nas rochas. Fizeram machados de pedra, arcos e flechas, e a caça foi boa.
Não havia ódio, nem matanças, nem doenças, e a vida era bela e tranquila, e todo mundo tinha o estômago cheio.
Naqueles tempos, homens e mulheres viviam em abrigos separados e, à noite, os homens iam a uma caverna especial para cantar.
Mas numa noite um deles fingiu que estava doente e não foi, e quando viu os outros cantando se esgueirou até a caverna das mulheres e fez sexo com uma delas.
Ao voltar, os homens sentiram que uma coisa muito errada havia acontecido.
Um deles sentiu inveja, outro sentiu ódio, outro, mais ódio, e outro, muita tristeza.
Foi quando os homens aprenderam todas as coisas ruins, e também quando a feitiçaria começou."
(Revista National Geographic, fevereiro 2012, páginas 124 e 125)

Pois é, cristãos em cristo, sentem aqui ao pé do fogo; isso, sejam bem vindos, se abanquem, meninos e meninas. Vamos lá?

Perceberam que os meakambuts e os cristãos contam o começo do mundo de forma muito semelhante? Um espírito, uma força superior, um diretor de uma agência de publicidade, o deltan dallagnol ou o sérgio moro, sei lá, um belo dia alguém acordou entediado e decidiu criar o mundo, os homens e as flores, a Frente Parlamentar Evangélica e, é claro, tendo criado os coxinhas de merda e os anônimos acanalhados que infestam o blog do tutuca, resolveu dar cabo da corrupção e do PT. 

Api, O Grande Patifão Esfumaçado ou Gervásio, diretor geral de suprimentos, botam a mão no queixo, pensam, franzem o cenho e ó, vou criar isso e vou criar aquilo, e criam, e não chamam nem os estagiários. 

Criado o mundo, no começo é alegria, fartura, cantoria, amor e paz, borboletas e passarinhos e muita comida. Na terra dos meakambuts e no paraíso cristão, atentem, tudo igualzinho.

Mas os meakambuts e vocês, amigos cristãos, acreditam piamente que uma mulher cometeu - ó que horror! -, essa coisa gosmenta chamada pecado e, a partir daí, o mundo destrambelhou: ódio, inveja, guerras, imposto de renda, matanças, proliferação desenfreada de deputadões e senadores golpistas, geraldo alckmin, josé serra, roberto freire, beto richa, rafael greca, roedor pai e ratinho junior, república de curitiba, datenas, coxinhas diversos, jaguarinhas golpistas e sarnentos, etc e tal e cousa e lousa.  

E qual o terrível pecado cometido pela mulher, seja a anônima meakambuts, seja nossa gloriosa Eva? Sexo, ó que horror, tirem as crianças da sala, ó que horror, que coisa suja, sim, a primeira trepada foi uma torpe invenção feminina!

Sendo possível, seja honesto caro cristão em cristo, e trate de reconhecer que as duas alegorias sobre a criação do mundo são meras e patéticas invenções humanas, e são em tudo semelhantes, cada qual inevitavelmente permeada pelas circunstâncias de tempo, lugar, costumes, cultura, modo de vida, etc. 

Seja honesto e reconheça que a alegoria cristã é tão "consistente" quanto a dos meakambuts, povo primitivo e nômade que vive nas florestas remotas da Papua-Nova Guiné.

E, por favor, não ouse proclamar-se superior, prezado cristão, àquele povo. 

Eles, ainda que vivam em plena floresta, onde imagino existam muitas cobras, nos pouparam da inacreditável conversa mole da pérfida serpente falante que engambelou a pobre da Eva e, veja que legal, pelo menos dividiram a invenção do pecado entre o homem curioso e literalmente muito metido, e a mulher que resolveu experimentar a coisa.

Mas numa coisa os neakambuts são muito, mas muito superiores aos cristãos: não escreveram nenhuma porcaria de bíblia ou livro sagrado e, portanto, não andam a matar em nome de Api, não têm intermináveis horas de programas religiosos na televisão e entre eles não existe nenhum picareta como o Valdomiro, o Edir Macedo, o Silas Malafaia, nenhum padreco da renovação carismáticas e, aleluia!, nenhuma banda de gospel gosmento.

Ó glória, ó Api!
O sanque de Api tem poder!
Ó glória, ó menezes!