SOBRE O BLOGUEIRO

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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.

domingo, 25 de junho de 2017

Eu não amo o Brasil

Copiei do Urublues

Eu não amo o Brasil. Por que deveria amá-lo? 
Houve uma época em que eu sinceramente acreditei no conto do Patriotismo. A época era outra. Eu também. Na escola cantávamos o Hino Nacional, sempre com medo de errar – afinal, era “amor eterno” ou “sonho intenso”? E aquele papo de “amor febril pelo Brasil? ”. Queriam por todo modo que fossemos todos febris e destemidos.
Além dos hinos, haviam os contos militares nos livros de história, contando anedotas como a da frase heroica de Caxias na ponte de Itororó, conclamando: “Quem for brasileiro que me siga!”.  Em todos os cantos havia o chamado a amar a Pátria, amar a bandeira, amar o hino. Por trás de tudo, na sala da Diretora, estava um general carrancudo numa foto.
Quantas vezes haviam concursos de redação com o tema patriotismo? Quantas bobagens não escrevemos contando que a cor de nossa bandeira eram os nossos recursos naturais (na verdade, o verde-amarelo eram as cores da Casa de Bragança!). Ou então dando exemplos históricos de patriotismo no Brasil, que recolhíamos em livros não muito rigorosos com a verdade histórica.
O patriotismo do tempo da Ditadura, no entanto, acabou-se que era doce quando a classe média não tinha mais como comprar fuscas ou passear em Buenos Aires e tomar uma cueca-cuela. A popularidade do governo militar e seus tecnocratas despencava na medida em que a economia vacilava. Entretanto, eu ainda não entendia aquilo tudo. Venho de uma família muito nacionalista, tanto de direita quanto de esquerda. O nacionalismo era o que nos unia. Por vezes, mesmo já me considerando de esquerda, eu me espantava, quando era rapaz, com as pessoas que criticavam o patriotismo ou que criticavam o Brasil. E o Amor Febril?
Com o passar do tempo, aquelas historias militares e aquele verde-amarelismo tosco foram sendo substituídos por sentimentos diferentes. Entendi, no começo da juventude, lutando pelas Eleições Diretas para presidente (DIRETAS JÁ!), que eu não amava mais o Brasil varonil das canções militares, aquelas que nos diziam que devíamos viver pela Pátria e morrer sem razão.
Como posso amar esse pais que se pinta todo de verde-amarelo somente às vésperas de uma Copa do Mundo, com uma bandeirinha tímida na porta das casas? Como amar o pais que no passado tinha como lema que se devia ama-lo ou então ir embora – “Brasil ame-o ou deixe-o”?
Que amor é esse?
Hoje, eu entendo este amor diferente. Eu não amo o Brasil dos manuais de Patriotismo, aquele que diz que patriotismo é amar e respeitar os símbolos: bandeira, brasão, hino. O patriotismo brasileiro é sui-generis: você tem que amar uma pátria que não te representa? Que no passado escravizou nossos avós negros e índios? Como amar um pais hoje que não respeita os direitos dos cidadãos mais pobres? Que não garante liberdade, pão e terra para todos? Como falar que o brasileiro não tem patriotismo se a Pátria ela mesma não tem brasileirismo?
Como amar um país cindido em dois, um Brasil branco e rico e o outro, preto e pobre? Um país onde os trabalhadores mais humildes sofrem com a exploração de mão de obra, com falta de acesso ao estudo, sem perspectiva de melhorar sua vida?
Eu não amo o Brasil. Eu amo os brasileiros, aqueles que extraem algum sentido do lugar sem sentido onde vivem.
Por outro lado, não se ama um país com o qual não temos laço – de família, de história, de vida. O patriotismo tal como inventado lá atrás na Revolução Francesa tinha este sentido – proteger a nós e os nossos dos “feroces soldats” da tirania. Na Primeira Guerra Mundial, em nome deste tal patriotismo, milhões de pessoas morreram como bois no matadouro pela conquista de alguns metros de terreno, ou pela glória de algum general.
O nazismo e o fascismo também foram exemplos acabados de como fazer de pessoas honestas soldados ferozes e cruéis, as buchas de canhão do patriotismo. E assim, juntando os exemplos históricos que conhecemos, não há como não concordar com a famosa frase de Samuel Johnson (1709-1784): “o patriotismo é o último refúgio do canalha”.
Portanto, eu não amo o Brasil. Não amo seus símbolos. Acho um absurdo ficar falando de patriotismo sem cidadania. Um pais que teve escravos e não tem políticas de ações afirmativas decentes é um pais a se amar? Devemos amar o Brasil como as pessoas que pregam intervenção militar dizem? Felizmente para nós, tem um problema: os militares não amam a Pátria, amam seus empregos...
Hoje, muitos outros usam o Patriotismo para ações de ódio e de xenofobia. Se escudam em noções e conceitos antiquados (e fascistas) para dizer não ao outro, ao estrangeiro. Houve até a piada-pronta de um grupo que protestou na Avenida Paulista contra a imigração (ver aqui). Como disse um humorista de plantão, “no Brasil somente os Índios tem este direito. E ali na passeata não se viu índio nenhum”.
Eu amo as pessoas que eu amo, e isso não tem país. Hoje, posso dizer que tenho amigos pelo mundo. Eu amo minha terra não porque ela é minha terra, mas porque ali estão minhas raízes, minha família, meus amigos. Tudo isso e mais uma paisagenzinha bonita, tipo uma tarde de verão na Feira-mar, em Antonina, e está feito o estrago...
Patriotismo não. Sentimento do mundo sim. Ao Brasil, eu prefiro os brasileiros.

sábado, 24 de junho de 2017

MAIS UM POEMINHA PRA SONIA

Nem que sesse desdontem
Nem que ela me desquizesse
Nem que ela me desorientasse
Nem que ela não me oiásse
Eu grudava mais Sonia
E iscrevia os verso
E maginava os poema
Só pra vê se me arreceberia
No regaço dela
Eu grudo mais Sonia
Apois se desgrudasse
Pronde eu iria
E quar minha serventia?

Poeminha para os avanços possíveis

Se não é ainda

Que seja logo depois

Logo ali na esquina

Se não podemos agora

Que recuemos dois passos

Para avançar um pouco logo ali

Se erramos hoje

Quem sabe amanhã

O acerto seja possível

Se não revolução hoje

Quem sabe a gente possa

Agora hoje e já

Dar de comer a quem tem fome

Se não mudamos tudo 

Que tal abraçar pessoas sem teto

E gente sem nada

Prefiro assim

Civilização

A essa insanidade de tudo ou nada

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Que batom na cueca, Deltan!

Copiei do GGN

Sobre palestras e a apropriação do público pelo privado
por Eugênio Aragão


Credores têm melhor memória do que devedores 
(Benjamin Franklin)

Prezado ex-colega Deltan Dallagnol,

Primeiramente digo "ex", porque apesar de dizerem ser vitalício, o cargo de membro do ministério público, aposentei-me para não ter que manter relação de coleguismo atual com quem reputo ser uma catástrofe para o Brasil e sobretudo para o sofrido povo brasileiro. Sim, aposentado, considero-me "ex-membro" e só me interessam os assuntos domésticos do MPF na justa medida em que interferem com a política nacional. Pode deixar que não votarei no rol de malfeitores da república que vocês pretendem indicar, no lugar de quem deveria ser eleito para tanto (Temer não o foi), para o cargo de PGR.

Mas, vamos ao que interessa: seu mais recente vexame como menino-propaganda da entidade para-constitucional "Lava Jato". Coisa feia, hein? Se oferecer a dar palestras por cachês! Essa para mim é novíssima. Você, então, se apropriou de objeto de seu trabalho funcional, esse monstrengo conhecido por "Operação Lava Jato", uma novela sem fim que já vai para seu infinitésimo capítulo, para dele fazer dinheiro? É o que se diz num sítio eletrônico de venda de conferencistas. Se não for verdade, é bom processar os responsáveis pelo anúncio, porque a notícia, se não beira a calúnia é, no mínimo, difamatória. Como funcionário público que você é, reputação é um ativo imprescindível, sobretudo para quem fica jogando lama "circunstancializada" nos outros, pois, em suas acusações, quase sempre as circunstâncias parecem mais fortes que os fatos. E, aqui, as circunstâncias, o conjunto da obra, não lhe é nada favorável.

Sempre achei isso muito curioso. Muitos membros do Ministério Público não se medem com o mesmo rigor com que medem os outros. Quando fui corregedor-geral só havia absolvições no Conselho Superior. Nunca punições. E os conselheiros ou as conselheiras mais lenientes com os colegas eram implacáveis com os estranhos à corporação, daquele tipo que acha que parecer favorável ao paciente em habeas corpus não é de bom tom para um procurador. Ferrabrás para fora e generosos para dentro.

Você também se mostra assim. Além de comprar imóvel do programa "Minha Casa Minha Vida" para especular (aqui), agora vende seu conhecimento de insider para um público de voyeurs moralistas da desgraça alheia. É claro que seu sucesso no show business se dá porque é membro do Ministério Público, promovendo sua atuação como se mercadoria fosse. Um detalhe parece que lhe passou talvez desapercebido: como funcionário público, lhe é vedada atividade de comércio, a prática de atos de mercancia de forma regular para auferir lucro. A venda de palestras é atividade típica de comerciante. Você poderia até, para lhe facilitar a tributação, abrir uma M.E., não fosse a proibição categórica.

E onde estão os órgãos disciplinares? Não venha com esse papo de que está criando um fundo privado para custear a atividade pública de repressão à corrupção. Li a respeito dessa versão a si atribuída na coluna do Nassif. A desculpa parece tão abstrusa quanto àquela do Clinton, de que fumou maconha mas não tragou. Desde quando a um funcionário é lícita a atividade lucrativa para custear a administração? Coisa de doido! É típica de quem não separa o público do privado. Um agente patrimonialista par excellence, foi nisso que você se converteu. E o mais cômico é que você é o acusador-mor daqueles a quem atribui a apropriação privada da coisa pública. No caso deles, é corrupção; no seu, é virtude. É difícil entender essa equação.

Todo cuidado com os moralistas é pouco. Em geral são aqueles que adoram falar do rabo alheio, mas não enxergam o próprio. Para Lula, não interessa que nunca foi dono do triplex que você qualifica como peita. Mas a propaganda, em seu nome, de que se vende regularmente, como procurador responsável pela "Lava Jato", por trinta a quarenta mil reais por palestra, foi feita de forma desautorizada e o din-din que por ventura rolou foi para as boas causas. Aham!

Que batom na cueca, Deltan! Talvez você crie um pouco de vergonha na cara e se dê por impedido nessa operação arrasa a jato. Afinal, por muito menos uma jurada ("Schöffin") foi recentemente excluída de um julgamento de um crime praticado pelo búlgaro Swetoslaw S. em Frankfurt, porque opinara negativamente sobre crimes de imigrantes no seu perfil de Facebook (http://m.spiegel.de/panorama/justiz/a-1152317.html). Imagine se a tal jurada vendesse palestras para falar disso! O céu viria abaixo!

Mas é assim que as coisas se dão em democracias civilizadas. Aqui, em Pindorama, um procuradorzinho de piso não vê nada de mais em tuitar, feicebucar, palestrar e dar entrevistas sobre suas opiniões nos casos sob sua atribuição. E ainda ganha dinheiro com isso, dizendo que é para reforçar o orçamento de seu órgão. Que a mercadoria vendida, na verdade, é a reputação daqueles que gozam da garantia de presunção de inocência é irrelevante, não é? Afinal, já estão condenados por força de PowerPoint transitado em julgado. Durma-se com um barulho desses!

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Enquanto isso, naquele voo com início em Brasília...

Copiei a imagem de Atomic Samba
A imagem pode conter: uma ou mais pessoas
Petistas malvados, completamente a revelia dos seus pais e
dos Altos Ofinoses Partidários, surpreendidos quando tramavam
mais um escracho contra os pobres jornalistas globais.
- Senhores passageiros, aqui é o comandante Xequinel. Obrigado por escolherem nossa companhia; o tempo de voo é de 2 horas, e no Rio de Janeiro teremos 30ºC, com céu aberto, exceto na sede da Globo golpista. Para nossa tranquilidade e alegria não estão a bordo os notórios jaguaras golpistas mirian leitão, gerson camarotti, cristina lobo, renata loprete, merval pereira, aquele historiador de merda, o villa, o demétrio magnolli, o ricardo boechat. Após o serviço de bordo, o Comissário Mequinel organizará o coro "a verdade é dura, a globo apoiou a ditadura!"

terça-feira, 13 de junho de 2017

Anotações sobre a pobre da filhadaputa da Mirian Leitão

1. Não sou marina esverdeada silva e, portanto, não apresento-me como candidato a santo.

2. Estou de saco cheio com o trololó todo, de modo que passo a rodar sobre a minha cabeça uma meia furada cheia de merda. 

3. E não tentem me impedir que a coisa só piora, mais merda fedida avoará!

4. Em 4 de março de 2017 eu e Sonia Nascimento, por muito pouco, não fomos agredidos por fãs de sergio moro, gente anencéfala que acredita em qualquer merda, inclusive no terrorismo da crise que a jaguara da mirian leitão ajudou a construir, a serviço da globo golpista.

5. Essa mirian leitão é uma jaguara golpista, uma serviçal do golpismo global e, mesmo que tenha sido presa pela ditadura, esse fato lamentável e doloroso não a autoriza a ser o que é hoje, e não a redime, do mesmo jeito que os calhordas do Aluízio Nunes e do Gabeira, dentre outros pulhas que pularam o muro.

6. Quero que o cu golpista dela pegue fogo, e não me falem em punição para petistas que tenham escrachado essa merda humana que participou e participa do processo de desmonte do Brasil. 

7. Um dos meus desejos recorrentes é encontrar sergio moro e dallagnol aqui em curitiba, mostrar-lhes o dedo médio ereto para dizer-lhes vão os dois para a puta ianque e golpista que os pariu.

8. Repito: quero que o cuzão golpista da leitão pegue fogo e que eu esteja no plantão do corpo de bombeiros, e no comando.

9. E tenho dito, e recolho a meia furada que tem, ainda, muita merda disponível. Estejam avisados, petistas que adoram oferecer a outra face.

PARA O MENINO TATUADO


Tatuaram tua alma

Marcaram-te para sempre

Perdoa-nos um dia, se der, menino

Nós somos a barbárie

Que está solta no Brasil

Somos as bestas

Amarramos tua alma em postes

Negamos tua humanidade
 
E te chacinamos nas periferias

Perdoa-nos um dia, se puderes

Perdoa-me, menino

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Evelin Cavalini: das mulheres que amei

Copiei do FB de Evelin Cavalini

Das mulheres que amei

A moça do armário foi meu primeiro amor, amor de jabuticaba, amor de uniforme escolar, amor de olhar comprido na esquina, amor de meio fio. Beijo tinha gosto de chiclete ploc e os olhos dela eram verdes! Eu te amei tanto que nem sabia que te amava. Ela ficou no armário, mas não cabia nós duas lá.

Quando a menina que olhava as estrelas me olhou, foi como cair do penhasco, e continuar caindo e caindo e caindo. Embaçamos os vidros do carro, embaralhamos as pernas, burlamos a lei do silencio. Porém a menina que olhava as estrelas enxergou outras constelações, em outro fuso horário, e eu finalmente cheguei ao chão.

Eu ainda estava no chão quando ouvi a voz da sereia, ela fez poções magicas que curam joelhos e almas. Ela me alimentou, lavou meus cabelos, secou minhas lagrimas. Mas ela é do mar e eu sou do ar, voa ela me disse - voei.

Enquanto contava os carros na rua debaixo do sol de novembro, eu vi ela chegar, cavalgando sua moto com seus cabelos de fogo, era como uma profecia! Amamos um amor pagão, rubro, denso de longas madrugadas cultuando nuas deuses de outrora, lutamos guerras inteiras de mãos dadas, tendo somente nossa pele como escudo contra o mundo, sangramos vermelho cru, todo mundo se machucou. Ela voltou pro olimpo. Eu voltei pra casa.

A Inominável me tomou de assalto, me perdi nos cachos do seu cabelo, ela se perdeu no meio das minhas pernas, foi desastre de avião, foi erupção de vulcão, foi gol da Alemanha. Eram duas almas perdidas tentando se perder ainda mais, era obvio! era certo! passaríamos mil anos juntas. A multidão aclamava nossos nomes e eu suspirava o nome dela. Mas Como tsunami me desabou e foi embora. Findou-se o infinito! parou o som, parou o tempo, cessou o riso...

Agora estou aqui, olhando pro mar que já se acalmou e tentando enxergar de que lado virá a próxima musa mitológica a me arrebatar.

domingo, 11 de junho de 2017

So-le-tran-do

Soletre qualquer palavra de modo que todos ouçam LU-TA!!!

Soletre temer, dallagnol, moro ou gilmar de modo que todos ouçam CA-NA-LHAS!!!

Poemas entrevados

Removi o mofo
Tomei coragem 
Revi poemas antigos

Algo entrevados
Tomavam sol
Na varanda das memórias
Mantas sobre as pernas
Na mesinha remédios
Olharam-me vazios
Não sabiam mais de mim


Meus pobres versos antigos
Talvez sejam salvos pelos netos