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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Apartheid Brasileiro: Governo Temer adota comitê de pureza racial

Por Laura Capriglione, especial para os Jornalistas Livres
Passaporte que os negros eram obrigados a carregar com eles sob ameaça de prisão / Foto: ONU
Passaporte que os negros eram obrigados a carregar com eles sob ameaça de prisão / Foto: ONU
Reedição constrangedora de práticas nazistas e do regime racista do Apartheid da África do Sul, o governo golpista de Michel Temer avançou definitivamente o sinal, atropelando os direitos humanos da comunidade afrodescendente.

Não poderia ser mais vergonhosa a decisão de uma  tal Secretaria de Gestão de Pessoas e Relações do Trabalho, submetida ao ministro golpista do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, Dyogo de Oliveira, de criar um tribunal racial para checar se são mesmo negros os autodeclarados negros, que se candidatam em concursos públicos para provimento de cargos efetivos e empregos públicos no âmbito da administração pública federal, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista controladas pela União.

Você não leu errado. A Orientação Normativa nº 3, de 1º de agosto de 2016, publicada nesta terça-feira, 2 de agosto, no “Diário Oficial da União”, prevê a formação de comissão designada para a verificação da veracidade da autodeclaração de negritude.

Segundo o governo golpista, trata-se de evitar fraudes. Uma das ações afirmativas promovidas pela presidenta Dilma Rousseff (PT) foi  a adoção de cotas em concursos do setor público federal,  que instituiu um mínimo de 20% das vagas destinadas a negros e pardos nessas seleções.

Para ser incluído na cota, bastava a autodeclaração do candidato.

Com a República Golpista de Temer, isso acaba.

Agora, além da autodeclaração, o candidato terá de expor seu corpo presencialmente ao Tribunal da Verdade Racial para que ele seja escrutinado se é moreno o suficiente, preto o suficiente. Crespo o suficiente.

E não adianta o sujeito mostrar fotos dos pais negros ou pardos  –provando, portanto, que é um afrodescendente.

Segundo o “Ministério Racista do Planejamento”, trata-se de checagem de fenótipo. Ou seja, “as características físicas aparentes do indivíduo é que são o critério razoável que permite verificar se os candidatos estão indevidamente concorrendo às vagas reservadas aos negros.”

Esse modus operandi é bem conhecido do movimento negro internacional. A primeira grande legislação do regime do Apartheid na África do Sul foi a Lei de Registro Populacional, de 1950, que formalizou a divisão racial através da introdução de um cartão de identidade para todas as pessoas com idade superior a dezoito anos, especificando a qual grupo racial cada uma delas pertencia. Como agora o “Ministério Racista do Planejamento” quer fazer, equipes oficiais ou conselhos foram criados para determinar a raça de indivíduos cuja etnia não era claramente identificada. Isso fez com que, em uma mesma família, se registrassem casos de separações por raças distintas. Prevê-se que aqui, no Brasil do golpe, famílias venham a ter irmãos em que um será reconhecido como afrodescendente enquanto outro será tipificado como “puro branco”.

Na verdade, a iniciativa dos racistas do Ministério visa apenas a constranger uma parcela imensa –hoje a maioria da população brasileira—que, nos últimos anos, orgulhosamente vinha reconhecendo sua origem negra, ou indígena, em vez de escondê-la sob um falso e hipócrita embranquecimento, tal como sempre quiseram os adeptos brasileiros das teses eugenistas e da supremacia branca e européia.

O enorme tributo que esse reconhecimento da afrodescendência fazia ao sofrimento dos nossos antepassados escravos, é isso o que os racistas querem que se apague sob a arrogância dos juízes raciais.

Não permitiremos!

Post scriptum: Li algumas manifestações, nas redes sociais, de pessoas preocupadas com as fraudes ao sistema de cotas. Então, gostaria de aportar mais alguns argumentos, em respeito ao diálogo democrático. 1. As cotas raciais têm o objetivo de reverter o racismo histórico contra determinadas classes étnico/raciais. E etnia é algo que vai muito além do fenótipo. Porque pressupõe também o sentimento de pertença a um grupamento racial/cultural/social/histórico discriminado. Não é negro apenas quem tem determinada quantidade de melanina na pele, mas sim quem partilha um viver como negro, com todo o sistema de exclusão associado a esse viver. Quantos negros são “quase brancos” porque fruto de uma miscigenação forçada à base de estupros cometidos por homens brancos? É por isso que a auto-declaração foi escolhida como o critério fundamental para os cotistas. 2. Não é verdade que haja milhões de brancos “afroconvenientes” usurpando o direito dos negros… As fraudes no sistema de cotas são em número insignificante, como reconhecem até os inimigos de quaisquer ações afirmativas. 3. Entretanto, se quisermos evitar até mesmo essa quantidade insignificante de fraudes, há outras formas, bem mais respeitosas, de se aferir a “negritude” de uma pessoa, do que colocá-la presencialmente diante de uma comissão de juízes raciais… Vejam, por exemplo, o que fez a Prefeitura de São Paulo, após uma denúncia de fraude… “Para a comprovação, os candidatos podiam apresentar documentos com foto (como o RG), além de fotos pessoais e de ascendentes de até segundo grau. Ou também documentos oficiais em que a indicação de raça ou cor aparece, como a certidão de nascimento, da própria pessoa ou de pais e avós.” 4. Por último, quem serão os juízes no tribunal racial dos golpistas?

domingo, 17 de julho de 2016

Picaretagem católica

O telefone toca e recebo a seguinte mensagem gravada, que cito de memória: "Aqui é o padre reginaldo manzotti e quero lhe dar parabéns por seu aniversário. Evangelizar é preciso. Parabéns por seu aniversário."

Esse reginaldo de merda é um padreco de boa estampa que montou um belo esquema de captação de grana aqui em Curitiba - e canta mal pra cacete! - ou, em português escorreito, é mais um patifão da renovação carismática em tudo assemelhado aos picaretas evangélicos.

E meu aniversário é em fevereiro, padreco apatifado.

Sou Lula e não abro


Quase nenhum relincho político me decepciona tanto quanto ler ou ouvir críticas infundadas a Lula.

É evidente que ele não está livre de avaliações negativas; ninguém está. Eu mesmo já o censurei ferozmente por diversas ações que julgo equivocadas, pela malfadada "carta ao povo brasileiro", por promover alianças espúrias com a direita, por leniência com poderosos, pelos enormes tropeços de seu partido, etc, etc. 

Todavia tratar Lula como bandido e ladrão sem nenhuma prova efetiva é exercício explícito de ignorância, de preconceito e de ódio de classe.

Lula é nosso maior estadista, o presidente que tirou o Brasil do mapa da fome, o brasileiro que teve a ousadia de pensar efetivamente nos menos favorecidos e que em meros 8 anos transformou nosso país em um lugar (muito) melhor do que era antes; o homem que é visto em todo o mundo como o maior líder da América do sul nos últimos 50 anos e que, portanto, mereceria no mínimo respeito republicano até de seus adversários mais ferrenhos.

Mas nossa fétida burguesia, sua caricatura mal feita que responde por classe média e relevante parcela de gente pobre alienada só alimentam respeito e admiração por "homens de bem" - na acepção mais sectarista que esse termo pode carregar.

Luis Inácio é nordestino, é retirante, foi torneiro mecânico, foi líder sindical e mesmo presidente teve a petulância de manter seus hábitos simples - até em grampos ilegais ouve-se ele pedindo esfihas para um final de semana! Sendo e agindo assim só poderia mesmo causar meritocrática inveja e raiva por parte da fatia do Brasil que apenas valoriza classe social, carros de luxo, viagens a Miami, carros esportivos, aparecer na TV aberta e cor da pele.

Mais que decepção, no fundo tenho é pena dessa gente; serão ridicularizados pela história como a parcela imbecil do Brasil que xingou, avacalhou e endereçou ódio a um dos maiores filhos dessa nação.

Sou Lula e não abro.

Azar eterno dos que o defenestram.


sexta-feira, 15 de julho de 2016

Poema para Francisco

Foto de Amine Parucker


o mundo que conheço tem minha altura 
e vai até a ponta dos meus dedos
quando em vez mesmo agora espanto
o mundo três anos de francisco
é maior que o meu
acima da cabeça
muito além dos seus dedinhos
tem tudo o que queira imaginar e tecer
está lá tudo o que ele ainda não viu
o que ainda não sabe
o mundo de chico será de espantos alumbrados
mas também dores lágrimas
será o de ir-se avoando além do sonho
para inconformar-se aqui no pouso 
no chão duro do que é real
haverá um dia em que o mundo dele
será igualzinho ao meu
e chico terá barbas brancas 
como as do avô imperfeito
e então o meu mundo será infinito

terça-feira, 28 de junho de 2016

Os 32 anos do Calamengau

Lembro do Ceará que conheci em 1983, ele militante da Oposição Bancária, eu da Oposição Petroleira, os dois no CAHS, Centro Acadêmico Hugo Simas, ali na Marechal Floriano, a agitação da construção da CUT e do formigamento das esperanças do PT. Quero crer que, levemente barrigudos hoje, permanecemos essencialmente os mesmos, ou seja, não aceitamos essa porra de mundo que aí está. E tenho dito!
---xxx---

Copiei de Maerlio Barbosa


Foi com muito esforço e luta que o Calamengau chegou aos seus trinta e dois anos de existência e resistência. Muita água rolou por baixo dessa ponte. Lembro que durante esse período foram abertas mais de dez casas de forró em Curitiba, mas todas fecharam. Algumas por falência, outras por achar que forró não dá dinheiro e muitos outros motivos. Mas nós resistimos. Não estou nem grande nem pequeno, Sou do mesmo tamanho que já era antes do forró. Dono de um carro velho, não tenho casa para morar que seja de minha propriedade nem levo vida de quem acumulou muito. Tenho um Espaço Cultural onde os recebemos com carinho e gratidão. Tenho uma coleção de discos que adoro, e sou cheio de amigos, minha grande riqueza. Pra que mais?
Vivo feliz por fazer o que gosto e acredito que aprendi a fazer. Muitos me chamam de louco, velho e ultrapassado, mas não ligo, pois tenho orgulho de ser guardião da cultura herdada de meus ancestrais.
Agradeço a todos vocês por fazerem parte dessa história e por alimentar em nós o que de melhor temos para retribuir por todo esse carinho. A festa de aniversário do Calamengau foi um grande sucesso graças a vocês que trouxeram sua alegria e axé com muita generosidade para nos presentear nesse dia. Há muito não via um forró tão alegre como esse em nossa amada terra. Mas só foi bom porque vocês assim a fizeram.
Espero continuar fazendo forró pelo menos mais 32 anos aqui nesta amada e fria terra. Obrigado.

sábado, 25 de junho de 2016

"Sim, ele é beijoqueiro, um fofo, mas como ele beija também os meninos, alguns pais se incomodaram, menino beijando menino"

Copiei da Ju Foltran
(Grupo Nacional Mães Pela Diversidade)


Hoje fui chamada na direção. Cheguei na escola do meu filho caçula no horário habitual e a professora falou que a diretora queria falar comigo sobre o Theo, que tem 4 anos e meio. Meu coração gelou, afinal, o que seria? Peguei meu pequeno pelas mãos, mas a professora me puxou: "não, deixe ele aqui, vá só". Perguntei do que se tratava e a professora disse que alguns pais reclamaram do comportamento do Theo, mas que eu ficasse tranquila. Estranhando muito, fui, e no caminho pensei em mil coisas e ao mesmo tempo, em nada. Afinal, o que ele poderia ter feito de tão grave para tanto? Aquele menino tão doce, tão meigo, tão sensível!!! Mas também tão traquino!!! Não diferente das outras crianças que vejo ali no Centro de ensino infantil, que atende a galerinha de 4 e 5 anos. Como pode algum pai se incomodar com o comportamento dele? A gente passa por ali tão rápido, pra deixar, pra buscar, ou pra participar das reuniões. O que teria acontecido?!?! A diretora repetiu as palavras da professora. E completou que a reclamação havia acontecido mais de uma vez. E eu perguntei: que comportamento? Cheia de tato, a diretora disse: "ele gosta de beijar". Eu ri e disse que o Theo é carinhoso e beijoqueiro. Ela concordou: "Sim, ele é beijoqueiro, um fofo, mas como ele beija também os meninos, alguns pais se incomodaram, menino beijando menino". Eu ri novamente: "se ele tivesse batido teriam reclamado?" Provavelmente não os mesmos pais, porque bater "é coisa de menino", mas demonstrar afeto, não. Eu continuei e falei: "eu vou conversar com ele sobre respeitar quem não quer ser beijado, mas jamais direi a ele que beijar é errado e espero que a escola faça o mesmo". A diretora me olhou com um ar de alívio. Estava esperando outra reação, na certa. E disse: "não faríamos isso, reprimir uma demonstração de carinho, e apenas falamos com a senhora porque é nosso dever atender as demandas de todos". Claro que não acreditei muito nela e também não concordei com a forma de abordagem. A escola perdeu uma oportunidade de ensinar. Aquele pai é que deveria ser chamado, aquele que não quer meu filho perto do dele (!!!), que acha que afeto não é coisa de menino, que meninos não podem se tocar e serem carinhosos, que meninos não podem demonstrar que gostam uns dos outros. O Theo beija na rua e é beijado em casa. E se esse comportamento gerou sua primeira "advertência", vejo que estou no caminho certo. Quis compartilhar aqui por saber que muito do sofrimento das famílias lgbt tem raiz em situações como essas e que não são questionadas. Aliás, sofrimento do mundo todo, que cria pessoas com sérias dificuldades emocionais. Como seria o mundo se a demonstração de afeto não fosse subtraída das possibilidades de vivência de meninos??? Bom, espero que nesses tempos sombrios, a gente possa encontrar meios de atuar junto às nossas crianças, permitir que elas cresçam como são: doces e amorosas. E que a ignorância e a estupidez não as brutalizem tão cedo.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Carta Aberta a CUT/PR

Conforme nos ensinou o magistério cirúrgico de Estanislau, O Estripador da Barreirinha, vamos por partes:
1. Primeiramente, Fora Temer, Fora Ratão Golpista!
2. Eis-me aqui, meninos e meninas da Egrégia Direção da CUT-PR, para falar de Adalberto Prado, Jaime Cabral, Rosangela Basso, Derci Pasqualotto, Osni (Bancários de Umuarama), Ceará, Joaquim e Toninho (Bancários de Londrina), Zeno Minuzzo, Izabel Cristina, Olga Estefânia, Adelmo Escher, e de outros nomes que fogem pelos desvãos da minha pouca memória.
3. No formidável site da CUT tem lá um link que conta nossa história e - putaqueospariu! - nenhum dos nomes que citei aparece, é como se tivessem evaporado, é como se fosse possível falar de uma "história da CUT-PR" sem falar também das mulheres e homens que concretamente fizeram esta história.
4. As companheiras e os companheiros que nominei e que vocês pateticamente escondem pegaram o touro a unha, em tempos que não tínhamos grana pra porra nenhuma, e sei do que falo, eu estava lá também, e negociei algumas vezes com o meu Sindipetro PR/SC adiantamentos de mensalidades para que pudéssemos pagar as contas todas e os salários dos nossos funcionários, e coisas assim tão pouco revolucionárias e descoladas.
5. Esses malucos e essas malucas percorreram o estado todo, deram-se inteiros para a construção e consolidação da nossa CUT/PR mas, no site oficial não está contada história nenhuma: tudo é mero, impreciso e preguiçoso registro de datas e locais. Não há gente de carne e osso lá, não há militância.
6. Costumo dizer aos meus filhos e netos, por último, que sou fundador e que presidi a CUT/PR, e que tenho orgulho da minha modesta militância, embora essa informação não esteja impressa no site oficial e modernoso.
7. Até hoje jurava ter sido eleito Presidente da CUT/PR em 1987, agosto, Londrina, no que foi o 3º Congresso Estadual. Vejo agora, todavia, que devo ter sonhado, ou que me deram um boa noite cinderela, ou devo ter caído e batido minha cacholinha de poucas luzes ou que, horror absoluto, me considerem apenas o mais lindão e charmoso presidente que a CUT/PR jamais teve, o que repilo com a ênfase necessária, vez que não sou apenas um corpo bonito, eu tenho talento!
8. De modo que, além de querer os nomes dos meus companheiros e companheiras todos que citei lá na história da CUT/PR, requeiro com fulcro na legislação aplicável que se esclareça de vez se fui - como acredito piamente! - presidente, secretário-geral, servidor de café e porteiro da gloriosa CUT/PR!
9. Deixem de preguiça e pesquisem, porra!

(Os companheiros e companheiras citados podem e devem indicar outros e outras que eu tenha esquecido)

Para Paulo Bernardo: Não me escondo. Nunca fiz isso. E pago a porra do preço

Não me escondo. Nunca fiz isso. Recordo de Paulo Bernardo em três momentos.

1. Nos anos 80, provavelmente em 1988, em reunião no Sindicato dos Bancários de Londrina quando eu, então Presidente da CUT/PR, fui até lá junto com Henrique Pizzolatto, Secretário de Política Sindical, para apararmos as divergências cutistas, de modo que construíssem chapa única. Graças ao jeitão conciliador de Pizzolatto as coisas se ajeitaram, em que pese a contundência de Paulão Bernardo e ao meu próprio estilo "deixa-que-eu-chuto".

2. Guarapuava, 2000, reunião da falecida Articulação, bem no domingo em que o Atlético sagrou-se campeão brasileiro. Minha fala fez referência clara e contrária à aliança que o PT de Londrina fez com o prefeito Antonio Belinatti (PSB), que logo depois teve o mandato cassado por corrupção da grossa. Paulão, lembro bem, mandou-me a PQP.

3. Logo depois do 2º turno em 2002, Lula eleito, Paulão (deputado federal) apadrinhou meu nome para a Delegacia Regional do Trabalho. A nomeação não aconteceu porque a DRT-PR não era prioridade para o PT Nacional e, enfim, foi para o PTB, para fechar as contas da governabilidade. O apoio dele, entretanto, não me envergonha, ao contrário. 

Creio que PB é pragmático demais, embora não esconda o que pensa, e sempre deu-me as caneladas que julgou necessárias. Gosto disso porque sempre agi assim nas discussões internas na CUT e no PT.

Não somos amigos e não o vejo tem mais de 15 anos e, nessa hora difícil para ele e para Gleisi Hoffmann, mando meu modesto abraço de militante desimportante.

Não me escondo. Nunca fiz isso. E pago a porra do preço.

terça-feira, 14 de junho de 2016

German Martins, meu neto, pergunta: Quando que a homofobia vai acabar?

Foto do perfil de German Martins

Neto inoxidável e lindão, German Martins, além de cantar muito e adorar rock'n'roll, e de estar na minha casa e na minha vida desde que nasceu, é capaz de alumiar minha modesta existência com textos e argumentos assim claros e precisos.
O avô ranzinza agradece, meu menino!

"Eu estava na sala de aula, fazendo a minha lição quando um piá me chamou e falou para mim "como você fugiu da boate gay?" daí ele e o amiguinho dele se mataram de rir.

Quando nós vamos ter nas escolas uma aula que não só ensina a combater o bullying e a suposta "intolerância religiosa" inventada para nós não expressarmos opiniões ateias, mas também uma campanha contra a homofobia? Quando que os pais de uma criança irão falar para ela que os gays são normais? Quando que a palavra "gay" vai deixar de ser um xingamento? Quando que a homofobia vai acabar?"

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Os discursos de ódio e intolerância pretendem transformar a humanidade em um imenso campo de concentração. Eles destroem, atrasam e invalidam o progresso da humanidade

COPIEI DE LETÍCIA LANZ

Não gostar de uma pessoa não autoriza ninguém a discriminá-la, violentá-la e, por fim, matá-la. Pois é exatamente isso que os chamados “discursos de ódio e intolerância” fazem ao estimularem abertamente a repressão, a segregação, a exclusão e o extermínio de grupos humanos inteiros, baseados em crenças absolutamente idiotas e estapafúrdias de superioridade racial, política, religiosa, de gênero e de tantas outras besteiras semelhantes. Discursos de ódio e intolerância não admitem nenhuma forma de diversidade humana fora dos modelos e padrões defendidos pelos que se sentem no direito de ter mais direitos do que os outros, pelo simples motivo de serem brancos, homens, heterossexuais, cristãos, proprietários, etc. etc. etc.

Os discursos de ódio e intolerância vêm invariavelmente revestidos de uma defesa intransigente de valores e estruturas da sociedade organizada, como a família, a ordem social, a justiça, a proteção à criança, a decência moral. Mas isso não passa de uma cortina de fumaça para encobrir os verdadeiros objetivos hegemônicos de dominação de grupos que se consideram “esquizofrenicamente escolhidos” para reinarem acima de tudo e de todos. O que está verdadeiramente em jogo é o ódio aberto e declarado a grupos sociais que eles lutam para excluir, segregar e exterminar. Embora possam aparecer debaixo dos mais variados disfarces, os pontos centrais dos discursos de ódio e intolerância estão concentrados nas seguintes áreas:
1 – Defesa da supremacia branca: os “brancos” são superiores a todas as outras “raças” (negros, índios, orientais, etc. etc.);
2 – Defesa da superioridade do homem sobre a mulher;
3 – Defesa da masculinidade heterossexual e cisgênera (ódio declarado à homossexualidade e a todas as identidades transgêneras);
4 – Defesa da identidade “cristã”: o cristianismo como religião superior a todas as outras;
5 – Defesa da criminalização do aborto (que, no fundo, é apenas uma reafirmação da propriedade masculina do corpo da mulher);
6 – Defesa da posse individual e generalizada de armas (sob o pretexto de se promover a defesa da “família” e da “propriedade”)
7 – Veemente repúdio a políticas públicas voltadas para a promoção da igualdade e da justiça social.
Os “discurseiros do ódio e da intolerância” se valem de obscuras citações bíblicas para “naturalizar” suas crenças estapafúrdias a respeito de sexo, gênero e orientação sexual, fazendo com que coisas que não passam de preconceito insano sejam vistas como “vontade expressa do senhor”. Da mesma forma, encontram na bíblia - tanto farta quanto falsa justificativa - para a sua “cruzada” tresloucada de extermínio étnico (apenas brancos), sexual (apenas héteros), social (apenas ricos) e de gênero (apenas machos e mulheres obedientes e subalternas). 
O nazismo é o exemplo mais terrível de discurso de ódio e intolerância no século XX, que hoje ressurge com força enlouquecedora na fala demente e desatinada de líderes políticos e religiosos fundamentalistas. Eu sei que você acredita na liberdade, na igualdade e na fraternidade das pessoas e dos povos. Por isso, fique atenta: não apoie, não dê ouvidos, não divulgue e denuncie, de todas as formas e por todos os meios possíveis, os discursos de ódio e intolerância que pretendem transformar a humanidade em um imenso campo de concentração. Eles destroem, atrasam e invalidam o progresso da humanidade. (Letícia Lanz)