SOBRE O BLOGUEIRO

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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Senado Federal: sabatina de Alexandre Moraes

- Senhor Luminoso Futuro Ministro do STF, devo dizer que sou réu em 786 processos na Egrégia Corte, o que não tem nenhuma importância. Assim sendo, pergunto: o que significa a sigla PCC?
- Pertinente pergunta, Nobre Senador, réu em meros 3 desimportantes processos, todos por estacionamento irregular. PCC significa Petralhento Comando Comunista. Conto com seu voto.
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- Sou golpista, senhor Grandioso Ministro do STF, e admito ser réu em 354 processos, o que jamais terá influência em meu voto. Exijo que Vossa Excelência complete a frase pirulito que bate-bate, pírulito que já bateu...
- Nobre Senador, cuidarei pessoalmente do seu processo, agradeço oportunidade preciosa, e completo sua exigência dizendo que ... quem gosta de mim é temer, quem gosta dela é a globo. Conto com seu voto.
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- Nobre Ministrão, minha família tem uma lavanderia em Ceilândia e, para todos os fins, ofereço lavagem grátis e perpétua da sua esvoaçante toga, sendo desnecessário lembrar meus 1.675 processos em andamento no STF. Entrego-lhe meu cartão, se me permite.
- Belo cartão, Senador Limpinho! Uma mão lava a outra. Conto com seu voto.
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- Fosforescente Ministro, meus 365 processos em andamento no STF empalidecem diante da Vossa inacreditável sapiência jurídica. Poderá explicar-me o significado de plágio?
- Sábio Senador, seu processo que pretende anular injusta multa imposta por síndico filiado ao PT, será sumariamente arquivado e cremado, por obvio imperativo do direito pátrio. Plágio é invenção do petismo informático. Conto com seu voto. 
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- Inacreditável Ministro Togadão, sou da Bancada Evangélica, tenho uma Igreja Ungida e sofro como os cristãos antigos, pois sou réu em 13.878 processos no STF. O Senhor será o meu pastor?
- Nobre e Pio Senador e Homem de Deus, o estado é laico, mas o STF é cristão em cristo. De plano, com diz meu querido amigo sergio moro, em sumária cognição determinarei o incineramento dos seus 28.989 processos. Conto com seu voto.
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- Esportivo Ministro, no último domingo Coritiba e Atlético aplicaram sonoro pé na bunda da Globo e recusaram-se a realizar o clássico mais importante do Paraná. Temos o seu apoio?
- Inconveniente e petralhenta senadora, a Globo manda em mim e me tem sob estrito controle. Conto com seu voto.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Vem aí o Ensino Médio “líquido”

Copiei do FB de Janeslei Albuquerque

Publicada no Diário Oficial da União a Lei 13.415 de 16 de fevereiro de 2017, que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação e outras leis da área. Com isso, chega ao fim a trajetória da reforma do ensino médio no campo da legislação. Agora é lutar em cada estado, pela manutenção e ampliação dos direitos que a reforma quer retirar.
Como fica o Ensino Médio pela nova Lei:
O currículo fica dividido em duas partes: uma parte comum de 1.800 horas a todos/as estudantes e outra, dividida em cinco itinerários, em que o/a estudante terá que fazer aquilo que a escola/sistema ofertar (e não o que ele escolher, como diz a propaganda enganosa do governo).
As únicas disciplinas obrigatórias nos três anos são: Língua Portuguesa e Matemática. É obrigatório ofertar também uma língua estrangeira e, neste caso também não tem escolha, pois a língua obrigatória é a Inglesa.
Filosofia e Sociologia não constam mais como disciplinas obrigatórias. Seus conteúdos poderão ser ensinados diluídos em outras disciplinas. Excetuando Língua Portuguesa e Matemática, nenhuma outra disciplina é obrigatória, isso significa que todas as demais poderão ser ofertadas também "diluídas" umas nas outras cirando assim o que estou chamando de "Ensino Médio Líquido".
Para o itinerário "formação técnica e profissional" este poderá ser ofertado por meio de parceria com o setor privado e o sistema de ensino se servirá de recurso público do FUNDEB para isso. E também para este itinerário: não há exigência de professor formado, pois aqueles que atestarem notório saber em qualquer habilitação técnica, poderão receber certificado para o exercício da docência.
Se o/a estudante fizer alguns cursos a distancia e comprovar na escola alguns saberes práticos, ele poderá ser dispensado de fazer várias disciplinas, esvaziando ainda mais o seu aprendizado e demonstrando, com isso, a ainda maior "liquidez" desse "novo" Ensino Médio.
É "líquido" também porque mergulha no mais profundo abismo a juventude brasileira da escola pública. Porque afunda toda e qualquer possibilidade de uma vida digna para esses/as jovens, conseguida por meio de uma formação escolar densa e crítica, de uma preparação séria para o mundo do trabalho ou para o prosseguimento dos estudos. Sobre esse último, o prosseguimento nos estudos, essa "liquidez" afoga mais e mais as possibilidades já pequenas de ingresso em uma Universidade pública.
Essa "liquidez" toda se mescla com as lágrimas e o choro de todos/as aqueles/as que ocuparam suas escolas e daqueles/as outros que, se não o fizeram, não lutaram menos para que esse desastre não viesse a acontecer. Mas, como depois daquele momento do choro, a gente se levanta e se revigora, agora é hora de, mais uma vez, se levantar e gritar em cada rede estadual: Fora com Reforma. E ocupa tudo outra vez!
Monica Ribeiro – integrante do Movimento Nacional em Defesa do Ensino Médio

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Advogados vão processar Rede Massa após reportagem que fez insinuações sobre sua atuação profissional

Copiei dos Jornalistas Livres
 

Por Gibran Mendes e Davi Macedo, especial para os Jornalistas Livres

A Rede Massa de Televisão, um apresentador e um jornalista do seu quadro serão processados na esfera penal e civil, além de tornarem-se alvo de uma investigação por parte do Ministério Público do Paraná. A motivação é uma matéria exibida no último dia 7, no programa Tribuna da Massa, tratando do protesto contra o aumento da tarifa de ônibus em Curitiba e dos conflitos entre manifestantes e policiais. O programa exibiu imagens do conflito, cenas de depredação de patrimônio e envolveu advogados que defendem os manifestantes, a exemplo do que acontece em outras partes do Brasil, com insinuações sobre a sua atuação profissional.

“Vou acionar na esfera penal e civil. Na primeira pela incitação a violência, uma vez que eles colocam em diversos momentos quem são os advogados e que é preciso ir atrás deles. Obviamente isso inflama os ânimos dos justiceiros. Também vamos entrar com representação por difamação e calúnia. São imputadas coisas pesadas, sem dar provas e colocam como se nós estivéssemos financiando o movimento. Isso é um absurdo, coisa sem pé e nem cabeça. Eles terão a oportunidade de defesa, uma coisa que eles não abrem espaço para aqueles que chamam de marginais”, afirma Ramon Bentivenha, um dos advogados citados na matéria e que atua em um coletivo chamado Direitos para Todxs que reúne cerca de 50 profissionais do direito.

Ainda de acordo com ele, o Ministério Público também foi procurado e um processo de investigação foi instaurado no Centro de Apoio Operacional da Procuradoria de Direitos Humanos da instituição. A seccional paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também foi acionada. “Os ataques proferidos pelo programa Tribuna da Massa não foram exclusivos a minha pessoa ou a colega que acompanhava as ocorrências. O programa ataca todo um movimento. Ataca todos aqueles que se insurgem contra as arbitrariedades. Isso não posso permitir. Sobral Pinto, um dos grandes advogados contra os abusos cometidos pela ditadura militar, afirmava que a advocacia não é uma profissão para covardes. Se acham que vão nos acovardar, nos acuar enquanto tentamos garantir um dos direitos mais básicos como o direito de defesa estão equivocados. Não pretendo recuar um só centímetro diante das violações de direitos. Espero uma posição firme da OAB, pois não considero que há uma pessoa ou causa que seja indefensável do ponto de vista da ética profissional do advogado, desde que se atue com os instrumentos de defesa dispostos pela lei. É certo que não se pode confundir acusado e defensor”, enfatizou.

Durante a exibição do programa, o âncora do programa e o repórter Ricardo Vilches, responsável pela matéria, disseram que os advogados estimulariam os “mascarados”. Fizeram uma série de insinuações sobre a sua atuação profissional, além opinarem sobre um suposto financiamento do protesto, que em sua reta final, teve atos de vandalismo exercidos por pequeno número de pessoas presentes. “Nos protestos de ontem, uma outra advogada também se apresentou. Tânia Mara Mandarino, candidata a vereadora pelo PT derrotada nas eleições passadas. Entendeu agora, Galo, quem é que está por trás desses atos de protesto e também de vandalismo?, indagou o repórter”.

O apresentador respondeu de pronto no estúdio. “Tá bem claro pro Galo que tem partido político atrás disso aí. Não vou dar nem o nome, porque eu não vou dar o nome de um partido desse naipe aí, né. Que fizeram o que fizeram com o nosso país e tentam fazer mais ainda, levando o povo para a bucha de canhão. Sabe qual a sensação que eu tenho? Que essa história de arrecadação no Face é mais um marketing, que eu não acredito que o povo de bem vai pagar a conta de vandalismo. O meu povo não paga fiança para vandalismo. O povo de bem não paga fiança para vandalismo” esbravejou esmurrando a mesa do programa.

Tânia, que também anunciou que processará sequer foi procurada pela equipe de reportagem para dar sua versão dos fatos e repudiou a acusação de motivação partidária. “Penso que o jornalista tem suas motivações patronais para veicular esse tipo de calúnia sem ao menos se importar com o fato de estar violando prerrogativas profissionais de uma advogada. Derrotamos o Ratinho Jr. (filho do proprietário da Rede Massa) em 2014, quando ele queria censurar um blogueiro curitibano, o Luiz Skora, e não conseguiu graças à nossa atuação profissional, que, diga-se de passagem, também foi voluntária à época. Isso deve estar na conta do desejo de difamar que eles têm contra nós”.

Ela ainda explicou que não estava no protesto, apenas se apresentou na Delegacia como representante legal dos manifestantes presos por conta de seu trabalho voluntário junto ao Coletivo de Advogadas e Advogados pela Democracia (CAAPD). “O Coletivo foi procurado por estudantes secundaristas na tarde do dia 06 com uma solicitação de advogados que pudessem ficar disponíveis para atendê-los em qualquer eventualidade durante o protesto contra o aumento da passagem que aconteceria naquela noite. Não participei do protesto e, assim como outros colegas do CAAPD, estava de prontidão, no escritório, enquanto tocava meu trabalho cotidiano. De repente manifestantes começaram a nos relatar que a polícia os cercara na região da rodoviária e começara a atirar bombas de efeito moral e muito spray de pimenta. Essas pessoas nos enviaram vídeos para demonstrar o que estavam falando e o quanto estavam acuadas pela repressão policial gratuita”, contou.

“Rabo Preso” – A advogada confirmou que é filiada ao Partido dos Trabalhadores e revelou um fato curioso com relação ao apresentador Galo. “Concorri à vereança em Curitiba no ano de 2016 pelo PT representando um projeto e não a mim mesma. Igualmente, o apresentador do referido programa foi candidato a deputado federal em 2002 pelo então PFL do Mato Grosso e uma coligação que representa um projeto que nós muito bem conhecemos, que é do retrocesso, do golpismo e do atentado contra as liberdades democráticas e o Estado de Direito. Meu nome de urna era Tânia Mandarino; o dele era ‘Rabo Preso’. Cada um representa o projeto com o qual se identifica. Eu não tenho vergonha de ser filiada ao PT, tenho fotos nas quais estou enrolada na bandeira do Partido. O apresentador, ao contrário, parece esconder isso de seus telespectadores. Portanto, a alegação de motivação partidária, além de completamente injuriosa, serve para acusar aquilo ao qual servem os próprios jornalistas daquele programa”, comparou ao criticar a criminalização da política.

“Solidariedade” – Mais de 60 advogados assinaram uma nota pública de apoio aos advogados, sendo boa parte deles professores da Universidade Federal do Paraná. Entre eles, o ex-procurador geral do Estado do Paraná, ex-presidente do BRDE e também da Funai, Carlos Frederico Marés de Souza Filho. O documento foi encaminhado à OAB como pedido de providências para a instituição.

“O telejornal exibiu reiteradamente a imagem dos advogados e tornaram públicas informações como perfil em redes sociais e local de trabalho. Além dos ataques e ofensas pessoais aos advogados, o repórter e o apresentador Paulo Roberto Galo, chegam mesmo a afirmar que os advogados não deveriam atuar na defesa de certos indivíduos, caracterizados como “mascarados”, porque assim estimulariam os comportamentos que lhe estão sendo imputados como crimes. Sugere-se ainda, que o Município busque os advogados ali identificados para pagar os danos causados a patrimônio público durante a manifestação, supostamente causados por seus representados”, diz trecho da nota que pode ser lida no final da matéria na íntegra.

Jornalismo de Judas Iscariotes – Embora populares e, via de regra, com uma audiência relevante para as emissoras de televisão, este tipo de programas há tempos são alvos de críticas por parte não apenas de instituições ligadas aos direitos humanos, mas do meio acadêmico. O sensacionalismo em excesso, meias informações e a forma como camadas mais sensíveis da sociedade são marginalizadas são algumas das críticas frequentes a estes programas.

Doutor em Ciências da Comunicação e professor de jornalismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Elson Faxina, condena o modo de produção jornalística usado no programa. “Nós temos hoje um jornalismo triste, que abandonou a informação. Jornalismo muito mais baseado na opinião do que na informação. A opinião, inclusive, não importa mais se ela tem assente em formação correta, uma opinião sem base nenhuma, de modo geral o que a gente vê hoje em dia é isso. Em segundo lugar é um jornalismo que deseja passar a síntese da verdade. Quando a posição do jornalista seria ir lá, mostrar as várias verdades e deixar que o telespectador, ao conhecer os vários pontos de vista, forme a sua verdade”, criticou.

Para o professor, por óbvio, não trata-se de uma defesa de atos violentos, mas sim da contextualização do fato. Ele compara este tipo de situação com uma fictícia cobertura da morte de Jesus Cristo. “Se o jornalista ficasse na cobertura de Judas Iscariotes, que sacaneou ele e aí todos os demais apóstolos ficariam na mesma vala. Sempre temos que ter muito claro que em qualquer agrupamento humano você ter 8% de sacanas, de vândalos, de ladrões e de corruptos. Eu chamo isso de cota Judas Iscariotes. Não foi assim? Jesus Cristo escolheu 12 caras a dedo, um a um. Um deles não o entregou por grana? Não se corrompeu?”, questiona.

O fato de o programa ser transmitido em uma emissora cujos donos, a família Massa, está ligada ao Governo Estadual e, consequentemente, ao governo municipal, também pode comprometer uma reportagem que atinge diretamente o mesmo grupo político dos seus donos. Segundo Faxina, este não é o único problema. “De fato, tem muito dono de veículos de comunicação que não sabe fazer reportagem, não sabe escrever nada, mas sabe exatamente escrever a sua assinatura para demitir alguém que não esteja de acordo com o que ele pensa. Portanto, eu entendo e quero crer que a equipe tem sido de uma forma direta, ou indiretamente, pautada pelo interesse do patrão, o que é triste. Agora o triste mesmo é notar que nós temos um jornalismo hoje muito mal feito. Nos meus mais de trinta anos de exercício da profissão, nunca vi um jornalismo tão frágil, um jornalismo sem reflexão, sem informação”, completa.

Mas, segundo ele, há ainda outros problemas. “Vale destacar também que esse telejornal, de modo geral, é a voz oficial dos aparatos de segurança. Tenho visto reportagens boas nele. Quando trata de inciativa de solidariedade da população, mas quando trata de questões de segurança é uma tragédia. Nessa reportagem em momento nenhum se questionou o fato de que os policiais não estavam lá para conter esse grupo pequeno que depredou, mas usou esse pretexto para atacar a grande manifestação”, argumentou.

Secretária-Geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), a jornalista Bia Barbosa critica a postura adotada pelos programas chamados “policialiescos”, como o caso do Tribuna da Massa. “A exposição indevida de pessoas e sua condenação antecipada pelos chamados programas policialescos é uma das mais graves violações de direitos praticadas hoje na televisão brasileira. Essas práticas desrespeitam um amplo conjunto de leis brasileiras, incluindo a Constituição Federal e tratados internacionais ratificados pelo Brasil, que tem no princípio da presunção da inocência um dos pilares da nossa democracia”, analisa.

Bia Barbosa também critica o fato de emissoras de televisão e rádio, em todo o Brasil, terem ligações com políticos locais. “Tudo isso sem falar que os donos desta emissora têm relações intrínsecas com o poder político local, reforçando a questão do coronelismo eletrônico que já é alvo de uma ação junto ao Supremo Tribunal Federal”, completa.

Procurada pela reportagem, a presidente da Comissão de Defesa das Prerrogativas Profissionais da OAB, professora Priscilla Placha Sá, informou que já tinha conhecimento da tramitação interna da denúncia. Mas, que por estar na Câmara de Prerrogativas da ordem, não se manifestaria oficialmente até tomar conhecimento por completo do teor do documento.

A reportagem também entrou em contato com a Rede Massa, por meio do seu departamento de marketing, que indicou o telefone de uma assessoria de imprensa terceirizada. Até o fechamento desta matéria não foi possível realizar contato com os profissionais indicados para ouvir o lado da retransmissora do SBT, uma vez que o ninguém atendeu as ligações.

Veja a nota emitida pelos advogados na íntegra:

EM DEFESA DA ADVOCACIA E DA DEMOCRACIA: NOTA DE REPÚDIO A REPORTAGEM DA TRIBUNA DA MASSA E PEDIDO DE PROVIDÊNCIAS

Em 07/02/2017, durante a transmissão do jornal Tribuna da Massa, da emissora Rede Massa, foi exibida reportagem sobre manifestação ocorrida na data anterior em Curitiba contra o recente aumento da passagem do transporte público. Apesar de ter como tema a manifestação e a detenção de manifestantes pela Polícia Militar, a reportagem desvia-se de seu escopo informativo para expor a identidade, fazer insinuações e mesmo ofender dois advogados, Ramon Bentivenha e Tânia Mandarino. Os ataques tornam a ocorrer no dia seguinte em uma segunda reportagem.

Os advogados atacados nas reportagens estiveram presentes na 1ª DP, acompanhados por cerca de outros dez juristas, bem como os representantes das Comissões da Criança e Adolescente, Direitos Humanos e Prerrogativas da OAB/PR, a fim de atender aos 11 jovens detidos na manifestação.

O telejornal exibiu reiteradamente a imagem dos advogados e tornaram públicas informações como perfil em redes sociais e local de trabalho. Além dos ataques e ofensas pessoais aos advogados, o repórter e o apresentador Paulo Roberto Galo, chegam mesmo a afirmar que os advogados não deveriam atuar na defesa de certos indivíduos, caracterizados como “mascarados”, porque assim estimulariam os comportamentos que lhe estão sendo imputados como crimes. Sugere-se ainda, que o Município busque os advogados ali identificados para pagar os danos causados a patrimônio público durante a manifestação, supostamente causados por seus representados.

Desse modo, as reportagens desviam-se de sua função informativa e ataca o próprio exercício da advocacia criminal. Nada obsta que os veículos de comunicação valorem as informações que passam ao público, como faz o Jornal da Tribuna com os atos de pichação narrados na reportagem. No entanto, ultrapassam os limites da ética ao assumir postura persecutória com os advogados daqueles aos quais se imputam os atos reprovados.

Destaca-se que sequer há a informação de que os jovens detidos sejam efetivamente aqueles que praticaram os atos de depredação narrados nas matérias. Por isso mesmo, há de se garantir o devido processo legal e julgamento desses jovens. Não se pode confundir o sujeito acusado com seu defensor, e de forma alguma, se pode fazer deduções pessoais sobre os advogados a partir das condutas e orientações políticas de seus clientes ou assistidos, porque o advogado não se relaciona com a consecução do crime do outro ou sua motivação. A função e dever do advogado é garantir a melhor defesa de seus representados dentro dos parâmetros da própria lei. Não se defende o crime, garante-se o julgamento.

Nesse sentido a afirmação de que a defesa de sujeitos acusados em processos criminais estimula comportamentos criminais e que os advogados deveriam ser responsabilizados pelos prejuízos patrimoniais causados por seus representados atenta contra a própria advocacia e é veementemente repudiada. Considerando ainda, o crescente clima de intolerância e os ímpetos de justiciamento que assolam nosso cenário político, ao responsabilizar os advogados pela própria manifestação e pelos atos de pichação e depredação, exibindo suas identidades, imagens e outras informações, coloca-se em risco sua própria integridade física.

Por fim, é importante destacar que é direito de todo e qualquer cidadão ser defendido, independente do crime que lhe seja atribuído. O direito de defesa e contraditório garantido constitucionalmente é imprescindível à própria democracia, como mecanismo fundamental para evitarmos o arbítrio.

Por tais razões esperamos manifestação da OAB/PR para que aos profissionais Ramon Bentivenha e Tânia Mandarino sejam desagravados, e que repudie publicamente o conteúdo veiculado pelo jornal Tribuna da Massa e os ataques pessoais aos advogados, que não fizeram nada mais que exercer livremente a advocacia, indispensável para a justiça e a própria democracia.

Curitiba, 08 de fevereiro de 2017.

Assinam a nota:

Manoel Caetano Ferreira Filho – OAB/PR 8.749
Carlos Frederico Marés de Souza Filho – OAB/PR 8.277
Juarez Cirino dos Santos – OAB/PR 3.374
Adriana Espindola Correa – OAB/PR 25.691
Ana Paula Magalhães – OAB/PR 22.469
Anderson Marcos dos Santos – OAB/PR 83.689
Bruno de Almeida Passadore, Defensor Público do Estado do Paraná
Daniel Godoy Junior – OAB/PR 14.558
Denise Filippetto – OAB/PR 17.946 3
Ivete Maria Caribé da Rocha – OAB/PR 35.359 (antiga 12.329-A)
José Humberto de Goés Junior – OAB/PR 38.657
Leandro Franklin Gorsdorf – OAB/PR 25.853
Luiz Carlos da Rocha – OAB/PR 13.832
Luiz Fernando Ferreira Delazari – OAB/PR 56.621
Marcelo Trindade de Almeida – OAB/PR 19.095
Mariana Marques Auler – OAB/PR 75.243
Nasser Ahmad Allan – OAB/PR 28.820
Ramon Prestes Bentivenha – OAB/PR 68.847
Vânia de Paula Camargos – OAB/PR 53.639
Adriana Marceli Motter – OAB/PR 83.684
Adriana Ossovski Riesemberg, Assistente de Promotoria MP-PR
Alice Dandara de Assis Correia, Assistente de Promotoria MP-PR
André Halloys Dallagnol, OAB/PR 54.633
Andrea Paim, OAB/PR 39.416
Andressa Regina Bissolitti dos Santos – OAB/PR 83.570
Clarissa Maçaneiro Viana, OAB/PR 72.651
Cristina Eiko Homma – OAB/PR 79.546
David Bachmann Pinto, OAB/PR 71.319
Eloísa Dias Gonçalves, OAB/PR 62.126
Fernando Gallardo Vieira Prioste, OAB/PR 53.530
Flávia Donini Rossito, OAB/PR 53.352
Guilherme Cavicchioli Uchimura, OAB/PR 74.897
Henrique Kramer da Cruz e Silva – OAB/PR 83.330
Hugo Simões – OAB/PR 73.290
Jamyle Noilthalene Sadoski de Souza – Bacharel em Direito
Janaína Filippetto, OAB/PR 73.404
Jonas Augusto de Freitas, OAB/PR 75.053
José Carlos dos Santos – OAB/PR 78.083 4
Juliana Bertholdi, OAB/PR 75.052
June Cirino dos Santos – OAB/PR 74.632
Karolyne Mendes Mendonça – OAB/PR 75.880
Lawrence Estivalet de Mello – OAB/PR 73.286
Leandro Santos Dias, OAB/PR 78.392
Licínio Claire Stevanato, OAB/PR 50.672
Luana Xavier Pinto Coelho – OAB/PR 69.273
Luís Felipe P. S. Mäder Gonçalves, OAB/PR 57.630
Luiza Beghetto Panteado dos Santos, OAB/PR 73.690
Maiara Bitencourt de Lima, OAB/PR 70.421
Manuel Munhoz Caleiro, OAB/SP 258.213
Marcel Jeronymo Lima Oliveira, OAB/PR 15.285
Marco Alexandre de Souza Serra, OAB/PR 29.667
Maria Fernanda Machado, Assessora de Gabinete TJ-PR
Maria Vitória C. Ferreira, OAB/PR 61.485
Maurício Corrêa de Moura Rezende – OAB/PR 82.470
Naiara Adreoli Bittencourt, OAB/PR 75.170
Paula Talita Cordeiro, OAB/PR 63.252
Pedro Andrade Guimarães Filho, OAB/PR 75.263
Rafael David Farias Moraes, OAB/PR 75.856
Rafael dos Santos Kirchoff, OAB/PR 46.088
Rafael Julião Evangelista – OAB/PR 70.543
Rafaela Pontes de Lima, OAB/PR 82.587
Raphael David Farias Moraes – OAB/PR 75.856
Rubens Bordinhão de Camargo Neto, OAB/PR 62.166
Sylvia Malatesta das Neves,
Vanessa Porto Alves, OAB/PR 64.661
Vitor Leme, OAB/PR 72.435 5

LINK DAS REPORTAGENS

Dia 07/02/2017: http://www.redemassa.com.br/tv-iguacu/video/bef3929c23de4439c2e775c76ee54e5b

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Telegrama urgente!

Meu primo Laulo Doberto Vequinel, doutor e mestre por correspondência (Instituto Universal do Capão Raso), jurista de escol da corrente copia/cola, mandou-me singelo telegrama:

CELSO MELLO VOTO TÉCNICO VG INATACAVEL PT

TUCANO GILMAR VOTO POLÍTICO CONTRA LULA VG NENHUMA SURPRESA PT

DECANO E DEMAIS MINISTROS VG ENTRETANTO VG SAO JAGUARAS TOGADOS VG SARNENTOS VG PARTICIPES DO GOLPE PT

Viram como sou antigo, meninos e meninas? Ainda recebo telegramas!

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Copiei a imagem daqui

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Petrobras: querem trocar a Noruega pela Nigéria

Copiei do FB do Sindipetro PR/SC

Num evento que marca a primeiro reação de empresários diante do desmanche da Petrobras e do setor industrial promovido pelo governo Michel Temer, nesta quinta-feira irá ocorrer uma reunião no Anexo IV da Câmara dos Deputados, em Brasília. Estarão presentes deputados ligados a Frente Parlamentar em Defesa da Engenharia, Infraestrutura e Desenvolvimento Nacional e dirigentes de entidades representativas da Engenharia e da Indústria. O assunto é a defesa da indústria, em particular da política de conteúdo local mínimo, uma proposta que permitiu a recuperação da Petrobras durante os governos Lula e Dilma, e que esteve por trás da criação do parque industrial de São Paulo durante o governo de Juscelino Kubitscheck, na década de 1950. Um dos articuladores do encontro, Pedro Celestino, presidente do Clube de Engenharia, falou ao 247 sobre o significado político do evento. "A indústria, mesmo aqueles setores que apoiaram o impeachment, despertou para a gravidade do desmonte que está ocorrendo no país e começa a ir atrás do prejuízo" afirma Celestino. "Estão querendo trocar um modelo bem sucedido, inspirado pela Noruega, por um desastre econômico e social, cujo símbolo entre estudiosos é a Nigéria."

BRASIL 247: Por que tantos setores da indústria resolveram reagir à política econômica do governo Temer-Meirelles e defender uma política de conteúdo local mínimo?
PEDRO CELESTINO: O desconforto da indústria com a política econômica não é recente. Juros altos e câmbio apreciado têm, ao longo do tempo, efeito devastador sobre as cadeias produtivas. Aqui não houve desindustrialização no sentido clássico porque a indústria, mantendo a instalação fabril, passou a importar componentes que antes ela mesma produzia. De 2015 para cá aplicou-se uma política de exclusivo interesse do capital financeiro, que veio a se acentuar com a posse de Michel Temer, cuja visão é absolutamente descompromissada com o interesse nacional. Haja vista o que ocorre com a Petrobrás, submetida a um autêntico desmonte, para que passe a ser produtora, por algum tempo, de petróleo bruto, já que abriu mão até de explorar a maior reserva descoberta no planeta nos últimos 30 anos, a do Pré Sal. Desfaz-se, sem transparência, a toque de caixa, de ativos valiosos, comprometendo irreversivelmente seu futuro como empresa integrada de petróleo, como as grandes congêneres mundiais. São 60 anos de história irresponsavelmente destruídos. A indústria de óleo e gás aqui instalada despertou para a gravidade do desmonte na discussão, em curso, da política de conteúdo local mínimo, que as petroleiras estrangeiras, desta vez com decidido apoio da Petrobras, querem revogar.

247: Por que tantos estudiosos falam que o governo Temer está trocando o modelo da Noruega pelo da Nigéria?
CELESTINO: O bem sucedido esforço de recuperação da Petrobras na ultima década e meia tinha como base a demanda de projetos, máquinas e equipamentos necessários à exploração do pré-sal. Por essa razão, a Noruega serviu de modelo e como exemplo. Ali, a indústria do petróleo funcionou para alavancar o desenvolvimento, arrancando o país de uma posição atrasada entre vizinhos europeus para se transformar em uma nação próspera do ponto de vista da economia e equilibrada como sociedade, que hoje possui um dos mais altos Índices de Desenvolvimento Humano do planeta. Destruída a Petrobrás, as empresas estrangeiras se apossarão do nosso petróleo, sem compromisso de prestar qualquer contrapartida em termos de transferência de tecnologias, geração de empregos, a não ser os de baixa ou nenhuma qualificação, que não interessam aos trabalhadores de seus países, e pagamento de impostos. É o que ocorre na Nigéria.

247: O que ocorre na Nigéria?
CELESTINO: Embora este país esteja entre os maiores produtores de petróleo do mundo, 70% da sua população vive abaixo da linha de pobreza e a taxa de desemprego é superior a 20%. Este país é um barril de pólvora. É o que acontecerá conosco se a Petrobrás deixar de cumprir o seu papel histórico, o de âncora do nosso desenvolvimento industrial.

247: Dá para explicar a importância desta "âncora"?
CELESTINO: É preciso entender que a superação do atraso econômico de um país não é um processo inevitável, uma felicidade garantida que está ao alcance de todos, em qualquer época. É necessário que, em determinados momentos, sejam tomadas medidas concretas que podem estimular, ou atrasar, estes avanços. As empresas que podem concentrar essas decisões são "âncoras" e aqui no Brasil a principal delas é a Petrobrás. Por quê? Porque estamos falando de uma empresa responsável pela formação de cadeia de mais de 5000 fornecedores, nacionais e estrangeiros, com uma capacidade de intervenção sobre o conjunto da economia, com efeitos reconhecidos sobre a qualidade de vida da sociedade, fruto da criação de centenas de milhares de empregos. Essa indústria trava agora batalha decisiva para a sua sobrevivência, pois é simplesmente impossível competir com produtos importados com absoluta isenção fiscal, a do Repetro, o maior programa de renúncia fiscal da nossa história, vigente há 20 anos e que se quer prorrogar, sob a alegação de facilitar vultosos investimentos estrangeiros.

247: Qual o balanço que podemos fazer da política de conteúdo local mínimo, seja do ponto de vista da indústria nacional e da criação de empregos?
CELESTINO: Desde a década de 1950, em particular a partir do governo Juscelino, as políticas de conteúdo local mínimo, aliadas a taxas de juros diferenciadas para investimentos, possibilitaram a rápida industrialização do Brasil. Essa foi a grande mudança ocorrida em nosso país, que permitiu a construção de um parque industrial respeitável pelo tamanho e pela relativa sofisticação tecnológica, eliminando aquela visão de que o Brasil estava condenado a ser uma grande nação agrícola e atrasada. Sem o BNDE e sem o GEIA (Grupo Executivo da Indústria Automobilística), que estabeleceu metas de progressiva nacionalização de partes e componentes de veículos automotores, São Paulo não teria se transformado na nossa locomotiva industrial. Mesmo o desenvolvimento mais recente do agronegócio, que não tem relação com o latifúndio retrógrado do passado, não teria sido possível sem aquele parque industrial. Também não podemos deixar de lembrar um ponto importante, reconhecido em artigo recente de José Velloso, presidente da Abimaq (Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos) onde escreveu: "Desde o primeiro leilão de blocos exploratórios, em 1999, as exigências de conteúdo local têm sido empregadas como ferramenta de desenvolvimento nacional conduzida com sucesso pela Petrobras. Àquela época a Petrobras adquiria mais de 65% de suas demandas de bens no Brasil. Portanto a Política de Conteúdo Local não nasceu no governo anterior e sim no Governo de FHC."

247: A curto prazo, a exigência de conteúdo local pode implicar em custos maiores, que acabam prejudicando o consumidor?
CELESTINO: É uma visão simplista, que conduz a erros graves, a partir da noção de de que produzir aqui é mais caro para o consumidor. Sem produção local não há emprego, e sem emprego não há como sustentar uma população de mais de 200 milhões de pessoas, e tudo se torna insuportavelmente caro. Se não valorizarmos o nosso mercado interno, um dos maiores do mundo, teremos como resultado a queda na renda, empobrecimento e mesmo a miséria. Ninguém discute mais, hoje, o fracasso, do ponto de vista da maioria da população, dos acordos de livre comércio. Frutos de uma globalização sem limites, estes acordos resultaram na desindustrialização e no empobrecimento. Ninguém pode explicar a vitória de Donald Trump em regiões operárias dos Estados Unidos, que tradicionalmente votavam nos candidatos do Partido Democrata, sem compreender que milhões de eleitores expressaram a indignação contra a exportação de empregos que foram para a China e outros países onde os salários são mais baixos. Este foi o fator que decidiu a eleição. O discurso de Trump sobre economia e mesmo determinadas medidas práticas, como a retirada do Tratado do Pacífico, procuram dar uma resposta a isso. Enquanto isso aqui, o governo Temer está na contramão do de Trump, abrindo indiscriminadamente a nossa economia à dominação estrangeira. 

247: Mesmo setores do empresariado que se beneficiaram, legitimamente, de uma política de conteúdo local na Petrobrás apoiaram o impeachment da presidente Dilma. Hoje, criticam o governo que, há menos de um ano, ajudaram a instalar. Como entender isso?
CELESTINO: O empresariado apoiou o impeachment sem ter uma noção clara do que iria ocorrer. Embarcou na ilusão de que bastava afastar a presidente para o país voltar a crescer e se desenvolver. Agora paga o preço da aventura. Já percebeu que, a seguir neste caminho aberto de forma radical e sem freios a integração do Brasil no mercado global será vantajosa apenas para produtores de grãos, carne e minérios, sem falar no setor financeiro. Mas não haverá lugar para a indústria aqui instalada, nacional ou estrangeira. Ressalte-se que as multinacionais que vêm para o Brasil, têm como foco atender ao nosso mercado interno. Não fazem daqui plataforma de exportação, como ocorre em outros lugares. Comportam-se, assim, como se nacionais fossem. Em contradição com isso, a política econômica do governo Temer-Meirelles possui inúmeros defeitos mas não pode ser acusada de incoerente. A ambição de destruir a indústria se faz com método e persistência. Assim, ao mesmo tempo em que o Banco Central reduz a Selic, decide-se elevar a Taxa de Juros do Longo Prazo, uma medida que tem um efeito óbvio e direto: dificultar as condições de financiamento da indústria pelo BNDES, o que ajuda a entender a previsão de mais um milhão de postos de trabalho eliminados ao longo deste ano.

247: Por que era tão difícil perceber que, do ponto de vista dos interesses da indústria, a opção por Temer-Meirelles seria a tragédia que está se revelando?
CELESTINO: É preciso entender que a indústria entrou a reboque na articulação contra o governo Dilma. Basta ver as bancadas que apoiam o governo no Congresso, com uma audácia entreguista como nunca se viu em nossa história, para entender quem liderou o impeachment e manda no Estado brasileiro depois disso. Foram as bancadas do agronegócio, interessadas unicamente na exportação. Foram evangélicos, que funcionam como correia de transmissão de grandes igrejas norte-americanas. Foi o  grande capital financeiro. O novo governo é dominado por essas forças, que não têm compromisso com o interesse nacional. Com efeito, ao agronegócio interessa apenas bom acesso aos portos e renúncia fiscal, pouco se importando com o mercado interno e a democracia. Quanto aos evangélicos, concentram-se em pautas reacionárias e manifestam absoluta submissão a interesses externos; estão a serviço do desmonte do Estado Nação. E o capital financeiro, desde sempre é a grande sanguessuga da nossa economia.

247: Por que o governo Dilma não conseguiu apoio da indústria?
CELESTINO: Dilma nunca dialogou com a sociedade, nem mesmo quando tomou medidas corretas, tais como a redução da taxa de juros e o conseqüente alívio da carga fiscal. A última tentativa de aproximação da indústria com o governo Dilma, quando a crise já se encontrava em um nível profundo e sua popularidade era inferior a 10% se deu em 3 de dezembro de 2015, quando o Eduardo Cunha já havia anunciado a decisão de aceitar a denúncia que levou ao impeachment. Naquela ocasião um conjunto importante de entidades do setor industrial assinou um documento que propunha uma mudança na orientação econômica. Entre outras coisas, dizia que não era possível "aceitar passivamente as projeções de um 2016 perdido" e propunha construir "a mais rápida transição para a retomada do crescimento e desenvolvimento econômico e social." Além de reunir as mais importantes centrais sindicais de trabalhadores, o documento trazia a assinatura de  associações comerciais, da Confederação Nacional da Indústria e diversas entidades industriais. Depois de aprovado, fomos a Brasília para uma reunião com Dilma. Nenhum eco! O governo já estava paralisado.

247: Como explicar, aqui, o impeachment de Dilma?
CELESTINO: No regime presidencialista, quem dá as cartas é o presidente da República, que é o centro do poder de Estado. A presidente Dilma caiu quando deixou de ser o centro de poder, que se deslocou para o Congresso, que tinha disposição e capacidade para fazer isso. O empresariado, como quase toda a sociedade, queria uma solução que superasse a paralisia do Executivo e possibilitasse o funcionamento normal da economia. Iludiu-se. Agora começa a correr atrás do prejuízo.

Via Brasil 247

O que tem sido feito com o Lula é desumano

Copiei do FB de Rafael Patto

Eu não tenho notícia de nenhum paralelo à perseguição que a família Lula sofre nesse país há várias décadas. Desconheço qualquer coisa minimamente parecida.
Num depoimento ontem, durante o velório da Dona Marisa, o jornalista Chico Malfitani lembrou do primeiro programa do PT em rede nacional de televisão. O ano era 1984 e o programa foi gravado na casa do Lula, num bairro operário de São Bernardo do Campo. O propósito de ser ali a gravação do programa era um só: DESMENTIR BOATOS. Já naquele tempo, Lula era "acusado" de ter ganhado uma casa no Morumbi e corriam fofocas de que ele era visto entrando e saindo com empregados, seguranças, motoristas, etc.
Desde aquele tempo a história já era exatamente esta que a gente vê e lê hoje em dia.
O que tem sido feito com o Lula é DESUMANO. Tão desumano que o efeito desse processo prolongado e torturante de linchamento moral é a desumanização. É chocante ver a falta de empatia de algumas pessoas em relação ao Lula e sua família. Nem em momentos de luto existe trégua. "Não preocupa não, cachaceira, no inferno tem triplex". Esse foi um dos comentários que eu li durante a transmissão do velório da Dona Marisa...
Em 1984, era a mansão do Morumbi. Hoje é o triplex do Guarujá, que nunca pertenceu ao casal Lula, mas todos têm a "convicção" de que é dele, assim como 33 anos atrás todos o viam entrar e sair da mansão que nunca existiu...
As coisas nesse país são estranhas: fernando henrique tem um apartamento de altíssimo padrão em Paris, Avenida Foch, um dos metros quadrados mais valorizados da capital francesa. Como ele o adquiriu? Com seus proventos de professor aposentado da USP? Com o subsídio de presidente da república? Faz-me rir! Ninguém - Procuradoria Geral, Polícia Federal, imprensa, ninguém - nunca procurou saber.
Grampos telefônicos de Dona Marisa com seu filho, sem qualquer conteúdo de relevância jurídica foram "vazados" para a imprensa. A troco de que??? Que provas estavam contidas ali??? Uma mulher enraivecida com os panelaços mandava os paneleiros enfiar suas panelas no cu. Isso incrimina alguém? Como as conversas não tinham nenhum préstimo processual, foram vazadas por puro ESCRACHE, simplesmente para expor, constranger, humilhar, ridicularizar.
A conversa do fernando henrique com o mendonça de barros, então ministro das comunicações, em que, na véspera da privatização das telecomunicações do país, ele afirmava "nós estamos no LIMITE DA IRRESPONSABILIDADE", jamais foi vazada para o jornal nacional.
Aliás, essa história de GOLPISMO não é de agora: fernando henrique também deu seu golpe, ao transformar a Câmara e o Senado num balcão de negócios para a aprovação da emenda da reeleição. Ele era juiz e jogador ao mesmo tempo e, com o apito na boca, marcou um pênalti pra ele mesmo cobrar e converter. Malotes de dinheiro atravessavam a Praça dos Três Poderes, pra lá e pra cá, mas nada disso é escândalo. Afinal, um segundo mandato do fernando henrique era crucial para levar a cabo o processo de liquidação do patrimônio público nacional. NO LIMITE DA IRRESPONSABILIDADE. Leilões de cartas marcadas, BNDES patrocinando lances de consórcios formados na madrugada e que davam como garantia para os empréstimos alguns papeis podres: pega o dinheiro vivo e coloca no lugar umas promissórias sem lastro como "garantia". Assim o Brasil foi vendido nos anos 90.
Mas nada disso é crime porque favoreceu os especuladores internacionais e nacionais. Crime é Bolsa Família, é Minha Casa Minha Vida, é ProUni, é Ciência Sem Fronteiras... Crime é fazer políticas públicas para os pobres. Quem pratica esse tipo de crime no Brasil é escorraçado e perseguido: Getúlio terminou com um tiro no peito, Jango foi deposto e ainda seria envenenado no Uruguai, Dilma foi golpeada pelas costas, Lula tem que ser esfolado até virar pó.
Agora eu me pergunto: há 34 anos o acusam, o caluniam, o denunciam... Não prendem por quê??? Ele é Mandrake? Houdini? Não o prendem porque não conseguem levantar um grão de evidência concreta contra ele.
Dois pedalinhos que uma avó que trabalhou a vida inteira deu para os netos??? Isso é prova de enriquecimento ilícito??? A esposa do ex-governador sérgio cabral acumulou milhões de reais em joias. Uma entradinha da mulher do eduardo cunha numa boutique em Paris, Londres, Nova York ou Milão jamais saía por menos de um milhão. E elas jamais tiveram a exposição que a Dona Marisa teve por causa de dois pedalinhos que, juntos, custaram 5 mil e seiscentos reais...
Banquetes finézimos, regados a vinhos nobres, eram servidos no Palácio da Alvorada para "amigos" do fernando henrique que iam tratar de "doações" para o instituto fhc (pessoa jurídica de direito PRIVADO!!!)... Será que uma dessas "doações" terá sido o apartamento da Avenue Foch??? Ah se o Lula tivesse feito coisa parecida. O mundo desabaria! E olha que com o Lula os jantares sairiam bem mais baratos: ao invés de vinhos franceses, ele serviria Brahma latão mesmo. E no isopor...
É isso que esse país hipócrita e elitista não suporta. O Lula escancara a nossa essência plebeia. O Lula, desde o modo de falar, expõe o que nós mais denegamos de nós mesmos. É uma questão muito mais ESTÉTICA do que propriamente ÉTICA. Não tem problema o que o fernando henrique tenha feito. Pelo menos ele é asseado...
Pedalinho??? Que mandasse mesada para filho bastardo no exterior, via transferências online de empresa de fachada... Mas que pelo menos falasse inglês fluentemente.
Lula, você não é incriminado por prática de corrupção. Você e sua família são esculachados porque vocês ofendem o "bom gosto" de uma elite que renega a nossa brasilidade, uma elite que não se conforma com sua genética espúria e se ressente de não ser saxã.
Esse país ainda vai ter que te pedir desculpas por toda a perseguição injusta e por ter assassinado a sua esposa e companheira.
Um beijo no seu coração.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Anotações sobre a utilidade dos meus poemas

Meus poemas já foram úteis

Hoje escorrem lentos
Pelas frestas da vida
Gotejando tédio e sangue

Hoje andam abúlicos
Pelas vielas dos mortos
Tropeçando em bêbados

Hoje olham vazios
As sujeiras humanas
Morto olho de vidro

Hoje murmuram signos
Nos murais da aldeia
Ninguém lê ou entende

Hoje silenciam murchos
Como velhos rotos
E suas memórias de vento

Hoje rezam devotos
Nas igrejas de cura
Inútil fé apodrecida


Hoje assentam tijolos
Paredes incertas
Erguidas para a queda

Hoje pintam quadros
Mortas as naturezas
E tudo fede

Hoje estripam-se
Vísceras expostas
Mas os olhares desviam

Hoje meus poemas são inúteis

Beto Richa continua espancando os trabalhadores da educação

Copiei do FB de Janaina AS Teboul

(O título acima é de minha responsabilidade)


"Aos Pais de Aluno(s) (ou Responsável(is)), alunos e a quem tiver interesse", já que tenho recebido mts msgs com dúvidas sobre a situação atual da distribuição das aulas, se vou continuar nos mesmos colégios...
Para começar a escrever esse desabafo, tive de pensar em como começá-lo, pois, são tantos, tantos, tantos os absurdos que vi dos relatos dos meus colegas professores QPM (concursados), que ficou difícil escolher o que comentar primeiro!
Eu estou h o r r o r i z a d a!!!!!!!
O que antes era uma distribuição normal de aulas, onde durava poucas horas para reorganizar cada professor com o(s) seu(s) colégio(s), (no máximo 3 colégios, que já são muitos) e suas turmas, esse ano transformou-se isso em um grande caos!
U m a  b a g u n ç a!!!!!!
Os professores chegaram às 07h30 e ficaram na fila horas e horas, sem poder almoçar, sem poder descansar, passando agonias cada vez que o sistema travava e recomeçavam tudo de novo. Teve professoras grávidas que passaram mt mal. Só sei que até de madrugada tinha professores nos colégios aguardando suas aulas (No meu whats hj, vi que às 05h00 (madrugada) ainda tinha professores nos colégios, outros até desistiram e foram embora por terem passado mal. E o pessoal que atendiam os professores nos NREs também foram punidos, pois nem podiam piscar, tomar um ar. (Quão desumano isso!)
Para não escrever um livro, vou ser mais direta sobre o que está acontecendo:
* Alguns professores estão com aulas distribuídas em até 7 colégios!!!! 7 colégios!!!! 7 colégios!!!!! 
* Muitos professores tiveram de tomar aulas de outras disciplinas.
Por ex: Profº de História tomou aulas de Matemática; Profª de Matemática tomou aulas de Biologia; Profª de Português tomou aulas de Artes...
* Diminuiram 2 aulas de hora - atividade, o que fez resultar nessa bagunça toda. E agora será mais difícil, pois teremos mais trabalhos dos colégios para fazer em casa, como corrigir provas, elaborar aulas, preencher livros... O que diminui a qualidade do ensino, pois o professor também precisa cuidar da sua família, ter seus momentos de descanso...
* Muitos professores em licença por tratamento de saúde (inclusive tratamento quimioterápico), tiveram de voltar e ainda tomar aulas em mais de 4 colégios e um longe do outro. 
* Muitos colégios tiveram turmas fechadas, ou seja, se a sala de aula já era lotada de alunos, agora estará pior que estar no ônibus Inter II em horário de pico. Nem vai ser possível andar na sala sardinha.
* E se caso alguém pensar que o professor deveria ficar com poucas aulas, saiba que nós professores precisamos de no mínimo 37, 38, 39 ou 40 aulas para ter um salário adequado para poder pagar nossas contas (luz, água, IPTU, IPVA, outros impostos, comida, remédios, combustível, roupas, calçados, folhas de sulfites para as provas, listas de exercícios, trabalhos dos alunos...etc... (pois os colégios não têm condição de fornecer materiais para o preparo de aulas, tinta para a impressora...) E termos um pouco de lazer, pois também somos humanos!
* Dizem: - Ahhh, mas o professor tem que leccionar por amor! Sim claro, por isso estamos nessa luta, por amar nossa disciplina de escolha, por amar ensinar, por amar preparar um ser para vida! E poder tirar nosso sustento disso! Já que ninguém vive só de amor!!!! É mais do que justo nossos direitos de trabalhador. Nós estudamos para isso, fazemos cursos de atualização, especialização... Nosso diploma não caiu do céu.
* E estou muito preocupada, pois se já está difícil para os professores QPM (concursados), imagine para quem é PSS (contrato temporário, tendo que ser renovado a cada ano, este ano serão a cada 6 meses) como eu, nem sei mais se esse ano vou conseguir aulas. Eu só pude fazer o concurso de 2013 e não passei. (Só tinha 1 vaga para matemática em Curitiba). Desde 2008 que trabalho como professora no estado, nunca fiquei sem aulas.
* É claro que já estou enviando currículos para colégios particulares, tentando ver emprego em outras áreas. E continuo aguardando a minha vez de ser chamada para conseguir aulas novamente no estado.
* Mas, além dos nós professores estarmos sendo punidos com toda essa bagunça que o nosso governador faz gosto, eu fico pensando em como será a qualidade do ensino público nesse caos... Muito triste isso...
Profª Janaina A S Teboul

Que mal D. Marisa causou a estes desumanos? Pela ética, contra a banalidade do ódio

Copiei do Blog de Um Sem-Mídia 

NOTA DO MOVIMENTO MÉDICOS UNIDOS 

Inicialmente prestamos nossa homenagem a Dona Marisa Letícia, falecida hoje no Hospital Sírio e Libanês em São Paulo, expressando nossa solidariedade a toda a sua família e inúmeros amigos e antigos companheiros. 
Dona Marisa foi uma ilustre cidadã brasileira, operária, sindicalista, militante política, mãe de família e dona de casa, primeira-dama do Brasil durante 8 anos. 
Como médicos, também nos solidarizamos com sua família e lamentamos sua partida precoce, aos 66 anos, vitimada por um acidente vascular cerebral, provavelmente atribuível, pelo menos em parte, ao enorme processo de estresse pessoal a que a paciente vinha sendo submetida nos últimos dois anos. Assistimos com estarrecimento à manifestação e comportamento de diversos colegas de profissão durante o triste episódio da internação e morte de Dona Marisa. 
A médica que divulgou imagens da tomografia cerebral da paciente; o médico que se manifestou em redes sociais dissertando sobre o método que garantiria o fracasso da terapêutica e aceleraria a morte; redes sociais de médicos fazendo troça com a imagem do defeito físico do marido da paciente, o ex-presidente Lula, comprazendo-se com o momento de dor do familiar. 
Os exemplos são, infelizmente, inúmeros, constituindo um triste monumento iconográfico ao ódio, à intolerância e à absoluta incapacidade ética e humanista para tais profissionais exercerem a medicina. A medicina não é uma profissão melhor que nenhuma outra. Todo trabalho humano é digno, e capaz de produzir o sentimento de orgulho e pertencimento ao esforço comum dos seres humanos em melhorar a vida e buscar a felicidade. Por isso, é preciso respeitar, proteger, dignificar o trabalho, nas inúmeras esferas da atividade humana. 
Não sendo melhor que nenhuma outra, a medicina tem, entretanto, especificidades que lhe são essenciais. O médico escolhe esta profissão em nome da defesa da vida, não da morte. Da reabilitação, não da desqualificação e do estigma. Da dignidade do paciente, qualquer que seja ele, não do desrespeito e ofensas. 
Justamente por lidar com o cuidado a pessoas fragilizadas pela situação de doença, não se concebe um médico que não tenha uma visão humanista e solidária, empática, com o sofrimento. 
Isto não tem relação com a posição política do médico. Como qualquer cidadão, ele terá suas escolhas ideológicas, sua visão de mundo, suas perspectivas de projeto de vida, sua filiação a segmentos partidários. De direita, de centro ou de esquerda. De apoio a projetos autoritários de condução da política. De desacordo radical com o modo de conceber a política dos partidos de esquerda. É um direito de todos terem e manifestarem suas posições políticas. 
Mas não se deve reconhecer o direito, em nenhum cidadão ou cidadã, de nenhuma profissão, de expressarem suas posições políticas através do ódio, preconceito e intolerância. Isto se torna mais grave quando o cidadão que é médico lança mão de argumentos de sua profissão para expressar este ódio. 
Vivemos no Brasil um caldo de cultura de ódio e intolerância, acentuados vertiginosamente a partir de 2014, e vinculados a um debate político que não se dá no plano da política, mas sob a forma de guerra, confronto, desqualificação das diferenças do outro. 
Esta cultura do ódio e intolerância é nutrida e sustentada pela inaceitável coalização de parte de instituições do Estado (Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal) com os grupos dominantes da mídia, sob liderança do conglomerado Globo de rádio, TV e jornais. 
Ações espetaculares de exposição vexaminosa de pessoas sob investigação, e o fornecimento de material sigiloso para ampla divulgação em telejornais são ferramentas de disseminação da intolerância e alienação. 
A narrativa, repetida obsedantemente, de desqualificação da política e do pensamento de organizações de esquerda e dos movimentos sociais, produz as condições materiais e objetivas sem as quais os efeitos da psicologia de massas do ódio e da intolerância não teriam emergido da forma tão assustadora como vem ocorrendo no Brasil. 
Mas os determinantes políticos e institucionais da disseminação da cultura do ódio e intolerância não absolvem os indivíduos da responsabilidade por seus atos. Os médicos que disseminam e propagam esta cultura são responsáveis pelo que fazem. Infringem a ética das relações humanas, e a ética da profissão médica. 
Cabe aos Conselhos Regionais e Nacional de Medicina saírem de sua posição contemplativa, e assumirem a responsabilidade de zelar pela ética da profissão médica. 
Porém, mais do que uma tarefa de conselhos profissionais, cabe a todos nós, médicos e cidadãs e cidadãos brasileiros, iniciarmos um amplo movimento de reconstrução das bases solidárias e humanistas da sociedade. 
Antes que seja tarde demais. 
Rio de Janeiro, 03 de fevereiro de 2017 
MOVIMENTO MÉDICOS UNIDOS

abd girafa 
NOTA DO MOVIMENTO “MÉDICOS PELA DEMOCRACIA” EM DEFESA DA ÉTICA E HUMANISMO NA MEDICINA 
(Em repúdio a atitudes intolerantes e agressivas de colegas médicos relativas ao padecimento, agonia e morte de Dona Marisa Letícia Lula da Silva) 
Nós, Médicos pela Democracia, defendemos que a Medicina seja exercida com ética, humanismo e compaixão ativa no cuidado com o ser humano. Para isto é preciso observar quatro princípios da Bioética: a autonomia, respeitando as escolhas do paciente, sempre que possível, ou da família, quando de sua incapacidade de decidir; beneficência, que se refere à obrigação ética de maximizar o benefício do ato médico e minimizar o prejuízo; não-maleficência, que proíbe infringir dano deliberado, evitando agravos à saúde do paciente; justiça, que é a obrigação ética de tratar cada indivíduo conforme o que é correto e adequado e dar a cada um o que lhe é devido. 
Temos que observar um quinto princípio fundamental, previsto no Código de Ética Médica-2009: “o médico guardará sigilo a respeito das informações que tenha conhecimento no desempenho de suas funções, com exceção dos casos previstos em Lei”. 
Defendemos, portanto, que o exercício da Medicina seja uma celebração à vida, às relações humanas solidárias, numa prática amorosa da compaixão ativa, na busca da superação do sofrimento físico e psíquico das pessoas que suportam agravos à sua saúde. 
Por defendermos estes princípios é que, nós Médicos pela Democracia repudiamos veementemente a postura de intolerância, desprezo pela vida e injúria moral por parte de alguns colegas médicos, feitas publicamente em Redes Sociais, ao debochar da cidadã brasileira Marisa Letícia Lula da Silva, esposa do ex-presidente Lula, quando do seu adoecimento grave, agonia e morte. 
Estes colegas, lamentavelmente, expuseram ideias fascistas, zombaram de uma pessoa em grave sofrimento, sendo que um deles propôs omissão de socorro e conduta lesiva que causaria a morte. Que mal Dona Marisa causou a estes raivosos, desumanos e intolerantes médicos? 
Nossa indignação e repúdio às atitudes destes colegas nos faz pedir formalmente ao Conselho Regional de Medicina de São Paulo para iniciar imediatamente processo ético contra estes colegas, por infração ao Código de Ética Médica, assegurando o direito de ampla defesa: 
1 – G.A.M. – Reumatologista do H. Sírio Libanês – por divulgar dados sigilosos 
2 – P.P.S.F – por repercutir informações de G.A.M. e divulgar Tomografia comentada que seria de Dona Marisa 
3 – R.F.H. – Neurocirurgião que propôs “romper o procedimento. Daí já abre a pupila. E o capeta abraça ela”. 
Omitimos os seus nomes por exigência do Código de Ética Médica, que recomenda discrição para que a denúncia seja cabalmente aceita e examinada, mas os três são facilmente identificáveis pelas noticias dos jornais de São Paulo. 
Em defesa da Ética, do Humanismo e da Compaixão ativa no exercício da Arte da Medicina 
Em defesa de uma sociedade justa, fraterna e de paz! 
#SomosTodosPelaVida 
#MenosÓdioMaisAmor 
03 de Janeiro de 2017 
Movimento “Médicos pela Democracia”