SOBRE O BLOGUEIRO

Minha foto
Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

10 Medidas: o que está em jogo para a sociedade brasileira

Copiei de Caros Amigos

Por Eugênio Aragão
Para o Jornal GGN

A presença, terça feira, de Deltan Dallagnol na Comissão Especial que examina o projeto de lei relativo às "10 Medidas" proposto pelo Ministério Público Federal (MPF) com uso populista do instrumento de iniciativa popular, teve algo de grotesco. Estava o procurador cercado de militantes do sedizente "Movimento Brasil Livre" (mais conhecido como a turma do Quim Cataguiri, que esquece de ir às ruas para pedir a cabeça de Geddel Vieira Lima), a regozijar-se com sua popularidade, sob fortes holofotes da mídia.

Ingressei no MPF em 1987, época em que buscávamos nossa inserção na sociedade civil, mais ouvindo do que falando. Colegas participaram do Primeiro Encontro dos Povos da Floresta no Acre, outros se juntaram à Ação pela Cidadania liderada pelo saudoso Senador Severo Gomes e mais outros se articulavam com o movimento indigenista. Ninguém tentava impor agendas, buscávamos discretamente identificar demandas e usávamos nossas atribuições para vir em seu apoio.

Nosso perfil institucional era baixo. E entendíamos que era importante mantê-lo assim, para não desviar de nossos propósitos, na luta por um Brasil mais respeitador de direitos. Foi assim que a sociedade foi reconhecendo, aos poucos, a importância do ministério público nas agendas de direitos humanos, individuais e coletivos. De uma relação de desconfiança (não são evidentes virtudes de um órgão de estado vinculado à repressão), foi-se solidificando uma profícua parceria.

Na constituinte de 1987-1988, fomos festejados com entusiasmo por muitos parlamentares identificados com o esforço de democratização das relações sociais e logramos ser enormemente fortalecidos no nosso estatuto constitucional. Agora éramos erigidos à condição de instituição defensora da democracia e dos direitos fundamentais. Nunca houve na história do Brasil galardão maior para o ministério público. Mas, também, nunca tínhamos recebido responsabilidade mais grave do que essa e corresponder-lhe seria missão delicada. É mais fácil perder a confiança do que conquistá-la. Manter o baixo perfil, fugir do personalismo, cultivar autocontenção e ter mais ouvidos do que boca seriam condições fundamentais para preservar nosso papel no estado brasileiro.

Esse modelo de ministério público prevaleceu, pode-se se dizer a grosso modo, até o impeachment do presidente Collor de Mello. A visibilidade enorme que o lado punitivista das funções ministeriais recebeu então na mídia reforçou muito o prestígio da atuação em matéria criminal. Aliado a isso, atraiu muitos jovens que se miravam no exemplo dos procuradores sérios e "incorrompíveis". Esse perfil de jovem foi a clientela de inúmeros concursos desde então, com raras exceções, é claro.

Com o passar dos anos, assistimos ao crescimento da atuação criminal sobre a tutela coletiva. Cada vez mais, procuradores enfrentavam administradores e políticos, seja na persecução de crimes financeiros ou contra a administração, seja na propositura de ações de improbidade.

O modelo mais punitivista do que resolutivo da atuação do ministério público foi cristalizando mentalidade moralista na instituição, vendo-se, muitos procuradores, como vocacionados a esgrimir a espada afiada da justiça. E, convenhamos, se dá Ibope, mais fácil é agir pelo viés da culpa, do que pelo viés da solução de problemas.

Paralelamente, o poder de fogo do ministério público lhe conferiu muito prestígio numa sociedade bombardeada por notícias interesseiras de malfeitos dos outros. Esse poder de fogo foi correspondido com o crescimento dos ganhos da categoria. Logo se verificou que, quanto mais risco se produzia, mais fácil a administração cedia aos reclamos de aumento de subsídios. Procuradores não precisaram jamais fazer greve, sempre foram atendidos com toda pompa em gabinetes parlamentares e governamentais.

Criou-se um ciclo vicioso na instituição, em que objetivos corporativos foram se mesclando com fins institucionais. A Força Tarefa da chamada Operação Lava Jato é o exemplo mais eloquente disso. Trata-se de iniciativa de jovens procuradores da república, embevecidos com seu poder de fogo e muito cúpidos em aparecer na mídia para posarem de bons moços, enfim, o "lado do bem". Esse marketing é essencial para alavancar a corporação para patamares mais altos de prestígio social e de reconhecimento como ativo essencial do estado, merecedor de maior investimento orçamentário.

Não é à toa que propostas de "combate" ao mal vêm acompanhadas de sugestões de incremento de meios financeiros através da apropriação de parte dos recursos desviados por ações criminosas, com escopo de destiná-la ao orçamento do ministério público. Por isso, também, a reação da Procuradoria-Geral da República à PEC 241 (PEC 55 no Senado) não foi de desafiar sua constitucionalidade por conta da inviabilização de direitos fundamentais e, sim, de fazê-lo por restringir sua iniciativa orçamentária: quando o pirão é pouco, o meu primeiro.

As chamadas "10 Medidas" são mais do mesmo: uma tentativa de sacrificar garantias fundamentais em nome do "combate" à corrupção. Como é feia essa expressão "combate", pois pressupõe uma "guerra", em que "os criminosos" são os "inimigos" - assim como qualquer um que ouse se opor a essa empreitada (esses são os "desonestos", na visão estreita do Procurador-Geral da República).

Desonesta é a iniciativa em si. Tomando forma de "iniciativa popular", dela nada tem. As propostas foram elaboradas por um seleto grupinho de procuradores vinculados à Operação Lava Jato, sem maior discussão interna. Foram abraçadas pela 5ª Câmara de Coordenação e Revisão  (órgão da cúpula institucional) e pelo próprio Procurador-Geral da República. O marketing das medidas foi feito no sítio oficial do MPF na rede mundial de computadores e vários veículos de serviço foram envelopados com a publicidade das medidas Brasil afora. Tudo com recursos públicos.

Colher 2.000.000 de assinaturas foi a parte mais fácil com esse apoio de campanha publicitária oficial e com o induzimento permanente, na opinião pública, de que o mal maior a "combater" no Brasil é a corrupção. O MPF é ator que carrega a maior responsabilidade pela disseminação da obsessão nacional pelo tema da corrupção, que conseguiu empurrar para o fundo do palco a luta por direitos, a luta pela inclusão, a luta contra a desigualdade social, esta sim, o maior problema brasileiro.

E o MPF não é um ator desinteressado nesse "combate" que estimula. Dele depende hoje a intangibilidade de seu perfil institucional (e corporativo) vigente, pois muitos outros atores políticos já se deram conta da disfuncionalidade desse "monstro" (apud Ministro José Paulo Sepulveda Pertence, procurador-geral à época da constituinte) em que o ministério público se transformou ao longo das últimas duas décadas. E só mantendo aceso o fogo do moralismo punitivista conseguem, os procuradores da república, afastar, hoje, qualquer iniciativa de redução de seu status e de mudança do regime de atuação do órgão.

O uso indevido da iniciativa popular como forma de apresentação das "10 Medidas" configura, em verdade, profunda deslealdade para com o legislativo. Quer-se submetê-lo à pressão do clamor das ruas, ferindo o princípio do convívio harmônico entre os poderes. O MPF teria meios mais idôneos para colocar em debate parlamentar propostas de controle da corrupção. Tem o Procurador-Geral da República iniciativa legislativa no que toca à atuação da instituição. Tem, ele, também, acesso permanente aos chefes de poderes para fazer suas propostas dentro de um quadro de cooperação. Então para quê essa iniciativa popular travestida? É porque a instituição ministerial não tem confiança e sabe que dela também deixou de gozar, na relação com os demais poderes, dada sua reiterada atuação conflitiva, com finalidade de reforçar sua musculatura reivindicativa.

Chegou a hora da verdade, quando a Câmara dos Deputados está a discutir o relatório do deputado Onyx Lorenzoni sobre as medidas. A presença de Deltan Dallagnol nesse teatro não significa nada de bom. É mais uma desaforada "pressãozinha" sobre a comissão especial, não tendo o membro do MPF sequer escrúpulos de se mostrar rodeado pelo que há de pior no cenário político brasileiro: os militantes celerados e seletivos do MBL, verdadeira "Sturmabteilung" (SA) formada pela oposição ao governo legítimo de Dilma Rousseff, para desestabilizá-lo e criar um ambiente de comoção social no País.

As medidas propostas, aliás, se coadunam  bem com esse espírito de "Sturmabteilung". Reforça-se na ordem jurídica brasileira o direito penal da pessoa, em contraposição ao direito penal dos fatos. Essa visão fascista da função punitiva do estado pressupõe que há pessoas mais ou menos inclinadas ao crime. E as que revelam essa inclinação não merecem outra coisa que serem expurgadas da comunidade sadia do povo: "ausgemerzt aus der gesunden Volksgemeinschaft", no melhor jargão nacional-socialista. Cria-se, assim, a figura essencial do inimigo do povo, bode expiatório necessário para mobilizar o ódio cego da coletividade e torná-la servil aos que querem conduzi-la para fora do "lamaçal" da política parlamentar e partidária. O que sobra depois é somente um líder "moral" autoproclamado que pretenda governar contra os direitos e sepultar a própria política.

Apenas para exemplificar, examinemos algumas das propostas, sem esforço de exauri-las, dados os naturais limites deste artigo.

Uma das medidas pretende tornar obrigatórios, no serviço público, os chamados "testes de integridade", verdadeiro ataque à dignidade humana. Servidores devem se submeter a situações simuladas, sem seu conhecimento, de tentativa de corrupção. Se o servidor falhar e aceitar a ilusória propina, será afastado do serviço público. Lembra-me a prática escravocrata de madames que querem testar a honestidade de suas criadas domésticas. Colocam um anel de ouro sobre a mesa para incitar a empregada ao furto e uma câmera escondida. Flagrada no "crime", a mesma é dispensada por justa causa! Ocorre que nenhum juiz do trabalho consciente sacramentaria essa prática degradante. E por que deveríamos tolera-lá no serviço público? Parece-me que o estado deve dar exemplo de integridade na relação de trabalho e não se portar como um escravocrata.

Outra medida trata da convalidação de prova ilícita colhida de "boa fé". Como em várias outras propostas, cuida-se de enfraquecer a defesa e de "turbinar" a acusação, de certa "meganhização" da persecução penal.

É importante lembrar que garantias processuais existem para estabelecer um contrapeso ao desproporcional poder do estado na contenda contra cidadãos individuais. Falar em paridade de armas no processo penal é um despropósito. A assimetria entre acusação e defesa é tamanha, que se impõe reforçar os direitos do imputado. A acusação, no Brasil, senta ao lado do juiz. Nos tribunais, ao lado do presidente. Com ele cochicha e depois participa do lanchinho dos magistrados, numa relação marcada por tapinhas nas costas. Os advogados não gozam desse privilégio. Submetem-se a horas de chá de cadeira, são muitas vezes recebidos sem qualquer interesse ou gentileza do magistrado, sobem à tribuna para defender seus constituintes e expõem suas teses orais enquanto os magistrados ficam ostensivamente batendo papo entre si.

Chega a ser um escárnio à cidadania querer, nesse contexto, facilitar ainda mais o trabalho da acusação. Antes de mais nada, cumpriria tirar o acusador do lado do juiz, fazê-lo subir à tribuna para se expor ao contraditório real de teses e vedar-lhe a frequência anti-republicana aos lanchinhos com tapinhas nas costas.

Os poderes investigatórios da acusação são quase ilimitados e frequentemente se nega à defesa o acesso pleno aos elementos de convicção colhidos. O mínimo que se deve exigir que esses elementos sejam arrecadados num quadro de indiscutível legalidade. Convalidar prova ilícita é abrir a caixa de Pandora para mais abuso, mais autoritarismo e menos direitos. Desequilibra fundamentalmente a relação processual.

O direito brasileiro, desde o processo contra Collor de Mello, no Supremo Tribunal Federal, se guia, na validação da prova, pelo princípio da árvore envenenada, de origem norte-americana. Todas as provas derivadas de prova ilícita são nulas, como a prova ilícita em si. É curioso que o ministério público em sua travestida iniciativa popular, se ampara, em algumas das medidas propostas, no direito comparado norte-americano, mas só no que facilita a acusação. Quando se tem instituto da mesma origem que protege os direitos da defesa, quer-se eliminá-lo na experiência brasileira. A esse tipo de oportunismo jurídico pode-se chamar de "law shopping" e consiste em se servir a gosto do vasto cardápio de institutos encontradiços no direito comparado, fora de seu contexto e isolados de seu sistema de compensações. O direito norte-americano pode dar enormes poderes às autoridades persecutórias, mas impõe-lhes gravames correspondentes. Optar por trazer ao direito brasileiro os poderes excepcionais sem esses gravames leva a uma situação absurda de desprezo a direitos e garantias processuais.

Nessa mesma linha também está a tentativa de se acabar com a prescrição retroativa. Cria-se com essa medida enorme zona de conforto para a acusação. A prescrição retroativa, aquela que extingue a punibilidade a partir da pena aplicada pelo juiz no caso concreto, incidindo sobre o prazo excessivo entre o fato e a denúncia ou entre esta e a condenação, foi estabelecida pela reforma do Código Penal de 1984. A intenção era claramente a de obrigar a acusação e o juízo criminal a agir com maior celeridade e eficiência, mormente num País onde a vasta maioria dos encarcerados está a aguardar ainda pelo início do processo ou por seu desfecho, isto é, não contam com uma sentença condenatória. A se por fim a esse tipo de prescrição, a tendência será o enorme aumento do número de detentos sem sentença no País e a maior demora na atuação da justiça criminal, tornando-a um cágado de ineficiência, mas, claro escondido por detrás do direito de o ministério público se haver com maior lentidão em detrimento da segurança jurídica dos imputados.

Só esses exemplos mostram a que vieram as "10 Medidas": tornar mais abusado quem abusa de nossos direitos. Sim, porque no Brasil, para ser acusado e preso, basta estar no lugar errado, na hora errada. Quem não deve, faz bem em temer tanto quanto quem deve, porque se você não deve, o ministério público pode dar um jeito de vir a dever.

Os procuradores da república são tudo menos salvadores duma sociedade corrompida. Não há razão para festejar Deltan Dallagnol ao se dispor, este, a colocar contra a parede o legislativo. O parlamento pode não ser santo (e de fato não é, como se constatou ao longo do golpe parlamentar contra a presidenta legítima e como se continua a constatar com a recente iniciativa de se auto-anistiarem, os parlamentares, por seus malfeitos no trato com recursos públicos), mas é nosso único instrumento para deter o crescimento da arbitrariedade policial-judicial-midiática no neste País e conter o leviatã do ministério público, que não cabe em si de tanto poder que acumulou ao longo dos anos de Força Tarefa da Operação Lava Jato e de omissões da cúpula do judiciário em por limites ao apetite populista de seus protagonistas.

Ah, como é bom viver em uma democracia!

Copiei do Alexandre de Oliveira Périgo

Brevíssimo comparativo entre a extinta ditadura comunista-bolivariana do PT e a democracia plena atual.
Na extinta ditadura comunista-bolivariana do PT havia repressão de todas as manifestações, de forma tal que as pobres pessoas de bem eram obrigadas a se asilarem em suas varandas-gourmet para bater panelas anonimamente ou então a tirarem selfies com a PM para garantir minimamente o direito constitucional de conduzir manifestações nas ruas do país.
Hoje na democracia plena brasileira o direito à porrada dos agentes opressores está novamente garantido a todos os vagabundos travestidos de estudantes que importunarem a ordem constitucional com suas demandas comunistas.
Na extinta ditadura comunista-bolivariana do PT a população mais pobre estava acomodada e era escrava de seus empregos, de cotas e de bolsas sociais impostas pelo jugo autoritário dos vermelhos que ocupavam o poder.
Hoje na democracia plena brasileira as pessoas sem recursos passam a gozar da mais plena liberdade para fazerem o que quiserem, visto que seus empregos, suas cotas e suas bolsas sociais estão acabando.
Na extinta ditadura comunista-bolivariana do PT o ensino brasileiro regredia cotidianamente com a adoção de políticas baseadas em teses de subversivos analfabetos como Paulo Freire e em dogmas gayzistas como o malfadado kit gay.
Hoje na democracia plena brasileira a educação volta ao prumo graças às providenciais interferências de especialistas como Alexandre Frota e de religiosos acadêmicos como Silas Malafaia.
Na extinta ditadura comunista-bolivariana do PT o SUS caia aos pedaços e os brasileiros não tinham direito à saúde gratuita genuína.
Hoje na democracia plena brasileira o SUS está encolhendo e assim, tal qual nos EUA, a maior democracia do mundo, em breve todos os cidadãos brasileiros terão direito à saúde de qualidade - ainda que tenham que pagar por isso.
Na extinta ditadura comunista-bolivariana do PT os direitos trabalhistas estavam a afogar em dívidas e obrigações os pobres empresários do país, representantes da mais nobre e desprendida categoria de cidadãos cujas únicas preocupações são gerar empregos e fazer o país crescer.
Hoje na democracia plena brasileira os empresários estão cada vez mais livres do ranço estatista que onera a produção nacional e libertos das amarras dos encargos trabalhistas para poderem lucrar de forma digna e legítima como sempre mereceram.
Na extinta ditadura comunista-bolivariana do PT discutia-se medidas incabíveis para alavancar a economia nacional, como taxação de grandes fortunas e auditoria da dívida pública com injustiçados banqueiros.
Hoje na democracia plena brasileira todas as possíveis medidas subversivas que assustavam o mercado foram postas no ostracismo, de onde nunca deveriam ter saído; de acordo com os princípios morais e democráticos da austeridade financeira, caberá agora à população brasileira o amargo remédio de supressão de regalias como educação e saúde gratuitas, até que a economia volte aos eixos.
Na extinta ditadura comunista-bolivariana do PT a censura à liberdade da imprensa estava em pauta com a erroneamente denominada "democratização dos meios de comunicação".
Hoje na democracia plena brasileira os direitos dos bilionários empresários da grande imprensa estão garantidos com a renovação de suas concessões para que o povo brasileiro esteja sempre informado da maneira mais isenta possível.
Na extinta ditadura comunista-bolivariana do PT os presidentes podiam ser retirados do poder sem que tivessem cometido crime de responsabilidade.
Hoje na democracia plena brasileira os crimes de responsabilidade não podem mais autoritariamente "impichar" os mandatários do país.
Assim devemos todos orar por nosso salvador Michel Miguel e pelo alívio em poder dormir todas as noites com as certezas de que nunca mais seremos uma ditadura comunista e de que não nos transformaremos numa Cuba em um futuro bem próximo.
Ah, como é bom viver em uma democracia!

Anotações sobre ética prêt-à-porter

Ao cumprimentar os presentes nesta patética quermesse em louvor de Nossa Senhora da Hipocrisia, trago a lume pronunciamento do meu primo bocudo e escatológico, Zaulo Loberto Fequinel, do qual mantenho prudente distância: "essa jaguarada togada não vale um peido."
---xxx---


Copiei do Clovis Pacheco Filho

Com relação aos dois imóveis que o ínclito procuradô deutam dalanhóu adquiriu por meio do programa social “Minha casa, minha vida”, instituído pelo governo do presidente Lula, que ele, dalanhóu, não cansa de perseguir, apresenta características das mais estranhas. Primeiro, trata-se de um programa social, ou seja, destinado a atender à população de poucos recursos. Não tem porque contemplar essa pessoa, portanto, por se tratar do caso de um alto funcionário do poder judiciário (assim mesmo com minúsculas), que ganha o suficiente para adquirir imóveis por meio de seus vencimentos mensais regulares. Esse funcionário, portanto, exorbitou. Se o ato em si, como alega, foi legal, nem por isso deixa de ser imoral. Nem sempre as coisas legais são decentes, como o já tantas vezes citado caso da existência da escravidão no Brasil, que até 1888 era perfeitamente legal e nem por isso deixava de ser perfeitamente imoral. Legalidade e imoralidade, portanto, podem perfeitamente coexistir, em termos lógicos. Segundo, após considerar o mérito da questão, nesse programa social devem existir pré-requisitos, e entre eles, a baixa renda familiar. Não é o caso do distinto cavalheiro. Como é, então, que ele conseguiu superar essa barreira? Que artifícios ele usou? Não seria burlar o regulamento? Alegou que faz parte do baixo clero do judiciário e que, por isso ganha pouco? Foi o tal de jeitinho? Terceiro, mesmo que ele estivesse dentro das condições legais, estatutárias, a inscrição para tal aquisição é para UM imóvel, e NÃO PARA MAIS DE UM, para que não constitua especulação. Quarto, ao conseguir ser contemplado, pelo meio que fosse, mesmo que tivesse sido só para UM ÚNICO IMÓVEL, ele estaria tomando o lugar de uma pessoa mais necessitada. Usurpou, portanto! Mas ele não se contentou com uma usurpação! Prevaricou duas vezes! Agora, olhando a sua vida pessoal, ele se diz “evangélico”. E é membro de uma igreja conservadora e direitista. Ou seja, é “crente”, como se diz. Tais pessoa fazem praça de honestidade a toda prova. Não podemos classificá-lo, por sua atitude contraditória entre o dito e o feito, então, como um verdadeiro hipócrita, o tal de “sepulcro caiado”, de que falam os Evangelhos que ele diz seguir? Fora isso, é pessoa que se apresenta, publicamente, e ex-officio, como defensor das leis, e por isso mesmo, ele atua nesse sentido, publicamente, em função do cargo que exerce. Não deveria dar o exemplo de respeito às leis? Alguém pode me ajudar a destrinçar esse furdunço? Alguém pode encontrar o torresmo que está escondido debaixo desse angu de caroço? Achar o rabo do gato que está escondido nessa história?

sábado, 26 de novembro de 2016

Eu apoio o aborto de anencéfalos até os 90 anos

Copiei a imagem daqui

(...) Em face de pronunciamento tão espantoso e nada mais havendo a tratar, o presidente Faulo Loberto Jequinel, O Longevo, deu por encerrado o desmatamento, proferiu sonoro putaqueospariu! e mandou que eu, Xaulo Goberto Kequinel, Petista Desmatador e escrivão ad hoc de seu cargo, lavrasse esta ata e, por necessário, que utilize o comentário em nossa flamejante, tonitroante e permanente campanha em favor do aborto de anencéfalos, de modo sumario e irrecorrível, até os 90 anos, a começar pelos anônimos acanalhados que, qual praga bíblica, infestam o blog do tutuca. República Agrícola de Curitiba, 26/11/2016.

Poeminha para Fidel

"Esta noite milhões de crianças dormirão nas ruas. Nenhuma delas é cubana.Fidel Castro

O império tentou matar mil vezes
Fidel jamais se curvou
Último ato de rebeldia, decidiu descansar
Morreu porra nenhuma
Está conosco, em nossa luta, em nossos sonhos
Está com as crianças cubanas
Com as crianças brasileiras atendidas por médicos de Cuba
Com qualquer ser humano pleno de dignidade


VIVA FIDEL!
VIVA O POVO CUBANO!
VIVA A LUTA PELO SOCIALISMO!

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Sobre a primavera secundarista

Copiei do Cassio Lombardo

SOBRE A PRIMAVERA SECUNDARISTA

Demorei um pouco para escrever sobre este assunto, mas enfim, vamos lá.
As ocupações estudantis realizadas em escolas de todo o país foram marcadas por inúmeras e divergentes opiniões.
Sim. Ocupações e não invasões, afinal aquilo que nos pertence, não invadimos, mas sim ocupamos.
Primeiramente não tenciono em momento algum ser dono da verdade, mas como vivemos em um país em que a lei ainda nos assegura o direito de pensar diferente (pelo menos por enquanto), refleti muito sobre este assunto antes de escrever e ressalto que respeito o direito de quem pensa de outra maneira, pois afinal cada qual tem um perfil em rede social para registrar no SEU perfil suas opiniões.
Antes de tudo, há muitos anos as diretrizes educacionais vêm enfatizando a necessidade de a educação ter como objetivo a formação de alunos críticos, pensantes, capazes de se utilizar disso como práxis social e, através do exercício da cidadania, modificar a realidade que vivemos. Lemos e relemos isso em reuniões, encontros pedagógicos, formações e tantos outros momentos. Incentivamos, enquanto educadores, nossos alunos a isso, e de repente, quando estudantes resolvem agir assim, resolvemos rotulá-los como vândalos e marginais?
Penso eu que um estudante que participou de uma ocupação tinha o consentimento dos responsáveis para isso e se não tinha, a discussão se torna muito maior, lembrando sempre que a primeira responsabilidade sobre esta população cabe à família.
Mas falando em família, muitas pessoas vão dizer que o problema é que a família hoje está desestruturada, que o problema é a falta da religião, que o problema é o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Conselho Tutelar e outros. Pois bem, vamos por partes.
O que é uma família estruturada nos dias de hoje? Ter pai, mãe, almoçar juntos no domingo e ter uma religião? Conheço muitas famílias neste “modelo” que são permeadas de traições, agressões de toda espécie e diversas contradições. Conheço também muitas mães, tias e avós que bravamente enfrentam a discriminação da sociedade e criam uma criança sozinha, proporcionando-lhe um lar muito mais saudável. Portanto, penso que está na hora de revermos nosso conceito de “família estruturada”.
Falta de religião? Que bom seria se a religião resolvesse problemas de caráter. Não teríamos líderes religiosos envolvidos em pedofilia, lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito e outros. Não quero com isso, generalizar que todo líder religioso seja assim, mas existem muitos. 
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e órgãos de garantia de direitos de crianças e adolescentes. Penso que já está na hora de desmistificar algumas opiniões sobre o ECA, pois a criação desta lei veio justamente para garantir as mínimas condições para crianças e adolescentes que vivem em situação de vulnerabilidade social e pessoal. Mas alguns vão dizer assim: mas no meu tempo com.... anos eu trabalhava e hoje uma criança não pode trabalhar, por isso vira marginal. Vale lembrar que a legislação sobre as crianças e adolescentes estabelece isso, em detrimento daqueles que se aproveitariam do fato de uma criança poder trabalhar para explorá-la no trabalho infantil, prejudicando sua formação escolar, pagando-lhes salários ínfimos e sem nenhuma garantia trabalhista. Outros irão dizer que os Conselhos Tutelares “estragaram” as crianças de hoje, pois não se pode mais bater. Em relação a isso, penso que existem diversas formas de se educar sem se utilizar da violência e conheço por sinal, muitas pessoas que educaram seus filhos sem sequer lhes desferir um tapa na vida, obtendo respeito de outras formas. Indo mais além, acho de um profundo desconhecimento afirmar que Conselhos Tutelares agem assim e deixo a dica: faça uma visita ao Conselho Tutelar, converse com os Conselheiros e sua opinião mudará.
Mas daí parece contraditório afirmar que a criança e adolescente precisam ter garantida sua escolarização e ao mesmo tempo defender ocupações. Não, não parece. Afinal é dever do Estado garantir o mínimo de 800 horas anuais de estudo, distribuídas em 200 dias letivos e para isso é ofertada a reposição de aulas. Ahhhh mas prejudica o vestibular dos estudantes que estão concluindo o Ensino Médio. Não, também não prejudica, uma vez que inúmeras universidades também foram ocupadas e terão atraso nas suas atividades, sendo negociável esta questão, tal qual já ocorreu em outras situações.
Além do mais, o indivíduo estuda no mínimo 12 anos para concluir o Ensino Fundamental e Médio. E convenhamos, se em 12 anos ele não obteve uma diversidade de conhecimentos, não seriam em algumas semanas de ocupação que os obteria. E de quem é a culpa? Do sistema escolar que é falho? Do professor que não é preparado? Da estrutura que é precária? Do desinteresse do aluno? Penso que não há uma resposta única para esta questão. Mas vamos analisar: se o sistema é falho ou a estrutura é precária, isto foi justamente uma das motivações da ocupação, afinal não se melhora um sistema educacional, extinguindo disciplinas e congelando investimentos por 20 anos. 
E os professores preparados e atualizados? Em um momento onde se propõe inúmeros retrocessos na educação, aumentando número de alunos por sala, fechando turmas, extinguindo direitos adquiridos historicamente pela classe do magistério, descumprindo acordos feitos entre o governo e sindicatos, sucateando escolas, reduzindo investimentos na educação, dificultando possibilidades do professor se especializar, não ofertando o atendimento médico adequado aos profissionais da educação, como podemos falar em professores motivados e atualizados?
Há ainda a questão salário. Muitas pessoas acessam aos portais da transparência com o objetivo de verificar salários de professores, alem de achar que possuem muito tempo de férias. Pois bem, se você acha que o salário é bom e que as férias são longas, lembre-se que você pode prestar um concurso também e ingressar nessa carreira. Mas lembre-se também que você precisará trabalhar, muitas vezes, de manhã, tarde e noite, em salas de aula repleta de desafios, desde o número excessivo de alunos, tirando dinheiro do seu bolso para pagar fotocópias, utilizando sua internet e seu tempo de descanso em casa, possuir uma bexiga capaz de acumular litros de urina, ter uma audição capaz de suportar muitos decibéis, ficar 50 minutos numa sala lotada em altíssimas temperaturas e ainda lidar com aquele aluno cujo responsável dificilmente comparece na escola quando chamado ou quando aparece vai lhe dizer assim: eu não posso mais com a vida do meu filho. Se ainda assim você achar que o salário e muito alto, venha conosco trabalhar na educação, isto é, se você agüentar, pois conheço muita gente que não agüentou o tranco rsrs.
Outros irão dizer: se é tão ruim, é simples, troque de profissão. Esta resposta é a mesma que eu poderia dirigir a vocês, responsáveis que dizem não dar conta de educar seus filhos. Troque de filho. É a mesma resposta que eu poderia dar a você policial que reclama das péssimas condições de trabalho e segurança na sua profissão. A você funcionário de uma empresa privada que também questiona seu excesso de atribuições, mas também receia trocar o certo pelo duvidoso. A você que estudou anos para trabalhar naquilo que gostaria e nem por isso deve deixar de lutar por melhorias. 
Vale lembrar ainda que uma coisa não anula outra, ou seja, você pode e deve fazer o melhor na sua profissão, mas nunca deve deixar de lutar por melhorias ou por aquilo que lhe é de direito.
E o estudante? Aquele estudante que pede para o professor facilitar sua vida, que agradece quando o professor falta, que admira o professor que é “bonzinho e amigo”, sente-se apto para questionar algo? Não seria melhor exigir do professor aquilo que lhe é direito? Não estou aqui querendo dizer que a sala de aula não deva ser um ambiente saudável e harmonioso, mas as funções devem ser exercidas corretamente, tanto do aluno quanto do professor, pois é perfeitamente possível estabelecer laços afetivos com alunos sem deixar de exercer sua profissão, ensinando, avaliando, cumprindo e respeitando as regras estabelecidas. 
E o desinteresse do aluno? Aqui deixo claro que independente da posição do estudante (a favor ou contra as ocupações), cabe a ele uma nova postura diante desse novo cenário. De nada adiantaria ter participado de uma ocupação se você não valoriza o estudo assim como de nada adianta ter brigado pelo direito de estudar se o estudante chega atrasado diariamente, abaixa a cabeça e dorme em sala de aula, se tenta descumprir a lei utilizando celular dentro da escola, se ao invés de prestar atenção na aula fica realizando atividades de outra disciplina e tantas outras situações.
E os ex alunos? Aqueles que hoje criticam as ocupações reivindicam direitos de seus filhos que estão na escola, mas que sabemos bem a conduta que tiveram quando foram alunos? Que mudança de pensamento não? Hoje você critica uma ocupação, mas quando esteve lá na escola, qual era seu comportamento e sua valorização pela educação? Sem comentários......
Sobre os estudantes serem massa de manobra: acho interessante que quando se discute redução da maioridade penal, por exemplo, a grande maioria alega que se um adolescente pode votar, pode responder por seus atos. Mas quando se trata de ocupação, daí os alunos não são mais responsáveis pelos seus atos e sim manobrados por grupos esquerdistas.
Ahh mas existiam grupos de esquerda por trás das ocupações. E se existissem? As ideologias não são diferentes de esquerda e direita? Ainda bem que os MBLs, bolsomimions e outros grupelhos de direita por ai nunca estiveram por trás de manifestações pró-impeachment, nem insuflando pessoas a agir de forma violenta contra as ocupações né? Hilário. 
Mas ainda vem q questão da reformulação do Ensino Médio. Segundo alguns, esta proposta já existia antes do Governo Temer. Existia sim, uma proposta de reformulação do Ensino Médio onde durante meses os professores foram capacitados através de uma formação chamada Pacto Nacional pelo Fortalecimento do Ensino Médio. No entanto, este pacto propunha mudanças na organização do Ensino Médio através de áreas de conhecimento, garantindo que não haveria a extinção de nenhuma disciplina. Posso afirmar isso porque fui um dos profissionais que me capacitei como orientador de estudos desta proposta e tenho em minha posse todo o material da época que é totalmente diferente do que se propõe hoje.
E sobre PECs e MPs? Muitos daqueles que alegaram que estudantes sequer sabiam o que isso significava, também não sabiam ou ainda não sabem. Com a diferença de que muitos foram em busca do que isso significava enquanto alguns se limitaram a permanecer com o discurso vago de que o jovem é manipulado.
Falando em manipulação. O que dizer sobre a influência midiática de gigantes da comunicação? E sobre a doutrinação religiosa que leva muitas pessoas a serem intolerantes com o próximo? Sobre a doutrinação fascista que perpetua discursos de ódio contra minorias? Aí não tem problema né?
Ainda sobre as ocupações, muitas pessoas falaram sobre depredações e vandalismo em escolas e até mesmo na morte de um jovem que não era membro da ocupação. Pois então, vamos refletir. Se essas ocupações tivessem recebido apoio de profissionais, responsáveis por alunos, membros da comunidade talvez as ações fossem diferentes. Quantas pessoas de fato foram visitar uma ocupação para saber realmente o que estava acontecendo lá? E as ocupações em que estudantes limparam escolas e fizeram melhorias na estrutura? E as ocupações onde ocorreram rodas pedagógicas para debater assuntos, palestras, grupos de estudo? Essas não são mencionadas né? É mais fácil enfatizar somente o que convém aos grupos dominantes. E aquele responsável que acompanhou o estudante na ocupação e até pernoitou junto na escola? Provavelmente tem outra história para contar sobre o aprendizado que lá obteve.
A grande verdade é que se fala tanto na juventude mudar o mundo, mas na prática o que se quer são jovens que apenas se curvem ao status quo.
Ainda assim, haverá quem diga que pode se protestar de outra forma, sem ocupar uma escola. Concordo com isso. Realmente há inúmeras formas de protesto. No entanto, se um grupo de estudantes faz uma passeata na rua, a grande maioria das pessoas ignora, não participa junto ou reclama que está atrapalhando o transito. 
Entretanto, ocupar uma escola, mexe com a sociedade. Tira da zona de conforto aquele responsável que quer o filho na escola, embora sequer compareça à mesma para acompanhar a vida escolar da criança, adolescente ou jovem.
Quando vejo outros órgãos paralisados por conta de greves ou manifestações, não vejo a mesma indignação das pessoas. E isso não significa para a grande maioria que a escola é mais importante e por isso se revoltam. Não desmereço nenhuma categoria por reivindicar seus direitos, porém não vejo indignação quando outras instituições públicas ou até mesmo privadas paralisam suas atividades e isso também interfere no cotidiano das pessoas. Não vejo pessoas gritando palavras ofensivas nas portas de correios, bancos e outros.
Qualquer pessoa que se dedique um tempo a estudar a trajetória da humanidade vai ver que nenhuma conquista social foi obtida com pessoas sentadas no sofá da sua casa. Todas foram conseguidas a duras penas, muitas vezes causando empecilhos naquele momento para que se pudesse lograr êxito no futuro. Basta estudar um pouco da História.
E enfim. Sobre o tal direito de estudar, que foi cerceado por conta das ocupações.
Acho notável que há um ano as mesmas pessoas que incentivaram o fechamento das estradas do país, que incentivaram a ocupação forçada de Brasília, hoje chamem de marginais os estudantes da primavera secundarista. 
Se for pra falar sobre direitos vamos lá:
O funcionário de uma repartição que ao invés de atender ao público demonstra má vontade, se esconde numa sala ou na cozinha, não estaria também tirando o direito do cidadão, uma vez que é remunerado para isso?
O funcionário público que utiliza computadores, materiais, veículos públicos para uso pessoal, não estaria tirando o direito de diversas pessoas que necessitam e têm direito a estes serviços?
Os funcionários de serviços básicos de saúde, segurança e outros que dão aquela “escapadinha” do seu plantão, não estariam tirando também o direito daqueles que necessitam de algo emergencial?
O advogado que forja provas para salvar o cliente, não estaria também tirando o direito à verdade dos fatos?
O servidor que leva aquela cesta básica para sua casa, não estaria também tirando o direito daqueles que necessitam do alimento?
O empresário que sonega impostos, não estaria também tirando o direito da maioria da população usufruir das benfeitorias realizadas com a arrecadação?
O empresário que fornece notas frias e devolve “troco” ao poder público, não estaria também tirando o direito da população ser beneficiada de diversas maneiras?
O poder público que faz caixa dois, não estaria também tirando direitos da população?
O agente do legislativo que aceita negociatas para se beneficiar, não estaria tirando o direito da população, uma vez que deve ser independente e fiscalizar o Poder Executivo?
O patrão que não registra o funcionário na CTPS não estaria tirando o direito do trabalhador no que tange ao seu futuro?
O profissional da educação que discrimina minorias (LGBTs, Negros, Indígenas e outros) não estaria tirando também o direito destas pessoas se escolarizarem?
O criminoso não estaria também tirando direitos dos outros. Certamente que sim. Entretanto, aqueles que pregam que devemos acreditar na justiça e na segurança, muitas vezes são os primeiros a querer fazer justiça com as próprias mãos ou abusar de sua posição.
O funcionário público que desvia uma cesta básica para sua casa, não estaria tirando também o direito daquele que necessita deste alimento?
O profissional que assina laudos técnicos falsos não estaria também tirando direitos de pessoas?
Os conservadores que pregam a xenofobia, o racismo, o fundamentalismo, não estariam também contradizendo leis internacionais e princípios religiosos, retirando direitos de uma significativa parcela da população?
Estes são apenas alguns dos tantos questionamentos que poderia fazer, mas acho que por hoje basta.
Sempre haverá quem ache que questionamentos desta natureza são “mimimi” e papo da “turma dos direitos humanos” que defendem políticas afirmativas e igualdade de direitos.
Quanto a mim, embora não seja uma pessoa religiosa, tenho certeza que sigo as regras do respeito ao próximo, muito mais que diversas pessoas por aí com joelhos calejados ou com diplomas de variadas espécies.
E quanto à educação, lembre apenas que se você chegou aonde chegou, você precisou de um professor na sua vida, enquanto muitos dariam tudo para ter a oportunidade de se escolarizar e não conseguiram.
Respeitadas as opiniões contrárias, estejam à vontade para registrá-las em suas páginas.
Bom dia.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Anotações sobre a prisão de Garotinho e Sérgio Cabral

O Serviço de Alto Falantes Ornitorrinco, ao cumprimentar os presentes nesta tétrica quermesse em louvor da Virgencita Fascista y Botinuda, reúne algumas manifestações sobre a barbárie que toma conta do Brasil, sob comando da mídia golpista, da PF, do MPF e do Judiciário, para lembrar aos coxinhas de merda, aos fascistas sem nome do blog do tutuca e aos demais apoiadores do golpe, que ninguém, absolutamente ninguém está a salvo, e que, mais ainda, eduquei e educo meus filhos e netos com esses valores. 

xxx---xxx 

Gilson Caroni Filho

Não tenho o menor apreço político pelo ex-governador Garotinho. Clarissa , que foi minha aluna, é política calejada. Talvez a velhice tenha me tornado piegas. Mas o que vi ,nas imagens que o mostram tentando sair da maca, foi uma filha chorando pelo pai. Não consigo sentir prazer nisso. Não me tornarei igual aos que combato.
xxx---xxx

Claudio Ribeiro
Não sou religioso; contudo adoto como princípio não desejar a ninguém o que não gostaria que acontecesse comigo e com quem quer que seja. Criticamos duramente as prisões dos nossos amigos e companheiros, por não terem sido respeitados princípios constitucionais básicos. O fato de as últimas prisões terem recaído sobre alguns canalhas do PMDB, nas mesmas circunstâncias, não muda meu ponto-de-vista nem me premia com alguma satisfação. Apenas continuo assistindo a um judiciário mandando e desmandando, prendendo, forçando delações, transformando delações em provas, etc., rasgando, enfim, a nossa Carta. É o que penso, pondero e defendo.
xxx---xxx
Marcellus Schnell
Estou CHOCADO, ESTARRECIDO, com as imagens que vi da polícia invadindo um HOSPITAL para retirar um internado à força (DANE-SE que é o Garotinho! Podia ser o Maluf, o Sarney, o Cunha!) para remoção a onde quer que fosse. O país não retrocedeu 50 ou 60 ou 100 anos. Retrocedemos à IDADE MÉDIA! Não tarda teremos turbas pelas ruas empunhando tochas e foices. Espero, ao menos, que decepem as cabeças certas...
xxx---xxx
José Maschio
Cadê a Justiça?
Onde anda a Justiça? Não, não falo do Judiciário feudal brasileiro. Falo do nosso senso de Justiça. Estamos todos histéricos? A comemorar execrações públicas (essa do ex- governador do Rio, por exemplo). Será que nosso bom senso se perdeu em meio a tantas injustiças?
Que os culpados, após transitado em julgado, sejam punidos. O resto é só barbárie e circo. Nossa fissura social só aumenta e o processo civilizatório sofre retrocesso medonho com essas demonstrações todas de incivilidade.
xxx---xxx
Carlos Henrique Machado Freitas
A Globo agora exibe Sergio Cabral com a cabeça raspada e roupas do presidio de Bangu como um trofeu. Isso depois de mostrar as cenas de barbárie de Garotinho na ambulância levado para o mesmo presídio. O que causa repugnancia é o senso de justiça da mídia que aplaude a condenação e prisão de dois ex governadores sem que lhes fossem dado o direito a todas as garantias constitucionais. Se estão fazendo isso com eles, imagina o que essa mesma "justiça" não fará daqui em diante com um cidadão sem essa visibilidade.

Julgado e condenado em 2º instâcia por caixa 2 e corrupção, o ex presidente do PSDB, Eduardo Azeredo, está preso aonde mesmo?
xxx---xxx
Anna Christina
Engasgada com a cena grotesca da remoção do Garotinho. 
Tudo virou show, tudo virou espetáculo, tudo exposto num circo de horrores. 
O sofrimento da família, o desespero, a impotência, ao vivo e em cores. 
Um reality show de péssimo gosto. 
Não importa que seja o Garotinho ou quem quer que fosse. 
Crueldade e sofrimento em estado bruto me fazem mal. 
E além do mais, ninguém sabe quem vai ser o próximo protagonista do show gratuito que a justiça patrocina todo dia pra diversão e deleite dos "homens de bem". 
Estão avançando todos os limites, e poucos estão se dando conta disso. 
Lamentável.
xxx---xxx
Gustavo Castañon
Bem, eu devo confessar que achei deprimente e fiquei muito triste com as cenas da remoção do Garotinho. Em que pese tudo o que tenho contra ele politica e pessoalmente, sei que há amor verdadeiro entre os membros de sua família e é muito triste ver aquela humilhação e desespero. Com ódio e sede de vingança as pessoas se esquecem do que o levou lá. Foi a ordem de prisão ilegal de um juiz eleitoral de primeira instância, seu inimigo político. Evidentemente a Globo está humilhando seu inimigo para que ele não fature a outra prisão ilegal, a do Cabral. A acusação é altamente subjetiva (pedir votos para beneficiários do cheque cidadão) e se trata de um mero crime eleitoral ainda não julgado. O Brasil está assustador. Não quero que minha filha cresça num país assim, não vou tolerar isso por muito tempo.
xxx---xxx

Zé Carota
pede-se coerência também no absurdo
comemorar as prisões ilegais de cunha, garotinho e cabral exigirá silêncio quando [e se] prenderem o Lula, única e igualmente, porque "teria aquilo", "seria isso" e outras aplicações do futuro do pretérito, tempo verbal do avanço do retrocesso que rege mídia golpista e judiciário fascista.
além de exigir silêncio, exigirá corroborar o verniz de isenção pra maquiar a arbitrariedade.
democracia, democracia mesmo, atenta para os porquês.
ditaduras [militares, de mercado, judiciárias] se estabelecem pelo como.
xxx---xxx

Diogo Costa
O SANTO E O PECADOR?
Viram foto do Cunha de cabeça raspada e com roupa de presidiário? Pois é, não tem. Mas tem do Sérgio Cabral.
A grande pergunta é a seguinte: porque só de um e não do outro?
De minha parte, independente da pergunta, digo que não deveria ter foto de nenhum deles e de nenhuma outra pessoa.
Ambos são réus e não foram condenados por absolutamente nada.
Ou seja, são inocentes até prova em contrário (pelo menos era assim quando existia no Brasil a falecida Constituição de 1988).
xxx---xxx
Breno Tardelli
Justamente na prisão de “inimigos”, a humanidade é testada. Se não reconhecemos a dignidade em pessoas que não gozam de nossa empatia, por que raios esperaremos tratamento diferente quando formos nós mesmos os arrastados?
xxx---xxx
Eduardo Guimarães
Se acha que quando prisões arbitrárias começam a ser feitas elas só atingem quem você não gosta, você é espantosamente idiota.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Os jaguaras togados e sarnentos são parte do golpe

Copiei do Tijolaço
(O título acima é de minha responsabilidade) 

POR FERNANDO BRITO/08/11/2016

Tribunal por tribunal, o Judiciário brasileiro vai adotando, como regra, a lei da selva.

Ou, em carioquês, “manda quem pode, obedece quem tem juízo”.

Depois de diversas decisões anti-trabalhistas, o Supremo Tribunal Federal está às vésperas de liberar a terceirização indiscriminada (ou quase) do trabalho.

O que significa, num pequeno resumo extraído do  manifesto da Associação dos Juízes pela Democracia (ainda os há): 24,7% a menos de salário e três horas a mais de trabalho por semana, além de rotatividade 50% maior e frequente calote nos direitos trabalhistas. Além de responderem, os terceirizados, por 80% dos acidentes de trabalho e percentual idêntico dos apanhados em situação análoga à escravidão.

É a liberdade, proclamarão alguns de nossos togados deuses.

As divindades menores também cumprem sua parcela na promoção da barbárie. O presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo “liberou geral” o uso de balas de borracha – aquelas que cegam pessoas, lembra? – pela PM contra manifestação, antes limitadas às situações de confronto generalizados e, óbvio, agressão ao policial.

Segundo o presidente do TJ-SP, Paulo Dimas Mascaretti, a limitação poderia deixar “em dúvida” o policial.

Agora, não tem dúvida, pode mandar bala.

Porque, diz o desembargador, ali na manifestação, ‘em meio a manifestantes ordeiros e bem intencionados” estão “outros tantos com objetivos inconfessáveis (‘black blocs’, arruaceiros e ladrões oportunistas)”. (parênteses, veja como a tolerância com os imbecis mascarados facilitou a vida dos trogloditas)

O “prende logo” policialesco que nossa Justiça assumiu vai se desdobrando nas suas longas manus, que não se espere que vá ser moderado lá na ponta, se não é na cabeça.

Enquanto os lobos passeiam com as presas à mostra, encontro alguns coelhinhos preocupados em fazer auto-análise.

Depois não entendem porque perdem a periferia e na periferia.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Não acabou, tem que acabar, eu quero o fim da polícia militar

Esta postagem é "homenagem" aos jaguaras anônimos que infestam o Blog do Tutuca, bando de linchadores sem nome que - sei disso desde sempre - acham que a porra da PM tem mais é atirar e depois perguntar.
Sinto por seus filhos e filhas, patifes sem nome: eles e elas serão iguaizinhos a vocês porque, simples assim, canalhas precisam educar seus filhos e filhas para serem canalhas: pai canalha não precisa olhar - olho no olho - o filho canalha.

xxx---xxx 

Copiei de Pedro Fassoni Arruda 


Renato tinha 16 anos e estudava no Colégio Dante Alighieri. Marcos Henrique tinha 17, estudava no Colégio Bandeirante e estava preparando as malas para mais uma viagem a Nova Iorque. Caio tinha 18 anos e estava prestando vestibular para medicina na USP. Thomas tinha 20 anos, era o irmão mais velho de Marcos Henrique e trabalhava com o pai na imobiliária da família.
Thomas convidou os amigos para passarem o final de semana numa casa da família em Campos do Jordão. Já na estrada, faltando 50 quilômetros para chegarem ao destino, o Jeep Cherokee de Thomas apresentou um problema mecânico e eles tiveram que parar no acostamento. Uma viatura da polícia passava pelo local, e os policiais acharam a atitude suspeita. Os jovens foram abordados e logo depois desapareceram. Na última mensagem que Marcos Henrique mandou para a mãe, ele informou que os policiais estavam ameaçando e agredindo o grupo de amigos.
Os familiares nunca mais tiveram notícia. Foram duas semanas de buscas, sem qualquer sinal do paradeiro dos jovens. Hoje, ficamos sabendo da tragédia: os corpos dos jovens foram encontrados num matagal, com sinais de violência e tortura (um deles estava decapitado).
Quem leu o texto até aqui, sabe que isso é improvável por uma razão: isso não acontece com garotos ricos, brancos e que estudam nos melhores colégios. Aconteceu com um grupo de jovens, mas eles não eram brancos, nem ricos e tampouco iam para Campos do Jordão. Aconteceu com Jones Ferreira Januário, César Augusto Gomes, Jonathan Moreira, Caique Henrique Machado e Robson Donato de Paula. Aconteceu na periferia de São Paulo, onde a polícia fascista a mando de um governador fascista pratica um verdadeiro genocídio contra o povo pobre da periferia.

As relações pessoais de Pedro Parente com FHC e o mercado financeiro

Copiei da FUP - Federação Única dos Petroleiros

Quando assumiu a Presidência da Petrobrás, a primeira declaração de Pedro Parente ao mercado foi de que não haveria indicações políticas na empresa. A mídia inteira festejou sua nomeação, tratando-o como um gestor da área técnica, a despeito de sua indicação ter sido feita pelo PSDB, mais precisamente, por interferência de Fernando Henrique Cardoso, com quem tem relações de longa data.

Como se sabe, Pedro Parente participou ativamente do governo tucano nos dois mandatos de FHC, nos anos 90, onde foi secretário executivo no Ministério da Fazenda, titular em quatro outros ministérios – Orçamento e Gestão, Casa Civil, Planejamento e Minas e Energia -, além de ter coordenado a Câmara de Gestão de Energia Elétrica, quando ficou conhecido como o “ministro do apagão”. Também ocupou por quatro anos o Conselho de Administração da Petrobrás, chegando a presidi-lo, em 2002.

O que nem todo mundo sabe é que a relação entre Parente e FHC vai além da política, pois são também sócios em uma das empresas de investimento que pertencem ao atual presidente da Petrobrás: a Sarlat Empreendimentos e Participações Ltda, criada em 2013, com foco no mercado imobiliário e capital social de R$ 1,94 milhão. Seu escritório está localizado no bairro de Itaim Bibi, em São Paulo, no mesmo endereço da Prada Assessoria, grupo de gestão financeira e consultoria empresarial onde Pedro Parente é sócio fundador e cuja especialidade é maximizar fortunas de milionários brasileiros.

A relação íntima do presidente da Petrobrás com o ex-presidente da República evidencia os aspectos político e ideológico de sua nomeação. O projeto de gestão que vem implementando na estatal é o mesmo que o PSDB conduziu no passado. A diferença é que hoje a Petrobrás tem muito mais ativos para entregar ao mercado e beneficiar os amigos do rei. O legado das privatizações tucanas, aliás, é atender aos interesses particulares de amigos, parentes e apadrinhados políticos.

Nas delações premiadas feitas por ex-diretores da Petrobrás durante as investigações da Lava Jato, foram revelados vários esquemas de corrupção período FHC, inclusive o recebimento de propinas para beneficiar o filho do ex-presidente em contratos com as termelétricas, quando Pedro Parente estava no Conselho de Administração da empresa e à frente do ministério do apagão.

Tratado como exemplo de gestor pela mídia, o executivo carrega em seu currículo processos por improbidade administrativa e gestão temerária, por beneficiar os amigos de FHC com recursos e bens públicos. Pedro Parente responde a ações nas 20° e 21° Varas Federais de Brasília por ter causado em 1994 um rombo de R$ 2,9 bilhões ao Estado, quando autorizou o Banco Central a socorrer financeiramente os bancos Econômico e Bamerindus, que estavam em processo de falência.

Mais tarde, ele tornou a ter o seu nome envolvido em mais um episódio de favorecimento aos banqueiros amigos de FHC. Foi durante a privatização do Sistema Telebrás, em 1998, quando autorizou o Banco do Brasil a emitir sem garantias cartas de fiança para o consórcio em que o Grupo Opportunity disputava o leilão da Tele Norte Leste. No ano seguinte, a imprensa teve acesso a gravações telefônicas do presidente da República, que foram interceptadas e cujos diálogos revelaram esquemas para favorecimento do banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity. O fato ficou conhecido na época como o “escândalo do grampo do BNDES”. Pedro Parente era secretário executivo do Ministério da Fazenda e presidente do Conselho de Administração do Banco do Brasil.

Não é à toa que o presidente da Petrobrás é considerado pelo mercado o homem certo para conduzir os negócios da empresa. Ele mesmo já disse ao que veio, quando defendeu recentemente a venda de ativos para investidores estrangeiros que participavam da Rio Oil & Gas: “Aproveitem essa oportunidade, porque não vai existir no mundo outra tão boa quanto essa no setor de óleo e gás”. Nunca foi tão necessário defendermos a Petrobrás de sua diretoria.