SOBRE O BLOGUEIRO

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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Carta aberta do meu neto German para eleitores do Aécio

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Saí para buscar o jantar nas florestas inóspitas do Capão Raso e, quando retorno à caverna com a caça abatida, um balde de frango pornograficamente frito, meu piazote de 10 anos mostra o seu - palavras dele - "maior texto que já escrevi, vô paulo!"
Avô destrambelhado que sou, trato de reproduzir exatamente o que ele escreveu. Gosto disso, meninos e meninas: Germanzito jamais andará pelos lados direitosos e fedidos da direita. 

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essa postagem aqui é uma carta aberta para alguns amigos meus que votam no aécio neves, (foram meus avós que me ensinaram sobre política!) hahah. 
Continuando o que eu ia falar vocês sabem o quanto ele é um idiota mas continuam, acham que ele vai mudar alguma coisa mas ele só vai fazer merda, vocês tucanos, devem estar achando que o que eu estou falando é merda mas se enganaram! é um dos melhores textos que eu escrevo, simplesmente quero saber porque vocês votam no aécio, tem muitos amigos meus que quando eu posto coisas sobre política não comentam "porque eu sou criança" ou "porque é meu amigo do colégio" mas não! eu quero que vocês debatam comigo sobre política quero saber mais sobre porque você votam no aécio ou porque você é anti-dilma, me responda. 
Simples assim! (agora, só não me venha falar sobre o porto de cuba e que a dilma emprestou dinheiro para eles e isso é um crime... porque eu german, sim eu mesmo! sei que o FHC emprestou dinheiro para cuba) ok você não comentou mais pelo menos 
leu!, vamos lá gente vocês tem medo de debater é simples quando debatemos ninguém te morde você não vai preso não cai pedaço, simples seja você mesmo e fale você não é proibido de falar.
Até que eu mesmo comento a pessoa não tem coragem de me responder, mas quando é com um outro adulto fala até de mais, AGORA você tem outro motivo para não me responder? é simples, deixa de ser cagão e fala com o seu coleguinha do pré 1.
Nossa olha só como o meu avô Paulo e minha avó Sonia me criaram mal! de repente você se pergunta nossa! ele está falando mal do avô e da avó, senhor ou senhora se você pensou isso mesmo volte ao começo da postagem e leia novamente obrigado pela a atenção e tchau!.

Alberto Goldman: tucano jaguara, ex-comunista, golpista

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Via Contextolivre

Tucanos flertam com golpismo

Breno Altman

O ex-governador Alberto Goldman, coordenador da campanha de Aécio Neves em São Paulo, leva seu ódio antipetista ao paroxismo.

Leiam com atenção o título de seu artigo mais recente, no site do PSDB: “O Brasil rejeitou o PT. Dilma não teria condições de governar o Brasil.”

Do que está falando esse cavalheiro que um dia já foi de esquerda?

Que o resultado eleitoral não deve ser acolhido? Que os tucanos irão desconhecer a vontade das urnas, a partir da noite do dia 26, agindo como a pior parte da oposição venezuelana e tentando virar a mesa?

Goldman parece ter finalmente concluído sua adesão ao lacerdismo e seu bordões.

O que pensa parece inspirado no que foi escrito sobre Getúlio Vargas nos anos 50. Dilma não pode vencer. Se vencer, não pode governar. Se governar tem que cair.

Esta é a linha do prócer tucano?

O álibi para tal raciocínio é aberração que fere a Constituição. “Dilma recebeu 41,5% dos votos válidos no primeiro turno das eleições. Os restantes são 58,5%”, diz o ex-comunista.

Ora, por esta tese, qualquer vitória em segunda volta é ilegítima. Afinal, só há nova votação quando o primeiro colocado recebe menos sufrágios que a soma de seus adversários.

Vejam, por exemplo, a situação de Aécio Neves. Teve apenas 33,55% dos votos válidos na primeira rodada. Os demais foram 66,45%. Sua eventual vitória em segundo escrutínio, portanto, deveria ser politicamente impugnada?

Se Dilma vencer no próximo dia 26, com 50% mais um dos votos, como manda a carta maior, terá sido eleita pela aliança entre os petistas e o veto ao retrocesso conservador, e seu mandato terá plena legitimidade.

Caso venha a ser Aécio o vitorioso, na união entre os votos tucanos e a rejeição antipetista, seu triunfo também será legítimo e o neto de Tancredo teria “condições de governar”.

O resto é conversa golpista.

Mas Goldman vai além.

“A votação do PT se sobrepõe”, afirma, “quase que com absoluta perfeição, no mapa da distribuição dos programas assistenciais, em especial do bolsa família. Abstraídos os votos dessas áreas, que deram a Dilma mais de 50% dos votos, a derrota para a oposição é muito mais expressiva”.

O impressionante é sua conclusão. “O Brasil do trabalho formal, produtivo, dos seus trabalhadores e empresários, no campo e na cidade, o Brasil da cultura e da tecnologia – essa é, de fato, a elite brasileira – rejeitou, por ampla maioria, o PT e sua candidata.”

Quer dizer que o voto dos brasileiros que ganham menos de dois salários mínimos, entre os quais Dilma teve 52%, vale menos que a “elite brasileira” identificada pelo ex-governador?

Qual seria a sugestão de Goldman para resolver esta situação que o incomoda? O voto censitário? A concessão do título de eleitor apenas aos cidadãos do que considera ser “o Brasil da cultura e da tecnologia”?

Seu discurso não é apenas antidemocrático. Apela também para o preconceito social e a fúria de classe contra os pobres. Na pior tradição da direita brasileira.

Vergonhoso outono de um homem público que caminhou entre as forças progressistas antes de saltar o alambrado.

sábado, 18 de outubro de 2014

Poema sobre o sangue nos meus olhos

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O sangue que está nos olhos deles, os que estão no outro lado, é muito diferente do sangue que está nos meus olhos.

Explico, se me permitem.

Eles sangram os brasileiros tem mais de quinhentos anos.

Eles matam os brasileiros de fome tem mais de quinhentos anos.

Eles roubam os brasileiros tem mais de quinhentos anos.

Fazem isso com os brasileiros, as brasileiras, com os negros e as negras, com os índios e as índias, com os invisíveis sem nome.

Nós, os que estamos aqui deste outro lado, conseguimos (talvez) diminuir a hemorragia de quinhentos anos.

Eles têm sangue nos olhos, sangue nas mãos e sangue nas suas contas bancárias.

Eles pretendem continuar saqueando o Brasil.

Em verdade não temos sangue nos olhos e nenhum sangue suja nossas mãos: somos a nossa luta, temos os olhos sempre alumiados por nossa esperança mais louca, temos as mãos espalmadas por nosso espanto com as injustiças.

Temos, sim, o sangue fervido por nossa indignação.

Somos de sangue, de luta.

Somos o povo brasileiro!

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Pela Virgencita Botinuda! Aécio comendo na mão de Fidel!

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Crendiospai, tucanalhas, tá tudo dominado! 

Vejam o que os barbudos horrrrrrorrrrrozzzzos de Cuba - e comunistas, pela virgencita botinuda! - conseguiram fazer com o bostinha do aécio! 

O jaguarinha está comendo na mão do Fidel! 

Na mão do Fidel, o satanás do caribe!

Corram paras igrejas mineiras, chamem os curas, os padres, os bispos, as beatas e as carpideiras! 

Ajoelhem-se em orações, novenas e romarias!

Façam tchuks nas zorbinhas e calçolas!


 
Fidel, o cramulhão barbudo, explica para o inocente playboy: primeiro eu vou eleger Lula e Dilma, depois é com você! 

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Se você não consegue explicar porque vota em Aécio Aspirator, eu ajudo

Um comentário:
Copiei do Gilson Sampaio

Dez boas razões para votar em Aécio

Via Boitempo
Michael Löwy

1. Se você acha que o que é bom para os bancos é bom para o Brasil, vote em Aécio.

2. Se você acha que o que é bom para Exxon, Texaco, Goldmann & Sachs e J.P. Morgan (o banco do Armínio Fraga) é bom para o Brasil, seu candidato é o Aécio.

3. Se você pensa que os Estados Unidos são os protetores da paz no mundo e que o Brasil deve se alinhar com a política americana, tem mesmo de votar em Aécio.

4. Se você acha que a educação e a saúde estariam em bem melhor situação se fossem privatizadas, apoie Aécio.

5. Se você acha que o salário mínimo está alto demais, agravando o “custo Brasil”, vote sempre em Aécio.

6. Se você acha que o lugar de criança delinquente é no Carandiru, não deixe de votar em Aécio.

7. Se você acha que os ricos, os fazendeiros, os empresários e os donos de supermercados pagam impostos demais, Aécio é seu candidato.

8. Se você acha que o neoliberalismo demonstrou, na Europa, sua eficácia para enfrentar a crise econômica e o desemprego, Aécio é seu homem.

9. Se você acha que a taxa de juros esta baixa demais, prejudicando os detentores da dívida pública, seu candidato é mesmo Aécio.

10. Se você acha que a Reforma Agrária é coisa do passado e que o futuro de um Brasil moderno é o agronegócio produtor de commodities, por favor, vote em Aécio.

Se entretanto, por alguma razão obscura – ignorância, preconceito anticapitalista, esquerdismo, falta de confiança em nossas elites – você não acredita em nada disso, provavelmente votará na Dilma...

sábado, 11 de outubro de 2014

Números contradizem onda de pessimismo com a economia brasileira

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O Serviço de Alto Falantes Ornitorrinco não vê Clemente desde o século passado, quando foi para São Paulo. Neste breve artigo, ele alumia o debate sobre o pessimismo que a grande mídia infunde todos os dias, com o objetivo de ajudar a tucanada.
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Copiei de 247

Clemente Ganz Lúcio 
(Diretor técnico do DIEESE)

Os números da atual conjuntura evidenciam que ainda estamos em pé, gerando empregos, com preços caindo e variação positiva do PIB

Há algum tempo, dados e declarações que procuram demonstrar que há no Brasil grande crise e descontrole da economia ganharam destaque: o país está em recessão (técnica!), a inflação, descontrolada, o desemprego chegou, o déficit comercial subiu etc.

A vida não anda fácil no mundo e no Brasil, é verdade. A partir de 2007/2008, as economias desenvolvidas provocaram a mais grave crise do capitalismo desde 1929. "A grande recessão", segundo economistas, trouxe aos países desenvolvidos alto desemprego, arrocho salarial, perda de direitos e da proteção social como remédio para a crise.

A atividade econômica caiu nos países em desenvolvimento e a China passou a mostrar seu poder econômico. Com políticas anticíclicas, o Brasil permaneceu em pé, garantindo empregos, preservando salários e políticas sociais, bem como protegendo e incentivando a atividade produtiva. É muito difícil enfrentar essa crise. Há acertos e erros que fazem parte do risco de quem governa e decide diante de tantas incertezas.

O Brasil enfrenta inúmeros desafios de curto prazo: a pressão dos preços internacionais de alimentos; a severa seca, a mais grave dos últimos 60 anos, que comprometeu a safra agrícola, elevando preços de insumos, alimentos e energia elétrica; a Copa do Mundo, que reduziu a quantidade de dias úteis, com impacto sobre a atividade econômica; a desvalorização do Real (R$ 1,6 para R$ 2,3 por dólar), que ajuda a proteger a indústria, mas tem impactos sobre preços; a queda na receita fiscal do governo; a redução na venda de manufaturados para a Argentina; a China ganhando espaço comercial na América Latina e no nosso mercado interno; a enorme pressão dos rentistas pelo aumento dos juros, entre outros.

Apesar disso, os números da atual conjuntura evidenciam que ainda estamos em pé, senão vejamos:

· No primeiro semestre de 2014, houve aumento salarial em 93% das Convenções Coletivas, com ganhos reais entre 1% e 3%;

· O preço da cesta básica caiu nas 18 capitais pesquisadas pelo DIEESE, entre julho e agosto (-7,69% a -0,48%).

· O Índice do Custo de Vida do DIEESE, na cidade de São Paulo, variou 0,68% em julho e 0,02% em agosto, arrefecendo.

· O mercado de trabalho formal criou mais de 100 mil postos de trabalho em agosto.

· O comércio calcula que serão criadas mais de 135 mil vagas no final do ano.

· O BC estimou a variação positiva do PIB para julho em 1,5% e indicou trajetória de queda da inflação.

· A atividade produtiva da indústria cresceu 0,7% em julho.

A ciência dos números é insubstituível para dar qualidade ao debate público e apoiar um olhar criterioso sobre a dinâmica da realidade. O desafio é correlacionar as informações para produzir o conhecimento e compreender o movimento do real.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Permitem-me um aparte?

2 comentários:
Copiei a imagem daqui

Permitem-me um aparte? Obrigado.

Há eleições a cada dois anos, meninos e meninas.

Distintas visões de mundo e, portanto, diferentes propostas para arrumar as imperfeições do mundo serão postas. 

Tão diferentes podem ser que, amiúde, são inconciliáveis.

Não é um mero passeio no parque, nem rivalidade futebolística. 

Eu, obviamente, não vou brigar com um amigo que não queira correr no parque comigo, ou que torça para outro time.

Mas sou militante do PT desde 1982 e não posso aceitar quieto - dando a outra face - quando nos chamam de petralhas, ou de quadrilha que está no poder.

Não posso manter amizades que espalham mentiras e acusações sem qualquer fundamento. 

Que tipo de amigos são esses?

Tenho barbas brancas, seis filhos e sete netos e modesta história de militância.

Meus amigos de verdade - mesmo quando discordamos - respeitam isso.

Não manterei amizades com quem acha que pode fazer tábula rasa da luta do Partido dos Trabalhadores.

Prefiro mandar essa gente toda para a puta ianque e golpista que os pariu, simples assim.

Obrigado pelo aparte. 

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Jean Wyllys nunca me enganou, meninos e meninas: Carta para além do muro (ou por que Dilma agora)

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jean votação.jpg

O muro não é meu lugar, definitivamente. Nunca gostei de muros, nem dos reais nem dos imaginários ou metafóricos. Sempre preferi as pontes ou as portas e janelas abertas, reais ou imaginárias. Estas representam a comunicação e, logo, o entendimento. Mas quando, infelizmente, no lugar delas se ergue um muro, não posso tentar me equilibrar sobre ele. O certo é avaliar com discernimento e escolher o lado do muro que está mais de acordo com o que se espera da vida. O correto é tomar posição; posicionar-se mesmo que a posição tomada não seja a ideal, mas a mais próxima disso. Jamais lavar as mãos como Pilatos – o que custou a execução de Jesus – ou sugerir dividir o bebê disputado por duas mães ao meio.

Sei que cada escolha é uma renúncia. E, por isso, estou preparado para os insultos e ataques dos que gostariam que eu fizesse escolha semelhante às suas.

Por respeito à democracia interna do meu partido, aguardei a deliberação da direção nacional para dividir, com vocês, minha posição sobre o segundo turno. E agora que o PSOL já se expressou, eu também o faço.

Antes de mais nada, quero dizer que estou muito feliz e orgulhoso pelo papel cumprido ao longo de toda a campanha por Luciana Genro. Jamais um(a) candidato(a) presidencial tinha assumido em todos os debates, entrevistas e discursos – e, sobretudo, no programa de governo apresentado – um compromisso tão claro com a defesa dos direitos humanos de todos e de todas. Luciana foi a primeira candidata a falar as palavras "transfobia" e "homofobia" num debate presidencial, além de defender abertamente o casamento civil igualitário, a lei de identidade de gênero e a criminalização da homofobia nos termos em que eu mesmo a defendo; mas também foi a primeira a defender, sem eufemismos, as legalizações do aborto e da maconha como meios eficazes de reduzir a mortalidade da população pobre e negra, a taxação das grandes fortunas, a desmilitarização da polícia e outras pautas que considero fundamentais. O PSOL saiu da eleição fortalecido.

Agora, no segundo turno, a eleição é entre os dois candidatos que a população escolheu: Dilma Rousseff e Aécio Neves. E eu não vou fugir dessa escolha porque, embora tenha fortes críticas a ambos, acredito que existam diferenças importantes entre eles.

A candidatura de Aécio Neves – com o provável apoio de Marina Silva (e o já declarado apoio dos fundamentalistas MAL-AFAIA e Pastor Everaldo; do ultrarreacionário Levy Fidélix; da quadrilha de difamadores fascistas que tem por sobrenome Bolsonaro e do PSB dos pastores obscurantistas Eurico e Isidoro) – representa um retrocesso: conservadorismo moral, política econômica ultraliberal, menos políticas sociais e de inclusão, mais criminalização dos movimentos sociais, mais corrupção (sim, ao contrário do que sugere parte da imprensa, o PT é um partido menos enredado em esquemas de corrupção que o PSDB), mais repressão à dissidência política e menos direitos civis.

Mesmo com todos as críticas que eu fiz, faço e continuarei fazendo aos governos do PT, a memória da época do tucanato me lembra o quanto tudo pode piorar. Por outro lado, Aécio representa uma coligação de partidos de ultradireita, com uma base ainda mais conservadora que a do governo Dilma no Parlamento. Esse alinhamento político-ideológico à direita entre Executivo e Legislativo é um perigo para a democracia.

Vocês, que acompanham meus posicionamentos no Congresso, na imprensa e aqui sabem o quanto eu fui crítico, durante esses quatro anos, das claudicações e recuos do governo Dilma e do tipo de governabilidade que o PT construiu. Mas sabem, também, que tenho horror a esse antipetismo de leitor da revista marrom, por seu conteúdo udenista, fundamentalista religioso, classista e ultraliberal em matéria econômico-social. Considero-o uma ameaça às conquistas já feitas, que não são todas as que eu desejo, mas existem e são importantes, principalmente para os mais pobres. As manifestações de racismo e classismo que vi nos últimos dias nas redes sociais contra o povo nordestino, do qual faço parte como baiano radicado no Rio, mais ainda me horrorizam.

Por isso, aderindo à posição da direção nacional do PSOL, que declarou "Nenhum voto em Aécio", eu declaro que, neste segundo turno das eleições, eu voto em Dilma e a apoio, mesmo assegurando a vocês, desde já, que farei oposição à esquerda ao seu governo (logo, uma oposição pautada na justiça, na ética, nas minhas convicções e no republicanismo), apoiando aquilo que é coerente com as bandeiras que defendo e me opondo ao que considero contrário aos interesses da população em geral e daqueles que eu represento no Congresso, como sempre fiz.

Hoje, antes de dividir estas palavras com vocês, entrei em contato com a coordenação de campanha da presidenta Dilma para antecipar minha posição e cobrar, dela, um compromisso claro com agendas mínimas que são muito caras a mim e a todas as que me confiaram seu voto.

E a presidenta Dilma, após argumentar que pouco avançou na garantia de direitos humanos de minorias porque, no primeiro mandato, teve de levar em conta o equilíbrio de forças em sua base e priorizar as políticas sociais mais urgentes, garantiu que, desta vez, vai:

1. fazer todos os esforços que lhe cabem como presidenta para convencer sua base a criminalizar a homofobia em consonância com a defesa de um estado penal mínimo;

2. fazer todos os esforços que lhe cabem como presidenta para mobilizar sua base no Legislativo para legalizar algo que já é uma realidade jurídica: o casamento CIVIL igualitário (ela ressaltou, contudo, que vai tranquilizar os religiosos de que jamais fará qualquer ação no sentido de constranger igrejas a realizarem cerimônias de casamento; a presidenta deixou claro que seu compromisso é com a legalização do CASAMENTO CIVIL – aquele que pode ser dissolvido pelo divórcio – entre pessoas do mesmo sexo);

3. realizar maior investimento de recursos nas políticas de prevenção e tratamento das DSTs/Aids, levando em conta as populações mais vulneráveis à doença;

4. dar maior atenção às reivindicações dos povos indígenas, conciliando o atendimento a essas reivindicações com o desenvolvimento sustentável;

5. e implementar o Plano Nacional de Educação (PNE) de modo a assegurar a todos e todas uma educação inclusiva de qualidade, sem discriminações às pessoas com deficiências físicas e cognitivas, LGBTs e adeptos de religiões minoritárias, como as religiões de matriz africana.

Por tudo isso, sobretudo por causa desse compromisso, eu voto em Dilma e apoio sua reeleição. Se ela não cumprir serei o primeiro a cobrar junto a vocês.

Quiromancia política: tipos de votos em Aécio Aspirator Neves

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1) o voto "antipetista": é o voto em qualquer um que não seja do PT; não importa a seriedade, a idoneidade nem mesmo o nome dos candidatos. Nesse voto o que importa é "tirar o PT do governo".
Na EPCC (Escala Périgo de Cretinice Crônica) que vai de 1.0 (para cretinices corriqueiras) a 6.0 (para relinchos agudos do miocárdio) esse tipo de voto que não pensa no vencedor mas no perdedor da eleição merece a cotação de 4.7 RE (Relinchos Estridentes).
2) o voto "contra a corrupção": variante do voto antipetista, usa como pretexto tirar os "corruptos do PT" do poder, mesmo que para isso sejam eleitos candidatos notadamente corruptos.
Por conta dessa lógica lusa-pós-moderna esse tipo de voto recebe 5.3 RE na EPCC.
3) o voto "anticomunista": é o voto que tem como objetivo "tirar esses comunistas do poder" e desmantelar o "golpe comunista em curso no pais", além de "combater o Marxismo cultural impregnado na educação pública brasileira".
Por ser o tipo de voto predileto das Olavetes, esse merece cotação máxima de 6.0 RE na EPCC.
4) o voto da "competência": é o voto de quem acredita que Aécio é um bom gestor, por razões que a biologia, a química, a politica, a antropologia e a quiromancia desconhecem.
Na EPCC (Escala Périgo de Cretinice Crônica) que vai de 1.0 (para cretinices corriqueiras) a 6.0 (para relinchos agudos do miocárdio) esse tipo de voto que leva em conta reportagens da Veja, Folha e Globo merece a cotação 5.4 RE (Relinchos Estridentes).
5) o voto da "esquerda inteligente e incorruptível": é o voto dos integrantes ou simpatizantes dos partidos de esquerda mais radicais (como PSOL, PCO e PSTU) que por se sentirem (não sem razão) traídos pelo PT adotam a estratégia do quanto pior melhor.
Por conta da lógica histriônica e suicida, esse voto merece a cotação de 5.9 RE na EPCC.
6) o voto de quem acha "Aécio bonito, bacana e descolado": é o voto de algumas moçoilas deste Brasil que, além do mau gosto, consideram características físicas e subjetivas na escolha de um presidente.
Por conta de tratar-se de um voto predominantemente feminino em um cidadão que já espancou publicamente sua acompanhante, esse voto faz a EPCC explodir e atinge impressionantes 6.1 RE.
Quanto aos demais tipos de voto em Aécio prefiro me eximir de analises, pois não sou psiquiatra, psicólogo ou segurança de hospício.
E que Tutatis tenha misericórdia das almas desses eleitores de bem, já que seus cérebros evaporaram com a seca de SP.

Emiliano Cunha: O meu voto não é para mim. O meu voto é para o Outro.

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Eu sou o negro/pardo/pobre tingindo de pluralidade as castas alvas classes do Ensino Superior.
Eu sou a assinatura na carteira de trabalho dos mais de 4 milhões de novos trabalhadores formais.
Eu sou a primeira conversa do primeiro contato do Invisível Social com um médico cubano/argelino/alemão/australiano/uruguaio/marciano.
Eu sou a comida na boca de um povo que, pela primeira vez na história, saiu da linha da fome, mas que não saiu nos jornais.
Eu sou a mãe que recebe auxílio para alimentar os filhos e garantir o mínimo de cidadania e humanidade.
Eu sou a inflação controlada e a economia firme durante um terremoto econômico mundial.
Eu sou a empregada doméstica com sua profissão regulamentada.
Eu sou a certeza da corrupção se tornar crime hediondo.
Eu sou a esperança clara da Reforma Política.
Eu sou a desigualdade atingindo os menores índices da história do Brasil.
Eu sou os cofres públicos revigorados depois de uma desenfreada e desastrosa abertura para o capital estrangeiro.
Eu sou o dólar em patamares mais realistas.
Eu sou a Classe C invadindo shoppings, comprando carros e exercendo, pela primeira vez, o poder da escolha.
Eu sou a criança dormindo em um quarto de verdade pela primeira vez, a família jantando em uma sala e depois assistindo à TV a cabo num canal qualquer.
Eu sou o churrasco de domingo com os vizinhos ao lado, que também têm sua casa agora.
Eu sou a viagem ao exterior do pesquisador sem fronteiras.
Eu sou o cinema e a arte brasileira recebendo importante e fundamental investimento em todos elos da cadeia produtiva.
Eu sou a arte também entendida como exercício da cidadania, da diversidade, como bem simbólico e não só material.
Eu sou o jovem que pode optar por uma ampla oferta de formação técnica.
Eu sou o Estado forte e presente.
Eu sou 13 por essas e muitas outras razões.
Eu sou o meu voto.
O meu voto não é para mim.
O meu voto é para o Outro.
Emiliano Cunha