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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Pelo direito de perturbar figuras públicas em restaurantes

Um comentário:
Copiei do Blog da Milly

Recebi pelo grupo de WhatsApp da minha família o vídeo do rapaz que fez um discurso para o ex-ministro Padilha em um restaurante fino de São Paulo. O grupo de WhatsApp da minha família é dessas coisas que quando fala de política tem a capacidade de me fazer hiperventilar, e me dá ganas de arrancar fios de cabelo da cabeça, então, sem querer estragar minha sexta-feira, demorei para clicar no vídeo; e, de fato, depois de clicar e assistir a performance não consegui pensar em mais nada.

Horas mais tarde, já na cama e tentando pegar no sono, continuei a pensar no episódio e, em delírio, me dediquei a imaginar mil respostas para o homem que, copo de prosseco na mão, bateu nele com um talher para anunciar o começo de um discurso – como fazem os gringos, esses tão idealizados por pessoas como o rapaz performático, nos filmes de Hollywood.

Que funcionários públicos como o ex-ministro Padilha sejam abordados pelo público para o qual trabalham não me incomoda nem um tico. Funcionários públicos estão a serviço da população e, assim, sujeitos a críticas públicas.

E há de fato milhares de ações do governo que podem e devem ser criticadas, mas uma análise do que aconteceu no restaurante Varanda entre o cidadão e o ex-ministro revela aspectos mais sombrios do momento pelo qual estamos passando. Por isso achei que era uma boa ocasião para ir buscar mais informações e compartilhá-las.

“Medicina é um dos métodos mais tradicionais de impor o socialismo de estado em uma população”, é o mantra do neo-liberal evocado pelo heroi da turma, Ronald Reagan.

E por mais incrível que pareça muita gente pensa como o rapaz que saiu dando estalinhos na taça de prosseco para anunciar seu corajoso discurso (porque, verdade seja dita, é preciso uma boa dose de ousadia para fazer esse tipo de exibição pública), e acredita que acesso à saúde é um privilégio e não uma obrigação do estado. Se você trabalhar duro e honestamente conquistará esse enorme privilégio e poderá pagar por ele; se não trabalhar …

O fascismo está no ar.

Recentemente um médico americano disse que o Obamacare, apelido do programa federal idealizado por Obama para atender americanos de baixa renda que não têm plano de saúde, é a pior coisa desde a escravidão. A pior coisa desde a escravidão, disse o homem em rede nacional de TV.

Segundo a constituição brasileira de 1988, o direito à saúde pertence a todos os cidadãos, e fica realmente difícil buscar razões para defender a ideia de que saúde não é bem público e direito de todos.

Nos últimos 14 anos, com o aprimoramento do SUS, o Sistema Único de Saúde, o país diminuiu a mortalidade infantil para 13 em mil nascimentos (era de 27 em cada mil nascimentos em 2000); mortalidade de mães durante o parto também baixou, assim como aumentou a expectativa de vida do brasileiro, que na década de 90 era de 66 anos e hoje é de 74.

O Bolsa Família ajuda fincanceiramente mães e filhos a fazerem check-ups regulares, e desde que José Serra, então ministro da saúde de Fernando Henrique, quebrou a patente de medicações para a AIDS o Brasil ganhou fama como uma nação que briga pelo direito de negociar patentes e tornar medicamentos baratos e disponíveis.

Mas nem tudo vai bem, muito pelo contrário, e o rapaz que decidiu levantar da mesa e se exibir para os amigos poderia, quem sabe, ter se valido de alguns dados realmente trágicos da saúde no Brasil.

Como o impressionante número de duas camas de hospital para cada mil brasileiros, e o fato de reservarmos menos de 10% do PIB para a saúde.

No Maranhão, a reduto dos Sarney, há 0,58 médicos para cada mil pessoas; no Rio esse número é maior, mas ainda assim baixo: 3,44 médicos para cada mil almas. Em 2012, entre 62 e 75% das pessoas que moram no sul do Brasil e precisaram de um transplante de rim receberam um enquanto menos de 27% conseguiram um rim no resto do país.

Só que existem dados relacionados à saúde capazes de me chocar ainda mais, e o performático cidadão paulistano poderia, quem sabe, ter se dirigido às demais pessoas do restaurante para esclarecer a eles o seguinte:

Embora a elite se enfureça com o “Mais Médicos”, os mesmos brasileiros quem podem pagar 60 reais por um pedaço de carne em churrascarias como o Varanda não pensam duas vezes antes de fazer uso do sistema público de saúde a fim de se beneficiar dos serviços e remédios mais caros, expurgando os menos privilegiados que não têm escolha a não ser a de usar o SUS.

Essa informação está em uma matéria da The Atlantic, da qual aliás tirei a maior parte dos dados desse texto, publicada em 2014 e assinada por Olga Khazan (trata-se de uma das mais renomadas revistas americanas, fundada em 1857, e o link para a íntegra da matéria está no final desse meu desabafo).

E segue o texto de Khazan: “Os brasileiros ricos levam muito a sério seu direito de saúde gratuita. Numa matéria de 2011, a Lancet descreve como os endinhieirados no Brasil costumam processar [o estado] pelo direito de usar as drogas experimentais e os procedimentos mais caros gratuitamente”.

Apenas um exemplo dado pela autora: Em 2008, o Rio Grande do Sul gastou 22% do orçamento de saúde para atender 19 mil liminares concedidas por juízes em benefício dos mais ricos.

Então, enquanto o “Mais Médicos” deixa a elite furibunda porque, afinal, o governo está fazendo uso do “meu imposto” para fornecer saúde, esse privilégio, aos miseráveis, a mesma elite enxerga como razoável fazer uso do serviço público em benefício próprio – ainda que possam pagar por ele (não por acaso esse é o mesmo cidadão que em casamentos nababescos sai com a bolsa lotada de bem-casados).

Num universo paralelo, os lixeiros do Recife recentemente imploraram pelo fornecimento de protetor solar gratuito pelo Estado, um direito meio básico na minha opinião, mas que muitos da elite devem achar que é privilégio e, assim, ser contra. Pode catar meu lixo, mas não me venha com essa frescura de protetor solar porque meu imposto não serve para essas bobagens.

Mas vamos ver que outras críticas a Marina Abramovic de calças e sem o talento da Marina Abramovic original poderia ter feito ao ter ímpetos de se levantar para perturbar o ex-ministro.

Ainda há quase 12 milhões de brasileiros morando em favelas, e saneamento básico não chega a todos, embora o crack chegue.

E se 40 milhões de pessoas ascenderam à classe média em anos recentes, um número impressionante e que deve ser comemorado, por outro lado problemas relacionados a isso não têm sido devidamente atendidos.

“Junk food é a primeira coisa que vem com o desenvolvimento economico”, disse à The Atlantic o médico Janos Gyuricza. Assim, existe hoje no Brasil uma epidemia de obesidade e diabete entre essa nova classe média que vive afogada em açúcar refinado.

O SUS alcança mais de 60% do território nacional, um número que é muito melhor do que já foi, mas que claramente está longe dos 100% prometido pela constituição, e o Brasil possui apenas 1,8 médicos por mil habitantes, índice é menor do que o de Argentina, Portugal e Espanha.

Pois é aí que entra o “Mais Médicos”, motivo da fúria do nosso amigo performático e tão vilanizado pela elite brasileira.

Segundo a revista The Economist, quando a administração federal lançou um programa para levar médicos aos lugares mais pobres do Brasil, apenas 938 brasileiros se inscreveram para preencher as 15.460 vagas. “A maioria dos 3.511 municípios que precisava de médicos ficou desapontada”, diz o texto.

Assim que o Ministério da Saúde abriu edital para adesão dos municípios ao Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab), que paga R$ 8 mil para que médicos recém-formados trabalhem em Unidades Básicas de Saúde nas regiões mais carentes, foram solicitados 13 mil médicos para atuação em 2.868 municípios, só que 55% dessas cidades não conseguiram um médico.

Não é preciso pesquisa ampla para que a gente entenda que, no Brasil, a profissão de médico é alcançada pelos mais ricos, que sonham em ganhar muito dinheiro e trabalhar no Einstein e no Copa D’Or, mas nunca em ir atender carentes em um vilarejo paupérrimo que nem cinema tem (e ainda que não exista nada de essencialmente errado com isso, é preciso que se encontre uma solução para atender os mais carentes).

Que esses vilarejos miseráveis ainda existam no Brasil deveria ser sempre motivo de lamento e revolta, claro, mas até aí querer que primeiro se civilize o vilarejo para que depois os “doutores” façam a gentileza de ir para lá é, para dizer o mínimo, desumano. Ou, como escreveu o poeta alemão Bertold Brecht, citado por meu amigo e ídolo, o jornalista Edson Rossi, primeiro vem o estômago, depois a moral.

Chegamos então aos doutores cubanos que, ao contrário dos brasileiros, não se importaram de ir trabalhar nos vilarejos carentes de assistência médica (Cuba tem reputação mundial em relação ao sistema de saúde, mas é preciso que se quebre o preconceito para conseguir assimilar tudo o que a medicina cubana tem de revolucionário).

Segundo informações divulgadas pelo jornal Valor Econômico, o “Mais Médicos” conta com 9490 profissionais em 3025 municípios e 31 distritos indígenas. São, de acordo com o Planalto, 33 milhões de beneficiados até aqui.

Como podemos nos opor à ideia de enviar médicos, de qualquer nacionalidade, para tratar de pessoas que precisam?

Claro que o programa pode ser aperfeiçoado, claro que talvez tenha falhas e a necessidade de ajustes, mas daí a vilanizar um programa social que oferece médicos, remédios e dignidade a quem até ontem não tinha nada disso é apenas cruel.

Pior ainda é se propor a pagar o mico de falar em público, no meio de um restaurante no qual um pedaço pequeno de bife custa mais de R$50, para verbalizar um mimimi infantilóide sobre quanto o programa custou aos “nossos” bolsos. É a turma do “tudo para a gente, nada para eles” protagonizando performances em São Paulo.

É também preciso que se celebre o movimento de transformação que o “Mais Médicos” desencadeou: desde a chegada dos médicos cubanos, milhares de médicos brasileiros decidiram também fazer parte do programa (das 4139 novas vagas, 3752 foram preenchidas por brasileiros), e o Governo acha que, com essa nova força de trabalho, o “Mais Médicos” poderá beneficiar 70 milhões de pessoas e alcançar 80% do território até 2018.

É preciso uma boa dose de preconceito e desinformação para ser contra um programa cujo nome é “Mais Médicos”, é preciso uma boa dose de egoísmo para ser contra fornecer uma parcela de nossos impostos para financiar médicos e assistência a quem precisa, é preciso uma dose cavalar de ignorância para, dada a coragem ideal, levantar da mesa no meio de um restaurante lotado e escolher criticar justamente um programa de inclusão social  — embora seja perfeitamente aceitável lutar para que qualquer programa social fique melhor e seja ainda mais abrangente.

Assim, em meus devaneios, nosso amigo atrevido e performático poderia ter aproveitado a coragem que o moveu a discursar em público para dizer por exemplo um troço assim:

“Sou um cidadão insatisfeito com a situação atual e não aceito nem uma gota a menos do que todo e qualquer brasileiro com acesso à saúde gratuita e de qualidade, senhor ex-ministro da saúde”

Então, antes de sair compartilhando e aplaudindo performances como a desse rapaz na churrascaria Varanda seria bacana se a gente fosse atrás da informação. Porque do mesmo jeito que o rapaz tem todo o direito de se levantar e dividir com o resto do Brasil toda a sua insatisfação, nós temos o direito de vaiá-lo.

Texto da The Atlantic aqui

domingo, 17 de maio de 2015

Poema das estufas, ou da teoria e da prática, poema da vida

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Nas estufas
Pássaros pipilam
E fazem seus cocozinhos 
No canto adequado
Sinos bimbalham nas estufas
São lindos os sons dos sinos
E vicejam as teorias floridas
E as consignas descoladas
Tudo sob controle
Temperatura e umidade
Insolação e aeração
Em níveis sempre adequados
Não há erros nas estufas
Teorias e consignas
Estão sempre cheirosas
Limpas e apresentáveis
E revolucionárias
Logo ali adiante
Nas quebradas
Cimento sujo
Esgoto a céu aberto
Telhas quebradas
O vento uivando
O pó entrando
As teorias floridas
As consignas descoladas
Antes tão cheirosas
Empacam seus costados
Na aridez da realidade
Na sordidez da realidade
Na fedorenta realidade
Passam fome
A água é turva
Teoria e consignas
No mais das vezes
Morrem de espanto
Há quem aprenda
Com a sujeira dos erros
Com o fedor dos recuos
Com a aspereza da vida
E permita que as teorias perfeitas
E as consignas sedutoras
Sejam afinal contaminadas pela vida
Teorias devem ver-se assim
Ou deveriam ver-se assim
Há quem permita que teorias perfeitas
Sejam lambuzadas pela porra da vida
Mas há quem insista em viver
Debaixo de estufas
Eis-me aqui admitindo meus erros
Eis-me aqui vivo
Cabeça erguida
Eis-me aqui
Encarando olho no olho
Meus filhos e netos
Afinal não é muita coisa
Mas é o que tenho
Mas quem vive nas estufas
Terá sempre acolhida aqui em casa
Mesmo que não me queiram nas suas

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Poesias dispensáveis, 1978: Senhora

Um comentário:
Ventania senhora dos meus cabelos
hoje estrelas de junco 
e o verão não mais cabe em meu corpo
hoje estrelas de feno 
os faróis escondem o meu corpo
estrelas de feno de terra seca de água suja
estrelas de ferro 
de terra fértil 
de negros olhos grandes
estrelas de olhos 
senhora das estrelas
Estavas de branco senhora dos meus amores 
de brancos dedos de prata
Senhora dos meus dedos pegajosos
estavas de ares novos 
senhora dos meus sonhos pegajosos
arestas senhora dos meus olhos 
arestas perigosas
aranhas senhora anti-corpo olhos pegajosos
Senhora dos meus versos 
em teu corpo, teu corpo 
(minha velha estrada)
senhora dos meus ais 
doces de açúcar mascavo
doces dentes brancos
dentes teclas brancas de piano
Senhora 
os muros altos 
senhora dos meus atos 
e os gritos brancos 
senhora dos meus espaços 
e o meu sonho 
senhora do meu sono
E grandes beijos
senhora da minha boca
Senhora dos grandes olhos negros em festa
senhora da minha pele
Montanhas senhora das minhas naturezas
rios senhora das minhas águas
Minhas eternas luzes brancas
senhora dos meus domínios 
povo descalço grande rio pegajoso
Senhora dos meus vícios
dos meus dedos
dos meus horários
Senhora das minhas necessidades
das minhas idades
das letras do barro pegajoso
das lesmas das lentas mortes das lentes
Senhora das minhas luzes apagadas 
das chuvas de branco
senhora pacificada
Senhora dos meus sonhos 
imensos campos de trigos 
terras secas beijos beijos
Senhora dos meus intestinos 
mãe dos meus ventos 
irmã dos meus desertos
dos rios dos vales
senhora dos pedaços
Senhora dos relógios velhos aposentados
das notícias de sangue
senhora do meu sangue
Senhora das minhas pernas 
das minhas almas
Senhora das minhas armas brancas
dos meus fuzis
Senhora dos lençóis 
dos orgasmos 
luzes apagadas
Senhora dos fenóis
da minha interna química corporal
Senhora das máquinas
das tintas 
das fumaças 
das cores
dos vestidos verdes
Velhos vencidos
senhora dos vencidos branca senhora
senhora dos olhos da noite 
Senhora do drama do tango
do tango a média luz
dos semáforos
dos fósforos 
das varandas
Senhora dos retirantes
Senhora dos pés descalços 
do trigo 
de julho
das lãs
Senhora dos apressados
Senhora dos ares dos tempos dos templos
Senhora do meu espanto
eu te preciso com todos os meus erros de concordância
eu te preciso com todos os meus erros de inglês

(Cometido em 1978, se bem me lembro)

terça-feira, 5 de maio de 2015

Dias das mães

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Poema para minha mãe

As mães são maria e clara
joana e clarice

marta e tânia
Sorte sua  
Há quem não tenha mãe alguma
Nem maria e tânia
Nem clara e marta
Nem joana e clarice
Mãe nenhuma
Chame sua mãe
Agarre suas duas mães

De nelas oitocentos abraços
E dois mil beijos

Você pode fechar os olhos
E sentir-se seguro

Mesmo que suas mães sejam imperfeitas
E elas são humanamente imperfeitas
As duas estão ao seu lado
Eu tenho uma mãe formidável
Carmelita Cequinel

Que se mandou em 2009
Darei nela maio 2015 
Mil e seiscentos abraços e quatro mil beijos
Eu e você
Abraçaremos nossas mães
E Sonia abraçará a mãe Alzira

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Poema da milícia

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o tucano beto richa quebrou o Paraná
e a quadrilha planejou o roubo
o saque com ares de legalidade
da aposentadoria dos servidores
que ficaram putos da vida
especialmente o povo da educação
não, betinho de merda,
não entregamos nosso futuro
e fizeram greve de 29 dias

e tomaram a casa do povo
e betinho e sua base aliada de merda recuaram
a greve foi suspensa
mas o caixa saqueado por betinho

permaneceu vazio sem grana 
nem para o cafezinho
e beto jaguarinha de topete arrumado
voltou a carga contra os direitos das pessoas
reuniu a assembleia e o poder judiciário
e esta gente privilegiada 

mandou que a polícia militar 
cercasse a casa do povo
a polícia e seus canhões
sob comando de betinho e de francischini
sob ordens de traiano traíra orelhudo
sob comando dos coronéis meganhas

helicópteros tropas de choque
milhares de meganhas
blindados e atiradores de elite
desembargadores de merda 
juízes de merda
deputados de merda
bombas gases e balas de borracha
todos cercaram a casa do povo
na praça do povo
gente inconveniente fedida petulante
gente afinal
gente apenas
homens e mulheres
e seus sonhos e desejos
suas esperanças e medos
pais e mães irmãos irmãs tios e tias
gente comum
a casa do povo
a suposta casa do povo
a casa que do povo nunca foi em verdade
a casa do povo que não é do povo
cercada por servidores públicos fardados
homens e mulheres comuns
contas a pagar filhos para criar
sonhos e desejos 
mas que foram militarizados
ordem ordem ordem ordem
obediência disciplina não pensem odedeçam
assim foi na segunda greve
na praça o povo 
do outro lado os ladrões do povo
separando uns e outros a milicia
milícia povo gente comum pais e mães
beto richa e francisquini e os coronéis de merda

e os desembargadores de merda
os deputados de merda
não tiveram coragem os merdas
de assumir o lugar da milícia
a milicia está lá pra isso mesmo
a milícia jamais comete excessos
a milícia é treinada 
condicionada
para cometer excessos
coronéis não erram
tenentes coronéis não erram
majores não erram
capitães não erram
tenentes não erram
sargentos não erram
cabos não erram
soldados não erram
errados somos nós 
que permitimos a existência desta milícia assassina
que mata nas periferias jovens negros e pobres

errados somos nós
que elegemos quem jamais mudará a milícia
errados somos nós
que elegemos quem treina a milícia
para ser a milícia assassina
a milícia não comete excessos
porque para cometer excessos
é que a milícia existe
a milícia cumpriu o seu papel
porque o povo se levanta e luta
e cumprirá até que seja desmilitarizada
e cumprirá até que o povo tome o poder

Nota Pública sobre as reincidentes tentativas de criminalização da Professora Marlei Fernandes de Carvalho por Beto e outros membros do governo

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Copiei da APP

"O mundo ao avesso nos ensina a padecer a realidade ao invés de transformá-la, a esquecer o passado ao invés de escutá-lo e a aceitar o futuro ao invés de imaginá-lo: assim pratica o crime, assim o recomenda. Em sua escola, escola do crime, são obrigatórias as aulas de impotência, amnésia e resignação." [1]

Somos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil, somos cidadãos e cidadãs vivendo num estado democrático, cumpridores/as de nossos deveres e cientes de nossos direitos. E um desses direitos é o de participar livremente da vida política, sindical e partidária, que a Democracia pela qual lutamos tanto, nos garante.

Negamos-nos a sofrer a realidade de desigualdade e injustiças históricas em nosso País, por isso nos organizamos e trabalhamos para transformá-la, por isso organizamos sindicatos, partidos, que possam, mesmo em situação absolutamente assimétrica de disputas, participar dos processos eleitorais buscando fazer com que as demandas da classe trabalhadora, daqueles que vivem do trabalho, tenham eco e lugar nos espaços de poder legislativo. Queremos leis que ampliem direitos, que garantam Justiça Social e igualdade entre todo o povo brasileiro.

Somos legalmente filiados a sindicatos e nossos sindicatos são legalmente filiados a centrais sindicais. A APP-Sindicato é filiada a Central Única dos/as Trabalhadores/as – CUT, por decisão legal e legítima de sua categoria desde 1995. Que trabalhadores e trabalhadoras disputem eleições gerais em nosso País é fato relativamente novo em nossa democracia tão recente e tão tardia.

País de tradição colonizada e escravocrata ainda nos debatemos com elites que são antinacionais e anti-povo e que ainda guardam reminiscências e muita nostalgia dos tempos relativamente recentes da Casa Grande e da Senzala. Elites que não lidam bem com a  participação do povo nas decisões importantes que afetam sua vida, que não lidam bem com a democracia a qual dizem respeitar mas só no discurso. Discurso sempre negado por suas práticas.

O governador do Paraná, Carlos Alberto Richa tem reiteradas vezes afirmado que os confrontos das duas greves que tivemos, em 2014 e agora em 2015, devem-se a um suposto incorformismo da Professora Marlei, que, sendo filiada ao Partido dos Trabalhadores/as e tendo sido candidata a deputada federal e não ter sido eleita, usaria os trabalhadores da educação como massa de manobra para vingar sua não-eleição. O deputado Romanelli chega a afirmar que toda essa mobilização das duas dezenas de sindicatos que compõem o FES, teria a mesma motivação e que “alguém teria que parar a Marlei”, segundo afirmou.

Essa tentativa de criminalização, que parte do governo (mas também de setores da esquerda que veem na criminalização do PT uma tática amplamente ancorada no discurso da mídia golpista como meio de ampliar seus espaços de poder), só revela e reafirma ainda mais o caráter autoritário, elitista e preconceituoso desse governo. Seus ataques negam o direito de nossas lideranças sindicais de trabalhadores podermos disputar eleições. E fazem isso ao mesmo tempo em que ampliam a participação de famílias inteiras das oligarquias do Estado do Paraná nas estruturas do Legislativo, do Judiciário e do  Executivo. Partem do princípio de que trabalhador/a, sobretudo os/as com forte consciência de classe, não devem ser candidatos/as. No entanto, se forem lideranças sindicais de entidades patronais, com certeza será reconhecido como algo belo, bom e justo. Por isso não se veem criticas a ex-presidentes da Fecomércio ou Fiep,  Fiesp candidatos ao poder executivo e legislativo e presentes no judiciário.

Vimos publicamente repudiar esse método fascista de ataques pessoais, tentativas de desqualificar e de criminalizar atos praticados dentro da mais absoluta legalidade e garantidos pela Constituição Brasileira. O elitismo do governo Beto Richa, que tem a família inteira instalada no Poder, não consegue disfarçar seu mal estar e seu desprezo pela participação das lideranças de trabalhadores nas disputas eleitorais.

De bom grado essas oligarquias voltariam aos tempos do voto censitário e da proibição de voto para as mulheres, para os negros e para os pobres. Vimos publicamente reafirmar o direito pleno de todo/a trabalhador/a a se candidatar, a votar e ser votado. E reafirmamos nossa disposição de lutar por uma Reforma Política que garanta Financiamento Público de campanha, voto em lista e paridade de gênero dentre outras reformas pelas quais lutamos a nossa vida.

Manteremos viva nossa memória do passado que não queremos que retorne, e não aceitaremos o futuro que os donos do capital oferecem para os/as trabalhadores/as. Seguiremos em marcha e em luta para transformar essa realidade, transformar nosso País. E seguiremos mantendo viva nossa utopia apesar da sua tentativa de criminalizar nossos direitos e criminalizar a participação dos trabalhadores nos processos eleitorais também como candidatos e não apenas como eleitores. Vocês não nos representam, representam nada mais que seus próprios interesses de classe. 

Não esperem de nós nem impotência, nem amnésia e nem resignação. Nossa luta será para ampliar nossa participação nos espaços de poder e mais que isso: para transformar esses espaços, para democratizá-los, para que de fato representem a maioria da população: aqueles que vivem do trabalho, os que produzem a riqueza da sociedade, que constroem o Brasil: a Classe Trabalhadora.

Cada vez que vocês  criminalizam e culpabilizam a Professora Marlei, mais nos fazem lembrar do quanto nos querem longe de certos espaços de decisão. Nossa resposta é essa: repudiamos essa campanha difamatória, pois não há nenhuma ilegalidade e nenhum desvio ético em ser sindicalista, estar num sindicato filiado a uma Central Sindical e disputar eleições numa Democracia. É a saudade do passado escravista que os impede de reconhecer e respeitar esse fato. Escravismo e misoginia:

“En la vigilia y en el sueño, se delata el pánico masculino ante la posible invasión femenina de los vedados territorios del placer y del poder; y así ha sido desde los siglos de los siglos”.[2]

Pois que respeitem nosso direito e acostumem-se: a classe trabalhadora vai avançar em processo de consciência e ocupar, cada vez mais, o lugar que lhe cabe na História e na vida política do País que é de todos. E de todas.

[1] Eduardo Galeano, "De Pernas para o Ar - A Escola do Mundo ao Avesso"

[2] Eduardo Galeano, “De pernas pro ar: A Escola do Mundo ao Avesso”.

domingo, 3 de maio de 2015

Em defesa da APP-Sindicato: Carta Aberta aos anônimos de merda que chafurdam na gosma anti-petista do Blog do Tutuca

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Espelho d'água e bandeira do estado tingidas pelos manifestantes no dia seguinte ao massacre. (foto: André Egg)
Copiei a imagem daqui

Queridos anônimos de merda:

No dia 28/04 Blog do Tutuca, que vocês frequentam escondendo a cara, publicou postagem tratando de temas relacionados à cidade de Antonina (vejam aqui). Até aí, tudo em riba.


Ocorre que o blog citado é uma pocilga fedorenta onde, na gosma do anti-petismo raivoso, chafurdam vocês, abjetos anônimos de merda.

Como eu disse, a postagem trata de assuntos de Antonina mas, como é recorrente naquele esgotão virtual, os jaguaras sarnentos sem nome trataram de vomitar mentiras contra a APP e contra o PT.

Por necessário, reproduzo seus comentários:


Anônimo30 de abril de 2015 12:29
Não há como negar a barbeiragem do governador e deputados. Também não há como negar que Lula esta pondo o exército do Stedelli na rua como prometeu. Nesse incidente registrado pela gazeta não existe indício de tumulto até a investida de gente preparada e paga para gerar tumulto. A polícia militar salvo alguns excessos, fez o que tinha que fazer.thttps://www.facebook.com/gazetadopovo/videos/10154146310039572/.
A APP Sindicato tem ser criminalmente responsabilizada por permitir que esses infiltrados iniciassem o tumulto.

Anônimo30 de abril de 2015 13:10
Eu já sabia que isso iria acontecer. Trabalho no Brasílio e por isso não aderimos a greve que sem dúvidas é política.

Anônimo30 de abril de 2015 13:48
APP-Sindicato obriga professores a pagar R$ 3,5 mi do custo da greve anterior
A irresponsabilidade da APP, que está provocando greves seguidas para atender os interesses políticos do PT, está produzindo prejuízos de toda ordem. Para os alunos que estão sem aula e para os professores que estão sendo obrigados a pagar os preços dessa militância ensandecida. Nas redes sociais uma professora se pergunta porque teve de pagar uma mensalidade (R$ 77,00) a mais. 
A resposta da APP: é para bancar os custos da greve de fevereiro e março (29 dias), e os custos de mobilização, aluguel de ônibus e pagamento de multas por descumprimento de ordens judiciais. A greve teria custado R$ 3,5 milhões ou R$ 120 mil ao dia (!). Isso, apesar de a APP arrecadar R$ 25 milhões por ano. Nesta greve, novos prejuízos. Além de pagar os custos do movimento, os professores terão dias descontados e poderão sofrer prejuízos na carreira.

Anônimo1 de maio de 2015 11:22
Um milhão de pessoas foram para as ruas em São Paulo protestar. Nenhum caso de violência.
A APP e seu black blocs foram pra quebrar tudo e se ferraram. Professores estão sendo engados.

Anônimo2 de maio de 2015 12:22
Mais uma prova do radicalismo e excessos que a APT sindicato proporciona. Querem protestar, apitar, chingar tudo dentro dos conforme. Ninguem duvida que beto Richa é um governador de merda. Agora retirar a bandeira do estado do mastro e pintar da cor do PT é muita cara de pau.
O sindicato do PT é sim co responsável na bárbarie do cento cívico porque permitiram , ou contrataram, bandidos para fazer a baderna. os professores entraram como massa de manobra. Quem entende um pouco do riscado sabe do que estou escrevendo. Tenho dito.

Anônimo2 de maio de 2015 13:13
Aos professores com carinho... Por que a APP permitiu a "infiltração" desses bandidos?
Depois das manifestações de junho de 2013 ficou estabelecido por qualquer movimento/sindicato responsável pela organização de manifestações que para evitar derramamento de sangue os manifestantes pacíficos deveriam sentar ao chão quando visualizassem mascarados ou baderneiros infiltrados. Assim eles seriam facilmente avistados e retidos. Por que a APP não determinou essa estratégia aos professores?
Olha o que diz uma das regras dos blocos negros (black blocs) ; "As revoluções não são feitas com água de flor de laranjeira, mas com sangue", dizem, afirmando serem "potenciais mártires".

Como Tutuca - que troca de partido com mais frequência do que suas cuecas - não publica meus comentários, dou resposta aqui, neste meu nauseabundo espaço.

Não sou professor e não tenho procuração para defender a APP mas, como filiado ao PT, fundador e ex-presidente da CUT/PR e ex-dirigente do Sindipetro PR/SC - militância da qual me orgulho, pai e avô, tenho o dever incontornável de defender o povo da educação, especialmente quando são atacados por gente sem caráter, que não tem culhões para mostrar a cara e o nome.

De modo que esfrego nas suas fuças, anônimos acanalhados que infestam o mundo e o blog do Tutuca, que a OAB e a Defensoria Pública negam que houve prisão de qualquer black bloc.

Nenhum suposto black bloc foi preso, patifes sem nome, nenhum: eram professores, como Vitor Molina (veja o relato da sua odiosa prisão aqui) servidores públicos ou estudantes.

Entre os feridos (mais de 200!), marcou-me a foto do professor Francisco, ferido no pescoço, que é diretor da Escola João Mazarotto, onde estuda meu neto German.

Só patifes obtusos e sem caráter são capazes de acreditar nas mentiras infames de Beto Richa e de Francischini, que têm as mãos sujas de sangue.

Mas o que dizer do anônimo que é professor do Colégio Brasílio Machado e furou vergonhosamente a greve? Que tipo de professor é esse, que educação um pulha como esse pode oferecer às nossas crianças? Que tipo de valores este sujeito transmite em sala de aula? Ensina aos seus alunos que sejam covardes, que mintam, que lancem calúnias sempre escondendo o rosto e o nome?

Tenho muitos defeitos, por certo, tantos que não os posso contar. Entretanto, meus filhos e netos, a partir do meu modesto exemplo, não se escondem nos biombos do anonimato quando tecem críticas a terceiros. Assim como eu, expressam suas opiniões de peito aberto, de forma clara, e pagam o preço.

Tenho mais uns poucos anos de vida mas, eu sei, me darão sepultura digna que terá lápide com meu nome e sobrenome.

Já vocês, anônimos de merda, jaguaras anônimos de merda, serão sepultados, em covas rasas, na ala dos indigentes, sub-ala dos indigentes morais.

Vão todos para a puta inominada que os pariu.

Paulo Roberto Cequinel

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Copiei a imagem daqui
Odio 
Anônimos de merda, na Feiramar (Antonina/PR) preparam-se para caçar 
o lazarento do Cequinel e alguns petistas e comunistas 


Quer jornalismo de esgoto? Leia Fernando Tupan

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A propósito da greve dos professores, um certo Fernando Tupan, que obra num blog no portal Bem Paraná, publicou, sob o título "O Cerco golpista do PT a um governo" (leia aqui), texto do pulha Reinaldo Azevedo, que defeca coisas na privada chamada Veja.

Deixei lá (hoje, 08h53) o comentário que reproduzo a seguir, por não saber se Tupan o publicará.

"Reinaldo Azevedo é um canalha reluzente, federal, e só podia estar chafurdando na pocilga fedorenta chamada Veja.

Ao reproduzir o texto do canalha - que pretende responsabilizar o PT pela greve do povo da educação - você torna-se também um canalha.

Não um canalha de escol, é claro, que lhe falta estofo, mas um canalha municipal, um canalha mequetrefe, patético, incapaz de produzir suas próprias canalhices.

Mas, ao fim e ao cabo, um canalha.

Tenho nojo de "jornalistas" da sua laia".

Poema para Curitiba, 29 de abril de 2015

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Um dos poemas que cometi
Veio aos poucos
Goles de bebida barata
Porções de luzes sem brilho
Uma palavra despencando
Outra palavra resistindo
No vazio inóspito do poema
Um dos poemas que ousei
Veio de golfada
Vômito sujo e azedo
O nojo dos leitores
Valeu o poema
Um dos poemas que preparei
Desafiou-me
Borrei-me de medo do poema
Que me enfrentou
Um dos poemas que sonhei
Não amanheceu
Não viu a porra do sol nascer
E está nas últimas
Respira de teimoso
Um dos poemas que copiei
Veio incompleto
Um dos poemas que imaginei
Veio contaminado pela vida
Pelo esgoto a céu aberto
Uma das vidas que poemei
Uma das letras que pendurei
Nas paredes das delegacias
As professoras
Os professores
Os trabalhadores da educação
As trabalhadoras da educação
Invadem agora este poema
Que eu, poetinha de bosta,
Afinal queria escrever
Eu atirei todas as bombas
Eu lancei todos os gases
Eu soltei todos cães
E o teimoso poema da luta está aqui